Em vez de passar todos os fins de semana a arrancar cardos, morugem e dente-de-leão dos canteiros, é possível planear a área uma vez, plantar com critério e depois deixá-la quase tranquila. O segredo chama-se: tapete vivo de plantas de cobertura do solo. Com as perenes certas, os espaços livres no canteiro ficam tão bem preenchidos que as plantas infestantes mal conseguem instalar-se. Para começar, março é o momento mais indicado.
Porque é que as ervas daninhas regressam sempre
Muitos jardineiros atacam o problema pelo lado errado: arrancam o que está à vista e ficam surpreendidos quando, após cada chuvada, surgem novos tufos verdes. A explicação está debaixo dos pés.
No solo existe uma enorme “banca de sementes”. Ano após ano, acumulam-se sementes de plantas espontâneas que podem ficar à espera durante muito tempo do sinal certo: luz e humidade. Assim que aparece terra nua, essa reserva entra em ação.
"Cada golpe mais fundo com a pá ou a sachola traz novas camadas de sementes à superfície - e, com elas, a próxima vaga de plantas infestantes."
Quem, a cada alarme de ervas daninhas, revolve o terreno com força, acaba por fabricar sem querer os problemas da estação seguinte. Por isso, os especialistas recomendam outra abordagem:
- Trabalhar à superfície: soltar apenas a camada superior, sem mexer em profundidade.
- Cortar as infestantes de semente: espécies anuais como a morugem devem ser cortadas rente ao solo, em vez de se abrirem buracos grandes.
- Arrancar bem as infestantes de raiz: no caso de dente-de-leão, cardos ou bardanas, usar uma ferramenta estreita para “picar” e retirar o máximo possível de raiz - idealmente com o solo húmido.
Um ponto especialmente enganador são as plântulas lenhosas de arbustos e árvores. Se forem deixadas “para mais tarde”, mais tarde exigirão muito mais força e escavações mais profundas - o que volta a abrir janelas para novas sementes germinarem.
Mulch vivo: perenes como proteção natural contra ervas daninhas
A solução mais duradoura começa antes: não deixar zonas de terra exposta. Em vez disso, entram perenes resistentes que cobrem o solo como um tapete. Entre profissionais, ouve-se falar em “mulch vivo” ou “cobertura viva do solo”.
Estas plantas trabalham 24 horas por dia a favor do jardineiro:
- Sombreiam a terra, reduzindo a luz disponível para a germinação de sementes de infestantes.
- Retêm a humidade no solo e diminuem a necessidade de rega.
- As raízes ajudam a estabilizar a vida do solo e a travar a erosão.
- Muitas servem também de alimento para abelhas e outros insetos.
"Ao plantar perenes de cobertura do solo, troca-se a monda cansativa por uma almofada florida e colorida - muitas vezes durante anos."
Brunnera & Co.: perenes que, na primavera, tomam conta do solo
Entre as coberturas de solo, há uma perene que aparece repetidamente nas recomendações: Brunnera macrophylla, muitas vezes conhecida como miosótis-do-Cáucaso. Para muitos profissionais, é uma das melhores coberturas de solo de primavera.
A planta forma folhas grandes em forma de coração e, acima delas, nuvens de flores delicadas de azul-celeste que lembram muito o miosótis clássico - só que mais persistente e mais exuberante. Em condições favoráveis, a brunnera floresce muitas vezes de meados de março até maio.
Vantagens principais:
- muito duradoura e resistente
- espalha-se de forma moderada, mas consistente
- perfeita para meia-sombra e sombra
- combina bem com bolbos como açafrões (crocus) ou narcisos
À sombra de árvores ou ao longo de paredes da casa, isto pode criar um tapete denso e azul de flores, sob o qual quase nenhuma erva espontânea consegue manter-se.
Outras coberturas de solo adequadas para março
Para um jardim realmente fácil de manter, compensa misturar diferentes perenes. Assim, as áreas mantêm-se vivas da primavera até ao outono. Entre as opções que têm dado bons resultados, incluem-se:
| Planta | Exposição | Particularidade |
|---|---|---|
| Brunnera macrophylla (miosótis-do-Cáucaso) | Meia-sombra, sombra | flor de primavera, folha grande, cobertura densa |
| Variedades de gerânio-perene | Sol a meia-sombra | floração longa, fecha rapidamente as falhas |
| Phlox-almofadado | Muito sol | tapete baixo de flores, ideal para bordaduras |
| Tipos de fetazinha (Sedum) | Seco, sol pleno | tolera pouca água, amigo dos insetos |
O ponto-chave é sempre o mesmo: as espécies escolhidas têm de corresponder às condições do local. Colocar uma planta de sombra sob sol forte ao meio-dia cria stress - e o stress volta a abrir clareiras, por onde as ervas daninhas entram.
Como plantar com sucesso em março
O arranque do tapete vivo e florido começa assim que, em março, o solo estiver mais seco e já der para o pisar. A preparação faz-se em poucos passos, mas decisivos:
- Última monda a fundo: aproveitar a terra húmida; retirar bem as infestantes de raiz e remover as anuais de forma superficial.
- Mobilizar apenas à superfície: com cultivador ou escarificador manual, “arranhar” os primeiros dois a três centímetros, sem cavar fundo.
- Incorporar composto: uma camada fina de composto bem maturado melhora a estrutura e fornece nutrientes de arranque.
- Plantar com densidade: colocar as perenes suficientemente próximas para que, o mais tardar no segundo ano, as folhas se toquem.
- Regar de seguida: após a plantação, regar bem para ajudar as raízes a ligar ao solo.
"No primeiro ano, o novo tapete precisa de algum acompanhamento - algumas regas e a remoção pontual das poucas ervas que ainda consigam furar. Depois, a plantação faz grande parte do trabalho sozinha."
O que ter em conta ao escolher coberturas do solo
Por muito apelativo que seja um jardim quase sem manutenção, há alguns pontos a vigiar para que a ideia não corra mal.
- Confirmar o comportamento de crescimento: algumas coberturas alastram muito e podem sufocar vizinhas mais fracas. Ler a descrição da variedade ou pedir orientação numa loja especializada.
- Combinação com lenhosas: debaixo de arbustos de raiz superficial ou de árvores mais velhas, a competição por água e nutrientes é maior. Nesses locais, optar por espécies especialmente resistentes.
- Ajustar a rega: plantações densas exigem mais água no início; mais tarde, em regra, bem menos do que solo descoberto.
- Planear a sequência de floração: misturar espécies diferentes permite manter áreas coloridas desde o início da primavera até ao outono.
Exemplos práticos do dia a dia no jardim
Um cenário comum: um canteiro de perenes com roseiras ao centro e zonas nuas entre plantas. Muitos acabam por usar mulch de casca de pinheiro. Ajuda a travar parte das espontâneas, mas no verão aquece bastante e, com o tempo, degrada-se sem criar vida por si próprio.
Se, em alternativa, forem plantadas variedades baixas de gerânio-perene, ganha-se uma superfície viva e florida, que arrefece o solo, atrai abelhas e reduz o trabalho de manutenção. O mesmo se aplica a áreas em frente a sebes ou sob árvores de fruto, onde a sachola costuma ser visita permanente.
Outro caso: a faixa de brita no jardim da frente. Aí, com sedum tolerante à seca, tomilho-almofadado e phlox-almofadado, é possível formar um tapete resistente, que aguenta bem o calor do verão e, ao mesmo tempo, tira espaço às infestantes.
Riscos, benefícios e combinações sensatas
Qualquer intervenção no jardim tem efeitos secundários. Se plantar demasiado junto, pode ser necessário regar mais no início, até a massa radicular se estabelecer. Em cantos muito húmidos, existe o risco de encharcamento quando um solo pesado se junta a um coberto muito denso. Uma boa avaliação do solo antes de começar ajuda a evitar problemas.
Na maioria dos jardins domésticos, os benefícios são claros: menos mondas, melhor estrutura do solo, mais flores, mais insetos e menos terra nua a secar. Fica ainda mais interessante quando se combinam coberturas de solo com bolbos. Açafrões, tulipas ou narcisos aparecem por entre a folhagem, florescem cedo e, depois, devolvem a área ao tapete de perenes.
Quem preferir avançar por etapas pode começar por uma zona problemática: o canteiro que exige monda constante. Em março, faz-se uma limpeza cuidadosa, planta-se a cobertura do solo e acompanha-se a evolução durante uma estação. Muitas vezes, a área seguinte vem por acréscimo - e os joelhos ficam, no futuro, muito mais vezes limpos.
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