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Volkswagen Polo G40: rápido como uma lebre e falso como uma raposa

Carro vermelho Volkswagen Polo G40 estacionado em showroom com piso cinza e paredes espelhadas.

Rápido como uma lebre e falso como uma raposa: em poucas palavras, era assim o Volkswagen Polo G40.

Chegado ao mercado no já longínquo ano de 1991, trazia sob o capô um 1300 cm³ com a preciosa ajuda de um compressor volumétrico G-lader - daí a letra “G”; já o “40” aponta para a dimensão, em milímetros, do compressor. O mais modesto dos desportivos alemães podia ser pequeno por fora, mas nas prestações não tinha nada de tímido.

A lebre

Com 115 cv de potência máxima (113 cv nas variantes com catalisador), o «puto reguila» da nação mais agridoce da Europa disparava até aos 100 km/h em menos de nove segundos e cumpria o primeiro quilómetro lançado em menos de 30 segundos. A velocidade de ponta ficava-se pela cifra, quase mágica, de 200 km/h.

E tudo isto num modelo assente numa plataforma pensada no início dos anos 80, desenhada para acolher motorizações com meia dúzia de «póneis». Está, portanto, explicada a faceta «lebre» do G40.

A raposa

O lado menos simpático do G40 era o lado «raposa». Como referi acima, a sua base rolante vinha de um chassis concebido no início dos anos 80 e, por isso mesmo, dimensionado para motores pouco pujantes - não para um conjunto capaz de empurrar um pequeno Polo para velocidades a roçar os 200 km/h.

Ainda assim, foi exactamente isso que a Volkswagen decidiu fazer: enfiar ali um super-motor… como quem manda! O desfecho só podia ser este: um carro com um comportamento dinâmico tão previsível quanto o comportamento de um psicopata. E assim se percebe a «falsidade» de raposa do G40.

Os travões até pareciam cumprir a sua missão, mas sobretudo quando o carro estava parado. Em movimento, em vez de travarem, limitavam-se a abrandar. Já as suspensões faziam o que conseguiam perante uma arquitectura de braços convencionais simples - isto é, pouco ou nada.

Meter um Polo G40 numa curva e sair da experiência vivo era mais ou menos como desarmar uma bomba: metade jeito, metade sorte. A esta altura, muitos de vós já estarão a pensar que o Polo G40 é um «charuto» sem apelo. Nem vos passe isso pela cabeça!

Épico

O Volkswagen Polo G40 é um carro épico, sem «defeitos»! Digamos apenas que tem «nuances comportamentais» muito vincadas. É um modelo que merece, um a um, os que lhe prestam reverência e que, ainda hoje, mantêm aceso o culto ao pequeno-grande Polo G40.

Mais do que uma escola de condução, foi uma autêntica praxe(!) para quem se iniciava no mundo dos carros desportivos.

Os miúdos que, nos anos 90, sobreviveram à experiência são hoje homens de barba rija. Homens (e mulheres…) que merecem todo o nosso crédito por terem domado um indomável alemão - tão desafiante e divertido quanto perigoso. Talvez até mais perigoso do que divertido… mas longa vida ao G40!

Ainda hoje, com um pouco de sorte, continuam a aparecer por aí. Alguns impecavelmente estimados, outros com bastantes «marcas de guerra», a fazer das suas com jovens e menos jovens que, por opção ou porque a carteira não estica, encontram no “G” uma via de escape para a adrenalina e para o prazer de condução.

Procurem no YouTube e depressa encontram vídeos de G40 alterados a mais de 240 km/h. Prova provada de que, em certos casos, a psicose do carro também passa para as mãos dos proprietários.

P.S.: Dedico este artigo ao meu grande amigo Bruno Lacerda. Um dos que sobreviveu (por pouco…) às manias de um carro com coração a mais e chassi a menos.


Sobre o “Glórias do Passado.”. É a rubrica da Razão Automóvel dedicada a modelos e versões que, de alguma forma, se destacaram. Gostamos de revisitar as máquinas que, noutros tempos, nos fizeram sonhar. Embarca connosco nesta viagem no tempo aqui na Razão Automóvel.


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