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Forno eléctrico: pode puxar tanta energia como 62 frigoríficos

Jovem a verificar receita enquanto cozinha legumes num forno numa cozinha moderna e iluminada.

As casas modernas estão cheias de aparelhos eléctricos, desde a Smart TV até à máquina automática de café. Muitos funcionam todos os dias e alguns chegam mesmo a estar ligados 24 horas. Na cozinha, porém, há um equipamento particularmente voraz em energia, cujo pico de utilização pode ser tão elevado que, por momentos, equivale ao de dezenas de frigoríficos.

Um aparelho de cozinha indispensável com efeitos secundários pesados

Para quem gosta de fazer bolos, assados ou gratinados, é difícil passar sem ele: o forno eléctrico. É prático, versátil e está presente na maioria das cozinhas - mas também é um dos campeões no consumo de electricidade. A explicação está no modo como trabalha: precisa de atingir temperaturas elevadas em pouco tempo e mantê-las o mais estáveis possível, muitas vezes entre os 180 e mais de 220 °C.

Para conseguir isso, o aparelho exige muita energia num período curto. Especialistas em energia apontam, para um forno eléctrico típico, uma potência na ordem dos 2.000 a 3.000 watts. Ou seja: assim que se liga o forno e ele começa a aquecer, pode retirar da rede entre dois e três quilowatts, consoante o modelo.

"Um forno eléctrico normal pode, em funcionamento, puxar tanta potência como um pequeno aquecedor eléctrico - só que na cozinha."

No dia a dia, este valor é frequentemente subestimado. Uma televisão LED moderna consome muitas vezes apenas 80 a 150 watts, e um portátil ronda os 40 a 90 watts. O forno fica, portanto, muito acima destes números - e isso acontece sempre que se mete uma pizza lá dentro.

Porque é que a comparação com o frigorífico soa tão extrema

A comparação torna-se especialmente interessante quando se coloca o forno ao lado de outro aparelho de cozinha que, esse sim, funciona de forma contínua: o frigorífico. Um modelo actual e razoavelmente eficiente está sempre a trabalhar, mas com uma potência muito mais baixa e com um interior bem isolado, que ajuda a manter o frio.

Enquanto um forno em utilização pode precisar de 2.000 a 3.000 watts, um frigorífico económico costuma funcionar com cerca de 50 a 100 watts quando o compressor está a trabalhar - por vezes até menos. Ao traduzir isto para a potência máxima num dado instante, surge um cenário surpreendente.

"Um forno, a funcionar na potência máxima, pode por momentos puxar tanta electricidade como até 62 frigoríficos ao mesmo tempo."

O ponto mais crítico é a fase de pré-aquecimento. Nessa etapa, a resistência do forno trabalha quase continuamente no máximo até atingir a temperatura definida. É precisamente aqui que aparecem estes valores extremos. Em termos simples: durante alguns minutos, o forno comporta-se como um armazém inteiro de equipamentos de refrigeração.

Potência vs. consumo: onde está a diferença

Convém distinguir potência (watts) de consumo real de energia (quilowatt-hora, kWh). Uma potência elevada não significa, por si só, que o forno seja sempre o item mais caro da casa - o que manda é o tempo de utilização.

  • Potência (watts): a “força” com que o aparelho puxa energia enquanto está ligado.
  • Consumo de energia (kWh): a electricidade efectivamente gasta ao longo de um período.
  • Custo: consumo (kWh) multiplicado pelo preço da electricidade em euros por kWh.

Um forno costuma estar ligado 30 a 90 minutos de cada vez, ao passo que o frigorífico funciona 24 horas. Por isso, ao longo de um mês, o frigorífico pode acabar por consumir um total semelhante - ou até superior - apesar de ter uma potência muito menor.

Quanto custa, na prática, usar um forno?

Um exemplo ajuda a perceber melhor a escala. Suponhamos um forno com 2.500 watts (2,5 kW) a funcionar durante uma hora com carga relativamente alta. Nesse cenário, o consumo ronda os 2,5 kWh. Com um preço de 35 cêntimos por kWh, o custo fica em cerca de 0,88 € por hora de utilização.

Quem usa o forno três vezes por semana durante uma hora acumula, num mês, cerca de doze horas. Isso equivale a aproximadamente 30 kWh - ou seja, perto de 10 a 11 € mensais apenas para este equipamento.

"Quanto mais vezes o forno é utilizado, maior o impacto no balanço anual - sobretudo em casas onde se cozinha muito."

Para comparação: um frigorífico eficiente com cerca de 150 kWh de consumo anual, ao mesmo preço por kWh, custa aproximadamente 52 € por ano. Um forno muito usado pode aproximar-se desse valor - e, com assados e bolos frequentes, até ultrapassá-lo.

Onde o forno se transforma numa armadilha de electricidade

O gasto dispara quando o forno é mal aproveitado ou quando o aparelho já é muito antigo. Muitos modelos mais velhos não têm bom isolamento nem programas de aquecimento optimizados. Além disso, a forma como se utiliza o forno pesa bastante na factura.

Erros típicos de “devoradores” de energia na cozinha

  • pré-aquecer durante muito tempo, mesmo quando a receita não o exige
  • abrir a porta repetidamente, deixando escapar calor
  • preparar pequenas porções no forno grande em vez de usar uma airfryer ou o micro-ondas
  • usar apenas um nível quando seria possível cozinhar com vários tabuleiros ao mesmo tempo
  • utilizar aparelhos sem ventilação (convecção), apesar de a ventilação ser, em geral, mais eficiente

Quando vários destes hábitos se repetem, o consumo aumenta de forma notória - muitas vezes sem que se dê por isso. O contador não faz barulho: vai somando em silêncio.

Truques simples para reduzir a fome de energia

Com pequenas alterações de hábitos, é possível baixar de forma clara a energia necessária para usar o forno - sem estragar o assado de domingo.

Usar de forma eficiente em vez de deixar andar

  • Evitar o pré-aquecimento quando não é mesmo necessário - muitos gratinados e pratos de forno resultam bem sem essa etapa.
  • Aproveitar o calor residual: desligar o forno cinco a dez minutos antes do fim, porque ele continua quente o suficiente durante algum tempo.
  • Escolher ventilação sempre que possível - o calor distribui-se melhor e, muitas vezes, dá para usar temperaturas mais baixas.
  • Juntar várias preparações: se o forno já está quente, colocar de seguida um tabuleiro de pão, pãezinhos ou bolo.
  • Manter a porta fechada: cada abertura faz cair a temperatura e obriga a gastar mais energia para recuperar.

"Quem reduz o tempo de pré-aquecimento e aproveita o calor residual poupa, com poucos gestos, dinheiro de forma perceptível todos os anos."

Para porções pequenas ou para aquecer rapidamente, muitas vezes compensa usar alternativas como airfryer, mini-forno ou micro-ondas com função de grelhador. Por trabalharem num espaço menor, precisam de menos energia.

Quando vale a pena comprar um forno novo

Em muitas casas ainda se usam equipamentos com 15 anos ou mais. Nesse período, tanto a tecnologia como a eficiência evoluíram bastante. Quem utiliza o forno com frequência e tem um modelo muito antigo deve, pelo menos, fazer as contas a uma substituição.

Os modelos mais recentes costumam oferecer:

  • melhor isolamento e menores perdas de calor
  • controlo de temperatura mais preciso, o que reduz a necessidade de reaquecer
  • programas específicos como ar quente em modo Eco
  • funções de auto-limpeza que, apesar de consumirem bastante, só precisam de ser usadas ocasionalmente

Quanto mais alto for o preço da electricidade, mais depressa a troca por um aparelho mais eficiente pode compensar - sobretudo em famílias onde o forno quase trabalha todos os dias.

Porque é que estas comparações servem para abrir os olhos

Dizer que um forno pode puxar tanta electricidade como 62 frigoríficos parece exagerado à primeira vista. A ideia refere-se a um momento muito específico: a potência máxima durante o aquecimento inicial. Ao longo do tempo, o frigorífico é, naturalmente, o equipamento “de fundo” que precisa de energia de forma constante.

Ainda assim, a comparação ilustra bem a potência envolvida assim que o forno é ligado. Tendo isso presente, talvez se ligue menos uma vez, se planeiem melhor as refeições ou se usem alternativas. No final, não é só a factura que agradece - a rede eléctrica também.

Num contexto de preços elevados, vale a pena olhar com atenção para os maiores consumidores em casa. O forno está claramente entre eles - e ajustar a forma de utilização pode permitir cozinhar e fazer bolos de forma bem mais económica, sem grande perda de conforto.


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