Quer seja no Rewe, no Lidl ou na mercearia do bairro, a maior parte das pessoas pega quase por instinto no mesmo carrinho de compras: é cómodo, familiar e rápido. Só que novas comparações de preços deixam claro quanto dinheiro fica, na prática, na prateleira quando nos agarramos a rotinas de que gostamos.
Porque escolher o supermercado certo hoje significa dinheiro no bolso
Para a maioria das famílias, a alimentação é uma das maiores despesas fixas do mês. Ainda assim, muitos hábitos de compra nascem por acaso: a loja fica no caminho do trabalho, tem estacionamento fácil ou vende aquela massa preferida. Pode ser conveniente, mas não diz nada sobre se os preços são, de facto, justos.
É precisamente aqui que entram os grandes estudos de preços. Em Itália, por exemplo, a organização de defesa do consumidor Altroconsumo compara todos os anos milhares de produtos em supermercados, hipermercados e discount por todo o país. A lógica é semelhante à de análises da Stiftung Warentest ou de associações de consumidores no espaço de língua alemã: cestos de compras padronizados, produtos iguais, embalagens com as mesmas quantidades - e, depois, um confronto directo de preços.
"Uma única decisão - a escolha da cadeia - pode significar uma poupança de vários milhares de euros por ano."
Na leitura mais recente, uma família de quatro pessoas consegue, ao escolher intencionalmente os operadores mais baratos e ao optar de forma consistente por produtos mais económicos, poupar uma quantia comparável ao orçamento de férias de um ano.
A comparação de preços: que cadeias lideram em Itália
A análise italiana foca-se em três estratégias de compra que também se conseguem transportar, em termos gerais, para outros mercados:
- Escolher sempre o mais barato - independentemente da marca; só interessa o preço.
- Dar prioridade às marcas próprias - produtos com o logótipo da própria cadeia.
- Compras mistas - combinação de marcas, marcas próprias e artigos básicos.
Consoante a estratégia, o pódio dos retalhistas com melhor preço muda de forma clara.
Quando só conta o preço: o discount na dianteira
Quem faz compras a pensar sobretudo no total a pagar na caixa e escolhe, de forma rigorosa, o artigo mais barato disponível, acaba em Itália, na maioria das vezes, num discount. Segundo a Altroconsumo, a cadeia Eurospin surge actualmente à frente das restantes.
De acordo com os cálculos dos defensores do consumidor, uma família de quatro pode poupar até 3.700 euros por ano face à média nacional - desde que, em cada ida às compras, seleccione mesmo a opção mais barata em cada prateleira.
O motivo é conhecido: sortido mais limitado, grande peso de marcas próprias, exposição simples, menos pessoal em loja - tudo isto reduz custos e abre espaço para preços mais agressivos. Em termos estruturais, o modelo lembra o de operadores como Aldi, Lidl e afins no espaço de língua alemã.
Marcas próprias em destaque: outra cadeia no topo
O cenário muda quando o foco deixa de ser o item mais barato e passa a estar nas marcas próprias das cadeias. Nesta categoria, segundo o estudo, o líder não é um discount clássico, mas sim uma grande cadeia de supermercados: Carrefour.
Quem coloca maioritariamente no carrinho produtos com o logótipo do retalhista poderá poupar até 3.308 euros por ano - novamente com base numa família de quatro pessoas e em comparação com a média nacional.
Há muito que as marcas próprias deixaram de ser vistas como “produto barato de segunda”. Muitas são produzidas nas mesmas fábricas que marcas conhecidas, mudando apenas o rótulo. Além disso, os retalhistas organizam hoje estas gamas em vários patamares: desde linhas base para quem quer pagar o mínimo até marcas próprias premium com certificações biológicas ou selos de origem regional.
A compra “normal”: a mistura dá equilíbrio
Na vida real, a maioria das famílias não compra apenas artigos do mais baixo preço nem enche o carrinho só com marcas. Na prática, vai tudo: massa especialmente barata, a tablete de chocolate da marca habitual e, pelo caminho, o leite de marca própria.
Para este perfil de compra mista, o estudo volta a apontar o discount como o canal mais vantajoso. Em Itália, a cadeia In’s Mercato destaca-se como a que apresenta melhor desempenho. O princípio económico mantém-se: operação simples, pouca “cosmética” e preços baixos num cesto de compras representativo.
"Quem mistura marcas, marcas próprias e artigos básicos sai, segundo os dados, geralmente mais barato nos discount."
Quem prefere marcas poupa menos - mas ainda assim de forma perceptível
Muitos consumidores não querem abdicar das suas marcas favoritas - por hábito, por preferências de sabor ou por confiança em determinados fabricantes. Para este grupo, a análise também traz números relevantes.
Mesmo mantendo uma compra centrada em marcas, ainda é possível cortar no total. De acordo com a Altroconsumo, cadeias como Famila, Ipercoop e Esselunga oferecem, em compras com predominância de marcas, um potencial de poupança anual de cerca de 506 euros.
Face a vários milhares de euros, este valor pode parecer modesto, mas continua a ter peso: 500 euros equivalem, por exemplo, a um smartphone de gama média, a um passe anual de transportes públicos em muitas cidades ou a várias idas à bomba de combustível.
Como aplicar estas conclusões ao espaço de língua alemã
Apesar de o estudo ter sido feito em Itália, é possível identificar paralelos claros com a Alemanha, a Áustria e a Suíça. A lógica é a mesma:
- Os discount compensam sobretudo quando o preço e a qualidade base são a prioridade.
- As marcas próprias de grandes cadeias podem ficar muito abaixo das marcas, sem perdas graves de qualidade.
- Quem se mantém fiel a determinadas marcas tem menos margem de manobra, mas ainda pode poupar escolhendo bem a cadeia.
Também neste contexto, Aldi, Lidl, Penny ou, na Áustria, o Hofer seguem um modelo semelhante ao da Eurospin ou da In’s Mercato. Já Rewe, Edeka, Coop ou Migros apostam em portefólios fortes de marcas próprias, cada vez mais trabalhados e promovidos de forma profissional.
Estratégias concretas para pagar menos na caixa
Do estudo retiram-se algumas regras práticas para o dia a dia, aplicáveis independentemente do país onde se faz compras:
- Analisar o cesto: perceber com honestidade a percentagem de marcas, marcas próprias e linhas mais económicas.
- Testar um supermercado alternativo: uma vez por mês, fazer a compra inteira noutro sítio e comparar talões.
- Experimentar marcas próprias: começar por produtos não perecíveis, como massa, arroz, leite e conservas.
- Comparar preços por kg/litro: não olhar apenas para o tamanho da embalagem; verificar o preço unitário.
- Aproveitar promoções só quando fizer sentido: descontos em marcas podem ser uma alavanca real para quem prefere marcas.
"Quem sabe que tipo de comprador é consegue escolher o supermercado certo de forma consciente - em vez de o fazer por hábito."
Porque as escolhas conscientes se tornam mais importantes
Com rendas, energia e seguros a subir, muitas famílias vêem o orçamento apertar. A alimentação é uma das poucas rubricas em que os consumidores podem decidir com regularidade quanto querem pagar - pelo menos dentro de certos limites.
Análises de preços como a da Altroconsumo oferecem a base de dados para isso. Mostram, preto no branco, que não é apenas a escolha do produto que pesa no orçamento anual, mas também a escolha da cadeia. Para quem já gosta de comparar preços, os números validam essa prática. Para quem até aqui “apenas ia às compras”, ficam como um impulso concreto para repensar hábitos.
Marca, marca própria, linha económica - o que está por trás?
Muitos equívocos nascem da pergunta: afinal, as diferenças de qualidade são assim tão grandes? As marcas gastam muito em marketing, embalagem e imagem. As marcas próprias e as linhas económicas cortam parte desses custos. Em muitos casos, os artigos saem das mesmas unidades de produção e, por vezes, até dos mesmos fabricantes.
As diferenças mais visíveis tendem a surgir noutros aspectos: serviço, gestão de reclamações ou benefícios adicionais do retalhista. Quem valoriza aconselhamento, balcões de frescos, grande variedade ou encomendas online aceita, muitas vezes, preços mais altos. Quem quer sobretudo poupar coloca esses factores em segundo plano.
No fim, cada família decide onde quer pôr o foco. Ainda assim, a análise mais recente em Itália deixa uma mensagem inequívoca: quem estiver disposto a ser flexível na escolha do supermercado e a ajustar o próprio comportamento de compra pode transformar a lista mensal num instrumento de poupança eficaz - sem deixar de ter refeições completas na mesa.
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