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Como escolher o supermercado certo pode poupar até 3.700 euros por ano, segundo a Altroconsumo

Jovem num supermercado comparando dois pacotes de produtos enquanto empurra um carrinho de compras.

Quem faz sempre compras no mesmo supermercado tende a guiar-se pela intuição, pela rotina ou por recomendações de amigos. No entanto, dados recentes de Itália mostram algo muito concreto: só mudar de cadeia pode aliviar o orçamento anual em vários milhares de euros. E a lógica por trás destes resultados é, em grande medida, aplicável ao contexto alemão.

Porque é que escolher o supermercado certo hoje vale dinheiro a sério

Com os preços dos alimentos a subir, muitas famílias chegam ao fim do mês com pouca margem. Nesse cenário, ganha peso uma pergunta que antes passava quase despercebida: afinal, em que loja é que o cabaz completo fica realmente mais barato - e não apenas um ou outro produto em promoção?

Em Itália, a organização de consumidores Altroconsumo realizou uma análise nacional de preços. Comparou milhares de produtos em supermercados, hipermercados e discounters. A conclusão é clara: o local onde se faz, por defeito, a compra do dia a dia tem um impacto enorme no total anual.

"Dependendo da cadeia, uma família de quatro pessoas pode, segundo a análise, poupar até 3.700 euros por ano - apenas por escolher o supermercado certo."

Isto torna evidente que já não basta um estabelecimento “parecer aceitável”. Por trás da política de preços existem estratégias que, somadas ao longo de um ano, fazem uma diferença muito significativa.

Eurospin lidera em Itália - o que explica este resultado?

No topo do estudo aparece a cadeia discount Eurospin. De acordo com a avaliação, quem compra ali de forma consistente e escolhe sempre os produtos mais baratos consegue poupar até 3.700 euros por ano face à média nacional - cálculo feito para uma família de quatro pessoas.

A lógica aproxima-se muito do que se conhece em modelos discount na Alemanha: poucas marcas de referência, muitas marcas próprias, lojas mais simples e um foco agressivo no preço. Se, além disso, o consumidor mantiver a disciplina de optar pela alternativa mais barata na prateleira, o custo médio fica claramente abaixo do praticado num supermercado de sortido completo.

  • Discount sem concessões: menos marcas conhecidas e um portefólio forte de marcas próprias.
  • Estratégia de preço transparente: produtos de entrada muito baratos em quase todas as categorias.
  • Menos extras: área de loja reduzida, exposição simples e sem serviços excessivos.

Ainda assim, para maximizar a poupança, é essencial olhar com honestidade para os próprios hábitos. Um Eurospin - ou um discount comparável - só gera o efeito máximo quando se evita cair na compra por inércia de marcas mais caras, mesmo quando a marca própria mais barata está logo ao lado.

Quando a marca própria pesa: vantagem do Carrefour

Num segundo cenário, a Altroconsumo analisou qual a cadeia mais vantajosa para quem aposta sobretudo nas marcas próprias do retalhista. Aqui, o primeiro lugar é do Carrefour. Quem escolher sistematicamente os produtos com o logótipo da cadeia pode, segundo o estudo, poupar até cerca de 3.308 euros por ano.

As marcas próprias são um pilar estratégico para os supermercados: em regra, custam bastante menos do que as marcas conhecidas, mantendo uma qualidade semelhante. Ao mesmo tempo, reforçam a fidelização, porque ligam o consumidor a uma cadeia específica.

"Quem estiver disposto a ignorar os logótipos das marcas na prateleira costuma encontrar, nas cadeias com marcas próprias fortes, a maior alavanca para poupar."

Para os consumidores na Alemanha, isto traduz-se numa ideia prática: vale a pena comparar de forma crítica as marcas próprias da Rewe, Edeka, Aldi, Lidl & Co. Muitas diferenças de preço passam despercebidas no dia a dia, mas, ao fim do ano, podem ter um impacto enorme.

Os “compradores mistos” e a vantagem do discount

A maioria das pessoas enche o carrinho com uma combinação variada: ora marcas conhecidas, ora marcas próprias, ora a opção mais barata possível. A Altroconsumo também testou este comportamento. O resultado: para quem compra de forma mista, em Itália os discounters tendem a ser, no total, a melhor escolha.

A cadeia que surge na frente é a In’s Mercato. Beneficia do facto de oferecer tanto produtos base muito baratos como artigos um pouco mais “premium”, sem elevar o nível de preços de forma generalizada.

Levando a ideia para a Alemanha: quem faz compras com regularidade num supermercado clássico pode desbloquear uma poupança surpreendente ao transferir alguns abastecimentos semanais, de forma consistente, para um discount.

Abordagens típicas de poupança para “compradores mistos”

  • Comprar quase sempre no discount os bens essenciais (massa, arroz, farinha, açúcar, óleo).
  • Comparar frescos (legumes, fruta, carne) e aproveitar onde o folheto semanal estiver mais barato.
  • Levar produtos de marca apenas quando houver uma promoção realmente forte.
  • Escolher bens para a casa, detergentes e artigos de drogaria com base em campanhas e baixas de preço.

Fãs de marcas poupam menos - mas ainda podem ganhar margem

Há consumidores que, mesmo com preços elevados, não querem abdicar de marcas conhecidas. Para esse perfil, a Altroconsumo calculou um cenário adicional. Quem compra quase exclusivamente produtos de marca pode, ainda assim, poupar cerca de 506 euros por ano em determinadas cadeias.

Nesta comparação, Famila, Ipercoop e Esselunga destacam-se. Estes retalhistas apresentam preços médios de marca mais baixos do que muitos concorrentes - mesmo que a diferença, naturalmente, seja bem menor do que num cabaz orientado para o discount.

"Mesmo os mais fiéis às marcas conseguem poupar algumas centenas de euros por ano ao escolher a cadeia certa."

A mensagem é simples: mesmo sem abdicar de preferências por marca, o local onde se compra continua a ser uma alavanca relevante. Trocar um supermercado de sortido completo mais caro por outro mais competitivo permite, pelo menos, capturar parte do potencial de poupança.

Do que depende, na prática, a poupança real

A análise italiana mostra com bastante nitidez que não existe “o” supermercado perfeito para toda a gente. O potencial de poupança varia muito consoante o tipo de produtos que acabam no carrinho.

Tipo de compra Estratégia ideal segundo a análise Poupança possível
Famílias focadas no preço Compras consistentes no discount, escolhendo os produtos mais baratos Até cerca de 3.700 euros por ano
Fãs de marcas próprias Preferir um supermercado com marcas próprias fortes (por exemplo, Carrefour) Mais de 3.000 euros por ano
Compradores mistos Comprar sobretudo no discount, usando marcas apenas de forma selectiva Poupança clara, mas variável
Amantes de marcas Optar por supermercados de sortido completo mais competitivos (por exemplo, Famila, Ipercoop) Cerca de 500 euros por ano

Fica claro que não é o preço de uma promoção isolada que decide o total, mas sim a combinação entre onde se compra e o que se escolhe. Quem percorre os corredores sem plano acaba por pagar mais - até num supermercado com fama de barato.

O que os agregados na Alemanha podem aprender com estes dados

Apesar de a análise ter sido feita em Itália, muitas conclusões podem ser transpostas para a Alemanha. A estrutura do retalho alimentar é semelhante: discounters, grandes supermercados com muitas marcas próprias e superfícies de sortido completo que se destacam, sobretudo, no universo das marcas.

No quotidiano, isto significa:

  • Questionar o “supermercado de sempre” e testar, pelo menos, uma alternativa.
  • Guardar todos os talões durante um mês e analisar que categorias pesam mais.
  • Experimentar alternativas mais baratas dentro da mesma categoria (por exemplo, marca própria em vez de marca premium).
  • Planear compras grandes para um dia fixo, em vez de repetir pequenas compras por impulso.

Quando isto é aplicado com consistência, é comum notar em poucas semanas que o débito mensal na conta diminui, sem que o carrinho pareça mais vazio ou “mais pobre”.

Porque “comprar com consciência” rende mais do que o próximo truque de poupança

Os números de Itália mostram a força das decisões informadas. Não chega olhar para meia dúzia de etiquetas amarelas de desconto. Quem define a própria estratégia junta várias dimensões:

  • Escolha da cadeia (discount, supermercado, hipermercados)
  • Marcas vs. marcas próprias
  • Planeamento das compras em vez de compras por impulso
  • Comparação de preços na região onde se vive

Para muitos agregados, é esta combinação que determina se, no fim do mês, ainda há folga - ou não. Quem compra com regularidade para crianças, parceiro(a) ou familiares dependentes sente estes efeitos de forma particularmente marcada.

A longo prazo, compensa fazer um pequeno “teste pessoal”: experimentar três a quatro cadeias diferentes, apontar preços de produtos típicos, comparar e decidir de forma consciente. O esforço é limitado, e o ganho potencial pode chegar aos quatro dígitos por ano.

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