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Carregamento sem fios nos smartphones consome muito mais energia do que USB‑C

Smartphone a ser carregado sem fios numa base de carregamento sobre uma secretária de madeira.

O carregamento sem fios de smartphones é cómodo, porque basta encostar a traseira do aparelho ao carregador em vez de ligar um cabo. No dia a dia, isto simplifica muito - mas não é a opção ideal para quem tem pressa, já que o carregamento sem fios costuma ser mais lento do que a alternativa com cabo no mesmo dispositivo. E há ainda outro ponto a considerar, sobretudo para quem se preocupa com o ambiente: as perdas de energia.

Independentemente da forma como carrega o smartphone, a bateria nunca recebe 100% da energia que sai da tomada. Há sempre desperdício no processo. Ainda assim, essas perdas tendem a ser mais elevadas quando se usa um carregador sem fios.

Como funciona o carregamento por indução electromagnética

Segundo explica a fabricante de acessórios Anker numa publicação no seu blogue, a menor eficiência está ligada ao próprio princípio do carregamento por indução electromagnética. No carregador, a energia elétrica é convertida em energia magnética.

Depois, essa energia magnética é transferida para o smartphone, que a volta a transformar em energia elétrica para carregar a bateria. E, infelizmente, ao longo destas conversões há perdas adicionais quando comparadas com um carregamento simples por USB‑C.

Perdas de energia no carregamento sem fios

Não é fácil apontar um número único para o desperdício energético do carregamento sem fios, porque o resultado varia consoante o smartphone, o carregador e até o alinhamento entre os dois. Mesmo assim, a Anker indica que “a taxa de eficiência dos carregadores por indução situa-se geralmente entre 70% e 80%, embora alguns modelos mais recentes apresentem rendimentos próximos de 90% em condições ideais.”

Em 2020, a OneZero e a iFixit também testaram o carregamento sem fios do Google Pixel 4 com vários modelos de carregadores. Na altura, concluíram que, em média, o carregamento sem fios consome mais 47% de energia do que o carregamento por cabo. Esta diferença, apesar de relevante, pode não se traduzir num impacto expressivo na fatura da eletricidade. Ainda assim, Kyle Wiens, CEO da iFixit, sublinhava: “Se, de repente, os mais de 3 mil milhões de smartphones atualmente em utilização passassem a consumir mais 50% de energia para carregar, isso representaria uma quantidade considerável. Trata-se, portanto, de um problema que diz respeito a toda a sociedade e não apenas aos indivíduos.”

O impacto em escala global

A iFixit calculou ainda que, com 100% de eficiência (algo impossível), seria preciso o equivalente a 73 centrais a carvão a funcionar durante um dia para recarregar 3,5 mil milhões de baterias de smartphones. E se, de repente, toda a gente adoptasse o carregamento sem fios com 50% de eficiência, esse número de centrais necessárias teria de duplicar.

Uma atitude responsável

O objetivo não é dissuadir ninguém de usar o carregamento sem fios, que tem vantagens claras. Ainda assim, estes dados ajudam a perceber o que está em causa e podem levá-lo a repensar alguns hábitos.

A boa notícia é que, se carregar um iPhone com a tecnologia MagSafe ou um Android com carregamento Qi2 (que usa fixação por ímanes), já está a reduzir de forma significativa as perdas. A ligação magnética entre a traseira do smartphone e o carregador sem fios facilita um alinhamento mais correto e, por isso, um carregamento mais eficiente.

Uma série de testes feita pela iFixit em 2024 mostrou que, mesmo quando é ineficiente, o carregamento sem fios pode variar muito no grau de desperdício. “Os carregadores Qi2 e MagSafe oferecem claramente a melhor eficiência, enquanto os carregadores Qi de primeira geração e os produtos mal concebidos podem consumir mais do dobro da energia do que um sistema de carregamento com fio”, escreveu a empresa.

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