Parece uma boa ideia - mas, para os animais, é muitas vezes uma sentença de morte.
Quando o tempo aquece, arejamos mais vezes - e, de repente, lá está outra vez uma aranha na banheira, na parede da sala ou no corredor. Quem sente repulsa pega rapidamente num copo e num pedaço de papel, apanha o animal e leva-o até à rua. A intenção é simples: mais vale soltá-la com cuidado do que esmagá-la. Só que este gesto bem-intencionado é, na maioria dos casos, a pior opção para aranhas domésticas típicas - e, pelo caminho, ainda nos retira uma ajuda discreta contra insectos incómodos.
As aranhas domésticas estão adaptadas à casa, não ao jardim
As aranhas que vivem de forma permanente dentro de habitações tiram partido de um habitat muito específico. Beneficiam de:
- temperatura relativamente estável, sem oscilações extremas
- muitos esconderijos em fendas, atrás de móveis ou em condutas
- recantos secos e sem correntes de ar para fazer teias
- um abastecimento constante de pequenas presas
Muitas pessoas assumem que qualquer aranha se sente automaticamente melhor no exterior. Isso pode ser verdade para aranhas de jardim, que montam as teias em arbustos, vedações ou guardas de varanda. As aranhas domésticas, pelo contrário, ajustaram-se ao ambiente protegido do interior. Preferem a tranquilidade de uma cave, de uma arrecadação ou de um corredor - não o vento no meio do mato.
Quando uma destas aranhas de interior é simplesmente largada na relva, fica, literalmente, fora do seu mundo. Lá fora esperam-na chuva, mudanças bruscas de temperatura, pouca cobertura e muito mais predadores. Para um animal que não está habituado a isto, a probabilidade de morrer é muito elevada.
"O caminho bem pensado ‘para fora’ não é, para muitas aranhas domésticas, uma salvação - mas uma queda dura num ambiente estranho."
Porque é que pôr uma aranha na rua é tão arriscado
Quem leva uma aranha até à porta de casa costuma imaginar que ela se afasta calmamente e encontra um novo território. Na prática, a realidade é outra.
Desorientada em terreno desconhecido
No interior, a aranha conhece o seu espaço: onde está a teia, que canto oferece abrigo, que zonas são melhores para caçar. Desloca-se por percursos familiares. No exterior, passa subitamente a estar sobre uma placa de pedra fria, na relva molhada ou numa parede lisa - sem qualquer pista sobre onde existe um esconderijo seguro.
Tem de encontrar um novo refúgio em muito pouco tempo, sem conhecer o local. Isso aumenta o stress e o gasto de energia, ao mesmo tempo que cresce o risco de ela própria virar presa.
Clima, temperatura e falta de protecção
Mesmo que durante o dia esteja ameno, as noites de primavera continuam muitas vezes frias e os aguaceiros surgem depressa. Uma aranha doméstica, habituada a condições secas e a temperaturas relativamente constantes, depara-se com:
- frio repentino durante a noite
- humidade causada por chuva ou orvalho
- quase nenhumas fendas ou rachas como esconderijo imediato
No verão, o problema inverte-se: em varandas ou paredes exteriores, o calor acumula-se, as superfícies ficam mesmo muito quentes. Nesse cenário, as aranhas podem desidratar em pouco tempo.
Mais inimigos, mais stress, mais lesões
No exterior há aves, insectos maiores, lagartos ou formigas - e muitos deles alimentam-se de aranhas. Dentro de casa, o animal enfrenta bem menos predadores. E o próprio transporte já pode ser crítico para muitas aranhas: pressa, sacudidelas, esmagamento debaixo do copo ou pânico podem facilmente provocar ferimentos, perda de patas ou danos internos.
"Aquilo que, para as pessoas, parece um ‘passeio’ suave, significa para muitas aranhas domésticas um efeito dominó perigoso de stress, risco de lesões e novos inimigos."
As aranhas em casa são mais úteis do que muita gente pensa
As aranhas não são intrusas em casa com más intenções. São caçadoras silenciosas que vivem de um problema que quase toda a gente conhece: insectos irritantes.
Controlo gratuito de pragas, sem químicos
Entre as presas típicas das aranhas domésticas contam-se, por exemplo:
- mosquitos e melgas
- moscas pequenas e moscas-da-fruta
- larvas de mosquito acabadas de eclodir
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