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Satélite SMILE da ESA vai observar o confronto entre ventos solares e o escudo magnético da Terra

Cientista com bata branca a trabalhar num computador, com modelo espacial e representação do sol e da Terra ao fundo.

Com o satélite SMILE da Agência Espacial Europeia (ESA), cujo lançamento está agendado para terça-feira, será possível acompanhar, pela primeira vez, o confronto entre os ventos solares e o escudo magnético da Terra.

SMILE - acrónimo de Explorador da Ligação entre Vento Solar, Magnetosfera e Ionosfera - é uma missão concebida e preparada em parceria com a Academia Chinesa das Ciências (ACS).

Missão SMILE: o que a ESA pretende compreender

"O que queremos estudar com o SMILE é a relação entre a Terra e o Sol", explica Philippe Escoubet, cientista do projeto na ESA.

Os ventos solares resultam de ejeções de massa coronal (CME, na sigla em inglês) que têm lugar à superfície do Sol. Estas ejeções de plasma geram fluxos de partículas que viajam em direção à Terra a velocidades que podem chegar aos dois milhões de quilómetros por hora.

Ventos solares e escudo magnético da Terra: o que será observado

Quando estes fluxos encontram o campo magnético terrestre - que atua como um escudo - são, na sua maioria, desviados. Ainda assim, se os ventos forem muito fortes, partículas carregadas conseguem entrar na atmosfera e, ao interagirem com partículas atmosféricas, desencadeiam o fenómeno bem conhecido das auroras boreais.

Ao registar a radiação X libertada quando partículas carregadas do vento solar interagem com partículas neutras da alta atmosfera da Terra, os investigadores poderão, pela primeira vez e a partir do espaço, analisar o escudo protetor do planeta.

Com o SMILE, essa observação será feita a partir de dois pontos particularmente favoráveis: a magnetopausa - a zona onde o campo magnético desvia os ventos solares - e os cornetos polares, por cima dos polos, onde se conseguem ver os fotões de raios X, explica Dimitra Koutroumpa, investigadora do LATMOS, o laboratório de Observações Espaciais da Atmosfera do CNRS.

Quando os ventos solares atingem grande intensidade, podem originar tempestades solares e constituir um risco para satélites e outros equipamentos em órbita, como a Estação Espacial Internacional (ISS). Estes episódios também perturbam os sistemas de telecomunicações.

Por isso, aperfeiçoar os modelos que sustentam esta meteorologia espacial é um desafio crucial do ponto de vista da segurança destas infraestruturas, além de ser um objetivo científico de elevada relevância.

Lançamento e órbita elíptica do SMILE

Na terça-feira, às 5.52 horas de Paris (4.52 horas em Portugal continental), o satélite descolará do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo do Vega-C, o lançador ligeiro da ESA. Embora estivesse inicialmente marcado para 9 de abril, o lançamento acabou por ser adiado devido a motivos técnicos.

Após a partida, o satélite será primeiro colocado a 700 quilómetros de altitude e, depois, seguirá pelos seus próprios meios até atingir uma órbita elíptica em torno da Terra.

Assim, passará sobre o polo Sul a apenas cinco mil quilómetros de altitude - para permitir a transmissão dos dados recolhidos para a base O'Higgins, na Antártida -, mas chegará aos 121 mil quilómetros acima do polo Norte, o que lhe dará uma perspetiva global.

Esta órbita elíptica permitirá aos investigadores observar "regiões importantes do espaço próximo da Terra durante mais de 40 horas consecutivas", refere a ESA.

Instrumentos a bordo e partilha de dados

O satélite leva quatro instrumentos: um dispositivo de imagiologia de raios X (produzido em Leicester, no Reino Unido), além de um dispositivo de imagiologia UV, um analisador de iões e um magnetómetro, desenvolvidos pela Academia Chinesa das Ciências.

Todos os dados serão partilhados e ficarão disponíveis tanto para os investigadores da ESA como para os da Academia Chinesa das Ciências.

O SMILE conseguirá recolher os primeiros dados apenas uma hora depois de entrar em órbita. A missão deverá operar durante três anos e meio, com possibilidade de renovação por mais um período.

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