Pelo menos dez portugueses foram eleitos nas eleições autárquicas britânicas realizadas na quinta-feira, entre os quais Hedson Farinha de Castro, que contrariou a tendência nacional de recuo e garantiu um mandato pelo Partido Trabalhista.
Hedson Farinha de Castro eleito em Yeading (Hillingdon)
Farinha de Castro, professor de crianças com necessidades especiais, conseguiu a primeira eleição na zona de Yeading, no município de Hillingdon, um subúrbio situado a oeste de Londres.
"Foi difícil devido ao que tem acontecido aqui em Inglaterra, porque há vários grupos políticos nesse momento, como o Reform UK e o Partido Verde, que são partidos que estão a ter muita força nesse momento e a população encontra-se muito dividida", afirmou Hedson Farinha de Castro à agência Lusa.
O eleito, de 45 anos e natural de Luanda, descreveu uma campanha particularmente exigente no terreno: "Foi muito difícil sair pelas ruas, tentar fazer a campanha, porque houve lugares onde não fui bem recebido, lugares onde as pessoas me receberam muito mal. E houve lugares onde fui ameaçado e tudo. Foi uma campanha muito difícil".
Sobre as prioridades, disse querer colocar a sua vivência pessoal e a sua experiência profissional ao serviço da comunidade, com foco especial na prevenção da criminalidade entre os mais novos.
"Eu sempre acreditei que dentro de mim tinha um dom de poder ajudar as pessoas, de comunicar com jovens pela experiência que eu tenho com crianças especiais e também dar ajuda às mães e pais que muito precisam de ajuda com os filhos", explicou.
Pelo menos dez portugueses ou lusodescendentes conquistam lugares
Uma análise da Lusa aos resultados divulgados aponta que, no mínimo, dez candidatos portugueses ou lusodescendentes foram eleitos por diferentes forças políticas, sobretudo na região de Londres.
Pelos trabalhistas, Diogo Costa, Lucia das Neves e Tiago Corais renovaram mandatos em Lambeth, Haringey e Oxford, respetivamente. Já Isabel Araújo, em Sutton, e Nick da Costa, em Haringey, foram reconduzidos pelos Liberais Democratas.
Também pelos Liberais Democratas, a estreante Sandra Mano soube da eleição em Watford no próprio dia de aniversário. Elmedina Baptista-Mendes, enfermeira, conquistou pela primeira vez um lugar em Islington, desta vez pelos Verdes.
Pelo Partido Conservador, Floyd Anjoe Dias do Rosario, em Brent, e Salvador Antonio Jose Pereira, em Hounslow - ambos de origem goesa - foram igualmente eleitos.
No total, foram mais de duas dezenas os portugueses ou lusodescendentes que se apresentaram a votos nas autárquicas de quinta-feira em Inglaterra.
Resultados gerais em Inglaterra, Escócia e País de Gales
De acordo com os resultados divulgados por 131 das 136 autarquias que foram a votos, o grande vencedor foi o Partido Reformista, que assegurou 1444 lugares, num universo de cerca de cinco mil em disputa.
O Partido Trabalhista elegeu 999 representantes, mas perdeu 1408 eleitos locais. O Partido Conservador conseguiu 773, registando uma perda de 557. Os Verdes mais do que duplicaram o número de eleitos, chegando aos 516, e os Liberais Democratas também avançaram, atingindo 836.
A fraca prestação trabalhista nas autárquicas teve paralelo nas eleições regionais, igualmente realizadas na quinta-feira, para os parlamentos autónomos da Escócia e do País de Gales.
Na Escócia, o Partido Nacional Escocês, no poder desde 2007, obteve o maior número de lugares (58), embora sem maioria absoluta.
O "Trabalhista" e o "Reform UK" terminaram empatados, com 17 lugares num total de 129, à frente dos Verdes (15), Conservadores (12) e Liberais Democratas (10).
No País de Gales, o partido do primeiro-ministro Keir Starmer sofreu uma derrota eleitoral histórica ao perder, pela primeira vez, a maioria no parlamento autónomo galês desde a criação, em 1999, descendo para o terceiro lugar. A primeira posição foi ocupada pelo nacionalista Plaid Cymru, seguido do Partido Reformista.
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