As informações disponíveis continuam a ser limitadas, mas os indícios apontam todos na mesma direcção: a Tesla poderá estar a trabalhar num novo modelo de entrada na sua gama. A proposta passaria por um SUV elétrico mais pequeno e mais económico, posicionado abaixo dos Tesla Model 3 e Model Y.
A narrativa soa a algo “já visto”. Há cerca de ano e meio foi noticiado que o chamado Model 2 - o aguardado modelo de acesso da Tesla com preço de 25 mil dólares - tinha sido cancelado. Na altura, o fabricante norte-americano terá optado por redireccionar recursos para projectos como táxis-robôs, caso do Cybercab, e para o robô Optimus.
Agora, segundo a Reuters, a hipótese de um automóvel mais acessível e de maior volume volta a ganhar tracção.
O novo SUV compacto elétrico da Tesla
A Reuters refere quatro fontes internas que descrevem um veículo inédito, sem relação directa com o Model 3 ou com o Model Y. O formato escolhido será o de um SUV compacto, com aproximadamente 4,3 m de comprimento - cerca de meio metro menos do que o Model Y.
Mais pequeno, mais leve e mais barato
Para chegar a um preço mais baixo e competitivo - num contexto em que a concorrência, sobretudo a chinesa, tem subido claramente o nível - a redução de custos teria de acontecer em várias frentes. Entre as medidas apontadas está a utilização de uma bateria de menor capacidade (normalmente o componente mais caro num 100% elétrico) e a adopção de apenas um motor elétrico.
Ainda assim, a ambição mantém-se elevada: uma das fontes citadas indicou um objectivo de peso a rondar os 1500 kg, ou seja, praticamente 500 kg abaixo do Model Y e pouco acima de utilitários como o Renault 5.
Produção em Xangai e possível expansão
As mesmas fontes acrescentaram que a produção deste SUV compacto da Tesla deverá arrancar na fábrica de Xangai, na China, existindo intenção de alargar mais tarde aos Estados Unidos e à Europa. Contudo, é cedo para validar todos estes detalhes: o projecto estaria numa fase inicial e a Reuters afirma não ter conseguido perceber se o novo modelo já recebeu (ou não) luz verde.
Razões por detrás desta decisão
As decisões mais recentes da Tesla pareciam mostrar uma vontade de se afastar da venda tradicional de automóveis, apostando antes em tecnologias e serviços - incluindo o negócio de táxis-robôs e o desenvolvimento de robôs humanóides. O Cybercab encontra-se agora a iniciar a produção, enquanto o Optimus deverá começar a ser produzido nas linhas onde antes eram fabricados os Model S e Model X. E há ainda o camião Semi, cuja produção em massa deverá arrancar (finalmente) este ano.
O eventual desenvolvimento de um novo automóvel “para as massas” sugere um reconhecimento de que muitos mercados continuam longe de aceitar - ou de regulamentar - veículos totalmente autónomos. Nesse cenário, e caso este SUV compacto avance, a Tesla poderá vir a preparar duas versões: uma totalmente autónoma, ao estilo do Cybercab, e outra destinada a ser conduzida, com volante e pedais, para os mercados que assim o exijam.
Vendas, capacidade industrial e metas até 2030
Além disso, apesar de as vendas da Tesla já terem atravessado fases mais fortes, a produção e comercialização de automóveis continua a ser, de longe, o seu principal negócio em termos de receitas. Mesmo que o objectivo final seja concentrar-se apenas em veículos autónomos e robôs, essa transição pode não ser tão linear - nem tão rápida - quanto o desejado, à semelhança do que tem acontecido com a electrificação.
A chegada de um novo modelo pode ajudar a dinamizar as vendas do construtor, a garantir uma utilização mais saudável e viável das fábricas - a unidade alemã estará a operar apenas a 40% da sua capacidade - e a aproximar a marca da meta de entregar três milhões de veículos por ano até 2030. Em 2025, ficou-se pelas 1,64 milhões de unidades.
Trata-se de uma meta que não foi avançada pela Tesla, mas sim por várias consultoras que a empresa optou por divulgar, alimentando os rumores de que poderão surgir novos modelos no horizonte.
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