A Geely está a preparar-se para entrar em Portugal com três propostas, mas é bem provável que o modelo com maior peso comercial seja precisamente o último a aterrar no nosso mercado. O seu nome será Geely E2, um elétrico compacto que chegou à China há 14 meses e que aí se transformou rapidamente num fenómeno de vendas.
O currículo comercial já é, aliás, difícil de ignorar. Em 2025, foi o automóvel elétrico mais vendido na China e o segundo mais vendido no mundo, ocupando também a liderança global entre os compactos elétricos.
Ainda não existe um calendário definitivo para a estreia em Portugal, mas a previsão aponta para 2027. Quando isso acontecer, o E2 deverá funcionar como porta de entrada para a marca no nosso país e, tudo indica, será o modelo chamado a assegurar o volume da Geely por cá.
Antes desse lançamento, chegam dois SUV: já a partir de maio, o Geely E5, um SUV 100% elétrico com autonomia até 430 km, e mais tarde o Geely Starray EM-i, um SUV híbrido plug-in com autonomia combinada (combustão e elétrico) de 1055 km.
O elétrico que conquistou a China
Em Portugal, a designação deverá ser Geely E2, nome que a marca já utiliza nalguns mercados internacionais. No entanto, na China este mesmo modelo é vendido como Geely Xingyuan. Em certos países aparece ainda como Geely EX2, embora a base seja a mesma: um utilitário elétrico de cinco portas, inserido no segmento B, com dimensões contidas, uma política de preço agressiva e uma abordagem racional pensada para a cidade e para trajetos extra urbanos.
O facto de ter sido o mais vendido do mundo no seu segmento em 2025 ajuda a perceber que não se trata apenas de “mais um” elétrico chinês acessível a caminho da Europa. Este é um produto que já passou por uma prova exigente para qualquer construtor chinês: ganhar no mercado doméstico, onde BYD, Chery, Leapmotor ou SAIC disputam clientes com grande pressão em preço, tecnologia e velocidade de lançamentos.
Em Portugal, o desafio muda de figura. O preço continuará a ter um papel central, mas será igualmente decisivo construir confiança junto dos consumidores. Para isso, a Geely contará com o apoio da Salvador Caetano Auto, que assumirá a importação da marca no mercado nacional.
Dimensões, autonomia e motor
O Geely E2 tem aproximadamente 4,13 m de comprimento, 1,81 m de largura e 1,57 m de altura, assentando numa distância entre eixos de 2,65 m. São medidas típicas de um utilitário do segmento B, mas a largura e a distância entre eixos contribuem para um bom aproveitamento do espaço a bordo - algo que foi possível confirmar após um breve contacto estático e dinâmico na China, em Hangzhou.
A motorização é assegurada por um motor elétrico traseiro com 85 kW (116 cv) e 150 Nm de binário. A marca indica 11,5 segundos na aceleração dos 0 aos 100 km/h e uma velocidade máxima limitada a 130 km/h, números claramente alinhados com uma utilização predominantemente urbana e extra urbana.
A bateria recorre a química LFP, tem 39,4 kWh de capacidade e anuncia até 410 km de autonomia no ciclo chinês CLTC. Em WLTP, este valor deverá divergir e poderá aproximar-se dos 350 km, embora a homologação ainda não esteja concluída.
Por confirmar fica também se esta será exatamente a configuração destinada a Portugal, ou se a Geely irá introduzir ajustes na gama europeia antes da comercialização.
Pequeno por fora, prático por dentro
Apesar de compacto, o Geely E2 aposta na vertente funcional. A marca comunica uma bagageira traseira com 375 litros, que pode chegar aos 1320 litros com o rebatimento dos bancos posteriores. A isto soma-se uma bagageira frontal de 70 litros, um compartimento adicional de 28 litros sob o banco traseiro e ainda 36 espaços de arrumação distribuídos pelo habitáculo.
O E2 poderá igualmente oferecer portão da bagageira elétrico, um item pouco comum em elétricos do segmento B, sobretudo se na Europa vier a confirmar-se como uma das opções mais acessíveis desta categoria.
No interior, o principal destaque vai para o ecrã central de infoentretenimento de 14,6″, acompanhado por instrumentação digital e por várias soluções de arrumação pensadas para o dia a dia.
Preços em Portugal
Para já, não existem valores anunciados para Portugal. Na China, o Geely Xingyuan é proposto por montantes a rondar os 68 800 yuan (cerca de 8600 euros ao câmbio atual), mas este número serve apenas de referência. No nosso mercado, o preço será, inevitavelmente, superior.
Ainda assim, o Geely E2 tem condições para se posicionar entre os elétricos mais baratos do segmento quando chegar. Com estreia apontada para 2027 - depois dos dois primeiros modelos da marca -, será muito provavelmente nessa fase que a Geely terá a melhor oportunidade para ganhar escala em Portugal.
Para uma insígnia ainda pouco conhecida do grande público português, um compacto elétrico bem equipado e com um preço competitivo poderá revelar-se mais determinante do que qualquer outra proposta da gama.
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