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Vendas de automóveis ligeiros em Portugal: julho de 2020 recua 17,8%

Carro elétrico compacto vermelho em exposição numa concessionária moderna com janelas amplas e gráfico na parede.

Em julho de 2020, o mercado automóvel em Portugal mostrou sinais de recuperação relativa: as vendas de automóveis ligeiros caíram apenas 17,8% face a julho de 2019, um resultado bastante menos negativo do que o de junho, quando o mercado tinha recuado 53,7% - a maior contração na Europa nesse mês.

Ainda assim, este desempenho deve ser lido com cautela. A redução limitada a 17,8% em julho de 2020 ficou também ligada ao facto de julho de 2019 já ter sido fraco, com uma descida homóloga de 5,8% face a julho de 2018, o que se traduziu numa diminuição de 7397 unidades quando se comparam as vendas de junho e julho de 2019.

Efeito de base e calendário entre junho e julho

Na passagem de junho para julho de 2020, o volume de matrículas de ligeiros subiu apenas 4315 unidades (das quais 4133 correspondem a viaturas de passageiros). Este crescimento foi condicionado pelo calendário: junho teve menos um dia útil e contou ainda com dois feriados que, na prática, travaram o negócio em Lisboa (dia 13) e no Porto (dia 24). Em resultado, houve menos dias efetivos dedicados à atividade comercial.

2020 2019 Variação 2019 2018 Variação
Junho 13 423 28 971 – 53,7% 28 971 30 429
Julho 17 738 21 574 – 17,8% 21 574 22 909
Expressão numérica 4315 – 7397 – 7397 – 7520

Por outro lado, quando se observam os padrões dos anos anteriores para estes meses, percebe-se que julho tende a ter uma expressão inferior à de junho. Um dos motivos costuma ser a quebra das compras por parte das empresas de aluguer de automóveis, que normalmente até ao final de junho ajustam as suas frotas para responder à procura típica do verão - algo que, em 2020, não se está a verificar.

Marcas em destaque no mercado automóvel em Portugal

No que toca às marcas com melhor desempenho, o cenário mantém-se sem grandes alterações. Em julho, no segmento de passageiros, Renault, Peugeot, Mercedes-Benz, Citroën e BMW surgem nas cinco primeiras posições.

Já nos comerciais, o pódio continua a ser dominado pelas marcas habituais: Peugeot (a única das três que cresce 5,8% no número de registos), Citroën e Renault, com esta última a descer para o lugar mais baixo do pódio.

Os números dos primeiros sete meses do ano

Ao longo de 2020, a redução de dias de atividade comercial - em particular devido ao encerramento da economia associado ao confinamento - somou-se a outros fatores com impacto na economia em geral e, de forma muito direta, no comércio automóvel.

2020 2019 Variação 2019 2018 Variação
Janeiro-junho 76 470 147 610 – 48,2% 147 610 153 866
Janeiro-julho 94 208 169 184 – 44,1% 169 184 176 775
Expressão numérica 17 738 21 574 21 574 22 909

Para lá do quadro comparativo dos últimos três anos apresentado acima (que já evidencia uma descida em 2019), estes são alguns pontos que se podem retirar da leitura do mercado automóvel em Portugal nos primeiros sete meses de 2020, com base nas tabelas compiladas pela ACAP:

  • Até ao final de julho foram matriculadas 94 208 viaturas ligeiras, o que representa uma quebra de 44,3% face às 169 184 registadas no mesmo período de 2019;
  • No período homólogo de 2019, quando comparado com 2018, o mercado português já mostrava sinais de desaceleração, ao cair 4,3%. Até ao final de dezembro desse ano acabaria por recuperar, mas ainda assim terminaria 2% abaixo do total de 2018;
  • Nos ligeiros de mercadorias, a variação negativa (-36,1%) é menos severa do que nos ligeiros de passageiros (-45,6%). Ainda assim, os comerciais ligeiros representam apenas 15% do total de matrículas de automóveis ligeiros;
  • Por marcas, no acumulado de janeiro a julho, Renault, Peugeot, Mercedes-Benz, BMW e Citroën lideram nos passageiros, enquanto nos comerciais - no mesmo intervalo - o pódio é disputado entre Peugeot, Citroën e Renault;
  • O bom desempenho da Citroën nos comerciais permite-lhe passar à frente da BMW no conjunto dos veículos ligeiros;
  • As únicas marcas a baterem os resultados de 2019 são a Porsche e a MAN, sendo que, no caso desta última, tal se deve em grande medida às vendas obtidas com versões de passageiros.

Entre as 20 marcas mais bem classificadas em ligeiros de passageiros, só cinco viram a sua quota de mercado diminuir face ao mesmo período de 2019. Como o mercado encolheu de forma significativa em 2020, as restantes acabaram por ganhar peso relativo, com destaque para duas marcas de gama alta de origem alemã: Mercedes-Benz e BMW.

Posição Marca Quota de mercado em 2020 Quota de mercado em 2019 Variação
Renault 12,21 13,74 – 1,52
Peugeot 10,88 10,55 0,33
Mercedes-Benz 9,55 6,91 2,64
BMW 6,87 5,83 1,04
Citroën 5,93 6,71 – 0,77
Nissan 5,53 4,58 0,96
SEAT 5,01 5,00 0,01
Toyota 4,63 4,22 0,41
Volkswagen 4,54 4,59 – 0,05
10º Ford 4,45 3,99 0,46
11º Fiat 4,24 6,91 – 2,67
12º Opel 3,65 5,35 – 1,70
13º Hyundai 3,63 2,73 0,90
14º Dacia 3,37 2,72 0,65
15º Volvo 2,65 2,25 0,39
16º Kia 2,35 2,31 0,04
17º Audi 1,90 1,61 0,29
18º Mitsubishi 1,30 1,48 – 0,18
19º MINI 1,27 1,14 0,13
20º Tesla 0,90 0,85 0,05

Consulte a Fleet Magazine para mais artigos sobre o mercado automóvel.

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