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Ministério da Defesa do Reino Unido confirma suspensão temporária das operações com os Ajax do Exército Britânico

Veículo blindado militar branco com canhão principal em exibição num museu moderno.

O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou a suspensão temporária de todas as operações que envolvem os veículos de combate de infantaria (VCI) Ajax do Exército Britânico, depois de dezenas de militares terem reportado problemas e lesões durante a instrução e o treino. A medida abrange tanto as viaturas actualmente usadas para formação e instrução de guarnições como as que se encontram na fase final de verificação antes da entrega, representando mais um revés num dos programas de defesa mais complexos e mediáticos do país.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa britânica, a liderança militar determinou a interrupção das actividades com o Ajax após receber relatórios médicos associados a vibrações anómalas e níveis de ruído excessivos, voltando a colocar em evidência preocupações persistentes sobre a segurança e a saúde do pessoal que o veículo se destina a transportar para o combate.

Problemas recorrentes no programa Ajax

A nova suspensão junta-se a uma sequência prolongada de dificuldades que o programa tem enfrentado ao longo de vários anos e que, até recentemente, se acreditava estarem ultrapassadas. Em fases anteriores de testes e avaliação, foram detectados problemas de vibração estrutural que dificultavam a condução e a utilização dos sensores integrados, bem como níveis de ruído no interior acima dos limites considerados aceitáveis para a guarnição.

Também foram assinaladas restrições no funcionamento dos sistemas de armamento e de observação enquanto o Ajax se deslocava. Este conjunto de limitações levou à realização de várias auditorias técnicas e a revisões do contrato com a General Dynamics, a empresa responsável pelo desenvolvimento da família de viaturas Ajax.

Capacidade Operacional Inicial (IOC) em causa

Os acontecimentos mais recentes são particularmente sensíveis porque, no início de Novembro, o Ministério da Defesa do Reino Unido tinha anunciado que o Ajax tinha finalmente alcançado a Capacidade Operacional Inicial (IOC), após anos de atrasos e alterações no desenho da plataforma.

Essa certificação abriu caminho à integração gradual do VCI nas unidades blindadas do Exército Britânico, no âmbito do conceito de Equipa de Combate de Brigada de nova geração. Ainda assim, os incidentes médicos agora reportados levantam dúvidas sobre o estado real do programa, sobre a eficácia das modificações introduzidas e sobre a robustez dos mecanismos de verificação que sustentaram a declaração de IOC.

Falhas técnicas recentes e impactos na guarnição

Novos relatórios técnicos indicam que as viaturas afectadas apresentaram níveis de vibração acima das normas da NATO, sobretudo quando operavam em terreno irregular. As vibrações excessivas transmitiam-se aos assentos e aos comandos, afectando o desempenho e a segurança da guarnição.

Foram igualmente registados níveis elevados de ruído acumulado, com riscos associados à exposição prolongada e com relato de desconforto auditivo por parte dos operadores.

As avaliações apontaram ainda problemas na suspensão e no trem de rolamento, que poderão estar a amplificar a vibração global do veículo. Como consequência, militares referiram sintomas como tonturas, náuseas, zumbidos, dores corporais e desorientação - efeitos compatíveis com conclusões de avaliações anteriores do sistema.

Um programa-chave para a modernização do Exército Britânico

O Ajax é uma peça central do programa de modernização blindada do Exército do Reino Unido, concebido para substituir as envelhecidas viaturas CVR(T) e para integrar as futuras Equipas de Combate de Brigada. O plano prevê a aquisição de 589 viaturas em diferentes configurações, incluindo reconhecimento, comando, apoio, vigilância e recuperação, com entregas programadas até 2030.

No entanto, a nova suspensão reacende questões políticas e técnicas significativas sobre a viabilidade do projecto. Deputados e especialistas têm salientado o aumento de custos do programa - que já ultrapassam £5.5 billion -, a incerteza contínua quanto à fiabilidade do desenho e preocupações com a transparência do processo de certificação que permitiu a atribuição da IOC apesar de falhas conhecidas.

Por fim, o Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou que as viaturas não regressarão ao serviço “until it is fully confirmed that they are safe for their crews,”, o que sugere a possibilidade de novos atrasos e de revisões técnicas adicionais.

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