A Stellantis está a analisar a hipótese de firmar parcerias com construtores chineses, com o objetivo de fortalecer a sua atividade na Europa.
Conversações com Xiaomi e XPeng na Europa
Segundo informações avançadas à Bloomberg por fontes próximas do processo, dirigentes do grupo terão mantido encontros com representantes da Xiaomi e da XPeng para avaliar diferentes modelos de colaboração. Entre os cenários considerados estará a entrada destes parceiros no capital de algumas marcas da Stellantis, sendo a Maserati apontada como um dos nomes em equação.
Em simultâneo, as conversas terão incluído a possibilidade de acesso a capacidade industrial em território europeu - um tema com potencial interesse para os fabricantes chineses, sobretudo num contexto em que enfrentam uma guerra de preços muito intensa no mercado doméstico e procuram acelerar a expansão para a Europa.
Questionada sobre o assunto, a Stellantis limitou-se a dizer que, “como parte da sua atividade normal, mantém negociações com diferentes parceiros da indústria em todo o mundo sobre vários temas, sempre com o objetivo de oferecer aos clientes as melhores opções de mobilidade”. Acrescentou ainda “que não comenta especulações”. Até agora, nem a Xiaomi nem a XPeng responderam aos pedidos de comentário.
Europa sob pressão
A abertura a capital ou cooperação externa surge numa fase particularmente exigente para o negócio europeu da Stellantis. Marcas como a FIAT, Opel e Peugeot estão hoje confrontadas com excesso de capacidade produtiva, forte pressão competitiva e custos elevados associados à transição para a mobilidade elétrica.
Ao mesmo tempo, os construtores chineses continuam a ganhar espaço no mercado europeu, mesmo depois de a União Europeia ter aplicado tarifas de importação a todos os veículos elétricos proveniente da China.
Uma aproximação deste tipo poderá dar à Stellantis acesso a tecnologia mais avançada em áreas como baterias, veículos elétricos e software - campos em que os fabricantes chineses têm vindo a ganhar vantagem nos últimos anos.
Por outro lado, a empresa dispõe de maior margem para cooperar com construtores chineses na Europa, tendo em conta que, a partir de 2027, os EUA vão proibir a importação e venda de automóveis que utilizem software chinês.
Estratégia difere nos EUA
Do lado norte-americano, a abordagem segue noutra direção. Enquanto estuda alternativas para a Europa, a Stellantis continua a canalizar uma fatia significativa do investimento para a América do Norte.
O grupo já comunicou um plano de cerca de 13 mil milhões de dólares - aproximadamente 11,3 mil milhões de euros ao câmbio atual - destinado à renovação das gamas das marcas Jeep, RAM, Chrysler e Dodge, numa aposta pensada para consolidar a presença num dos mercados mais rentáveis do mundo.
De acordo com as mesmas fontes, a liderança da empresa entende que, neste momento, as perspetivas de retorno são mais atrativas nos EUA do que na Europa. Ainda assim, a Stellantis afasta qualquer hipótese de fragmentação do grupo: “A Stellantis afirma da forma mais categórica que não existe qualquer plano para dividir a empresa”, sublinhou.
Para conhecermos mais pormenores sobre o rumo estratégico da empresa, será necessário aguardar por 21 de maio, data em que Antonio Filosa, diretor-executivo, irá apresentar o novo plano estratégico da Stellantis.
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