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Curiosidade em vez de perfeccionismo: a atitude que impulsiona a carreira

Jovem a desenhar num quadro branco, rodeado de notas autocolantes coloridas, com laptop e caderno na secretária.

Anos de universidade, formações caras, certificados: o sucesso profissional parece muitas vezes um resultado directo de conhecimento técnico e experiência. Mas, quando se ouve responsáveis de recrutamento e psicólogos do trabalho, percebe-se depressa que falta uma peça importante. Por trás de quem se destaca no emprego, costuma existir uma postura interior muito específica - e, ao contrário do que muitos pensam, não tem assim tanto a ver com perfeccionismo.

Porque é que o perfeccionismo é sobrevalorizado

Em entrevistas de emprego, muitos candidatos recorrem a um truque conhecido: quando lhes perguntam por pontos fracos, respondem com "Sou demasiado perfeccionista". Soa inofensivo, transmite dedicação - mas, no dia a dia, raramente dá uma verdadeira vantagem.

Na prática, o perfeccionismo tende a travar. Consome tempo, aumenta o stress e faz com que projectos se arrastem sem fim. Quem se perde a polir detalhes pode deixar escapar tendências, oportunidades e o momento em que uma solução “boa o suficiente” já resolve.

"Líderes referem repetidamente: não é o currículo perfeito que decide, mas a atitude com que alguém se aproxima do que é novo."

É precisamente aqui que entra a característica que aparece, uma e outra vez, em estudos, entrevistas a CEOs e relatos de psicólogos: curiosidade intelectual.

A força subestimada da curiosidade no trabalho

Vários psicólogos do trabalho e dirigentes empresariais apontam a curiosidade como o traço comum de colaboradores bem-sucedidos - desde quem está a começar até níveis de liderança. Quem é curioso faz perguntas, experimenta, e não fica preso a padrões já conhecidos.

Curiosidade e criatividade: o estudo por trás

Uma investigação publicada em 2023 na revista científica "Current Psychology" indica que pessoas com maior curiosidade geram mais ideias novas - e conseguem ligá-las melhor entre si. Os investigadores descrevem um princípio extremamente útil no quotidiano profissional: a capacidade de usar uma ideia como trampolim para outras ideias.

Em vez de insistir em aperfeiçoar uma única solução, pessoas curiosas criam alternativas: "Como é que isto também se poderia pensar? Que perspectiva está a faltar?" É assim que surge inovação, mas também melhorias pequenas e contínuas - desde um relatório de Excel mais eficiente até uma abordagem ao cliente mais inteligente.

Resolução de problemas: como a curiosidade leva a melhores decisões

Perante dificuldades, colaboradores curiosos reagem de forma diferente de quem está sobretudo focado em evitar erros. Encara-se cada falha como uma espécie de experiência de laboratório: o que posso aprender com isto? onde pode estar uma oportunidade?

Relatos psicológicos da prática empresarial descrevem, repetidamente, padrões semelhantes. Colaboradores curiosos:

  • analisam um obstáculo com mais profundidade, em vez de escolherem a primeira solução que aparece;
  • pedem contributos a colegas com um ponto de vista diferente;
  • testam pequenas alterações, em vez de esperarem pela grande ideia;
  • decidem com base em mais informação e mais alternativas.

"Quem mantém o hábito de se fazer perguntas não só decide mais depressa, como em muitos casos decide com mais fundamento."

Desta forma, a curiosidade transforma-se num motor interno: obriga a lidar a sério com os entraves - e evita que só se aja quando o problema já escalou.

A curiosidade fortalece relações e comunicação

No dia a dia do escritório, não se trata apenas de números, mas de pessoas. Também aqui a curiosidade tem um efeito positivo. Quem se interessa genuinamente pelos outros pergunta, ouve e retém detalhes.

Isso melhora de forma clara a colaboração:

  • Conversas com chefias tornam-se mais construtivas, porque se pede contexto e razões, em vez de apenas acenar a tudo.
  • As equipas partilham conhecimento com mais abertura quando as perguntas são bem-vindas e ninguém teme as "perguntas estúpidas".
  • Conflitos escalam menos, porque pessoas curiosas tendem a querer perceber por que motivo o outro reage daquela forma.

Quem actua assim transmite envolvimento, vontade de aprender e respeito - atributos que pesam muito em promoções e na atribuição de projectos.

É possível aprender a ser curioso?

A preocupação mais comum é: "Eu simplesmente não sou uma pessoa curiosa." Psicólogos discordam. Para eles, a curiosidade não é um talento fixo, mas uma combinação de inteligência, perseverança e gosto pelo novo. E estas componentes podem ser trabalhadas.

Sete regras simples para se tornar mais curioso

O psicólogo Jonathan Wai reuniu conclusões de vários trabalhos científicos e transformou-as em regras práticas para o quotidiano. É possível aplicá-las no trabalho sem grande esforço:

  • Ler muito - e seguir os próprios interesses: não leia apenas o que é obrigatório da sua área. Escolha temas que o prendam de forma espontânea. Isso treina o interesse por novidade.
  • Beneficiar do pensamento dos outros: procure, de propósito, conversas com colegas que funcionam de outra maneira. Use essas perspectivas como complemento, não como ameaça.
  • Ir a “lojas” cheias de ideias: uma ida a uma livraria ou biblioteca pode ser como passear por mundos mentais desconhecidos. Percorra prateleiras onde normalmente nunca iria.
  • Aceitar "perguntas estúpidas": faça também perguntas que teme que soem básicas. Muitas vezes, mais ninguém as faz - e é daí que nasce a clareza.
  • Encher o “arquivo” de conhecimento: registe factos interessantes, observações ou momentos de insight. Um caderno ou uma app de notas ajuda a detectar padrões.
  • Ser especialista - e mesmo assim manter-se aberto: quem é realmente bom numa área deve, de forma consciente, aventurar-se por temas fora dela. Assim, mantém o olhar flexível.
  • Dar mais espaço a enigmas sem fim definido: em vez de preferir apenas tarefas com resposta certa, dedique-se a perguntas cujo resultado não está fechado, como "Como poderá estar o nosso sector daqui a cinco anos?".

"A curiosidade cresce quando é tratada como um músculo: desafiar com regularidade, sem a sobrecarregar."

Exercícios concretos para o dia a dia de trabalho

Para fixar a curiosidade no emprego, é preciso criar rotinas. Três exercícios simples podem começar já amanhã:

Situação Exercício de curiosidade Efeito
Reunião semanal Antes, escreva uma pergunta que quer fazer durante a reunião. Participação mais activa, melhor compreensão das decisões.
Nova tarefa Desenhe três caminhos alternativos para a resolver. Mais ideias, maior potencial de inovação.
Erro ou contratempo Formule três aprendizagens que retira do que aconteceu. Menos irritação, mais aprendizagem com falhas.

Riscos e limites: quando a curiosidade descarrila

A curiosidade não é uma solução para tudo. Se alguém passa a correr atrás de estímulos novos o tempo inteiro, perde foco. Os projectos ficam a meio porque há sempre um tema “mais interessante” a chamar. Psicólogos do trabalho falam aqui de uma espécie de "frenesia de informação".

Ajuda aplicar um critério simples: a minha curiosidade está ao serviço de um objectivo - ou é apenas distração? Fazer esta pergunta no quotidiano permite filtrar melhor que impulsos trazem, de facto, progresso.

Porque é que a curiosidade é tão valorizada em candidaturas

Recrutadores olham cada vez mais para a vontade de aprender - e não apenas para o que a pessoa já sabe fazer. Muitos sectores mudam mais depressa do que os currículos conseguem acompanhar. Isso favorece quem se dedica, com curiosidade, a dominar temas novos.

Numa entrevista, é possível demonstrar esta postura sem sequer dizer a palavra “curiosidade”. Exemplos concretos têm mais peso:

  • um projecto interno que iniciou por interesse próprio;
  • um curso ou um livro que escolheu por iniciativa sua;
  • uma situação em que evitou um erro por ter feito perguntas.

Quem tem estas histórias prontas comunica: eu continuo a aprender, eu não fico parado. É exactamente isso que muitos empregadores procuram - em diferentes sectores e em todos os níveis hierárquicos.

No fim, torna-se claro: a característica que faz carreiras avançarem não é um dom exclusivo. A curiosidade nasce de pequenas escolhas do dia a dia - fazer perguntas, olhar uma segunda vez, sair um passo do próprio “quadrado”. Quem treina isto com consistência vai acumulando, discreta e silenciosamente, uma vantagem que não aparece em nenhum certificado - mas que no escritório se nota bem.

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