Expansão das Zonas de Acesso Automóvel Condicionado no Porto
O Porto tem-se afirmado como um autêntico laboratório de transformação urbana. A mais recente ampliação das Zonas de Acesso Automóvel Condicionado confirma esse caminho: zonas já estabelecidas, como o Centro Histórico da Ribeira e Santa Catarina, passam agora a abranger as Galerias de Paris, a Fábrica ea Avis, a Livraria Lello e estendem-se até Cedofeita.
Uma estratégia de cidade para gerir pressão e intensidade urbana
Mais do que uma decisão de mobilidade, esta é uma opção de política urbana. Ao restringir a entrada de automóveis a residentes, comerciantes, situações de emergência e serviços públicos, o Porto não se limita a cortar emissões. Está, acima de tudo, a regular a intensidade urbana em áreas sujeitas a forte pressão turística e funcional, procurando devolver equilíbrio, segurança e conforto ao espaço público.
Espaço público, comércio de rua e uma cidade à escala humana
E quando o espaço se transforma, transforma-se também a forma de viver a cidade. A rua volta a ser um lugar de permanência, e não apenas um corredor de passagem. Caminha-se mais, pára-se, encontram-se pessoas. O comércio tradicional ganha novo fôlego, sustentado pela proximidade e pela vida que regressa ao espaço público. A cidade deixa de se fechar em centros comerciais e volta a acontecer ao ar livre, à escala humana.
Mudança de comportamentos e apropriação colectiva
Além disso, esta viragem altera comportamentos. Pede coragem política, mas incentiva uma apropriação colectiva. Quando os cidadãos reconhecem o valor destas medidas, passam a assumi-las como suas. E isso já se nota.
O Porto prova que a mudança é possível. E mostra que essa mudança não só resulta, como é desejada. Talvez por isso, a maior lição esteja na coragem de a pôr em prática. Um exemplo que outras cidades portuguesas, ainda presas ao receio de retirar espaço ao automóvel, não podem continuar a ignorar. Porque, no fim, uma cidade viva é aquela que se vive na rua.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário