O tema tem dominado a conversa pública nos últimos tempos e, ao que tudo indica, o sector dos automóveis não fica de fora. O coronavírus ameaça a indústria automóvel e os seus efeitos podem sentir-se muito para lá das fronteiras da China.
Desde logo, o facto de cerca de 60 milhões de chineses estarem em isolamento no maior mercado automóvel do mundo tem, naturalmente, impacto directo nas vendas.
Citados pela CNN Business, analistas da S&P Global Ratings defendem que “os consumidores tenderão a evitar a compra de carros em stands até o risco de contágio ser mais reduzido”, o que deverá pesar nos números comerciais de grande parte das marcas - sobretudo porque muitas têm encarado a China como uma espécie de “El Dorado”.
Vendas e procura: o coronavírus ameaça a indústria automóvel no mercado chinês
A combinação entre restrições à circulação e cautela dos consumidores está a travar a ida a concessionários e espaços de exposição, o que tende a reflectir-se rapidamente nos volumes de vendas. Num mercado com o peso do chinês, este abrandamento pode alterar o desempenho global de várias marcas.
Produção? Quase imobilizada
Como seria de esperar, se a população é obrigada a permanecer em casa, as fábricas acabam por manter as portas fechadas. De acordo com a S&P Global Ratings, os efeitos do coronavírus na indústria automóvel deverão traduzir-se num corte de 15% na produção automóvel na China durante o primeiro trimestre do ano.
A ameaça do coronavírus à indústria automóvel torna-se ainda mais relevante por o surto ter começado precisamente numa das grandes “cidades do motor” chinesas: Wuhan, que, juntamente com a província de Hubei, representa 9% da produção automóvel chinesa.
Na região, além da General Motors, também a Nissan, a Renault, a Honda e a Peugeot têm unidades industriais, que se encontram encerradas desde o final de janeiro.
A Volkswagen é, entre os construtores, uma das que poderá sair mais penalizada se o surto se prolongar: possui 24 fábricas em território chinês, onde produz tanto automóveis como componentes, o que corresponde a 40% da sua produção. Ainda assim, a marca garante que os planos de entrega aos clientes não sofreram alterações.
Já a Toyota, que tem 15% dos seus modelos produzidos na China e opera ali 12 unidades fabris (quatro dedicadas à produção de automóveis e oito à produção de componentes), contava retomar a actividade a 10 de fevereiro, mas acabou por ser forçada a manter as fábricas fechadas por, pelo menos, mais uma semana.
A produção na Europa também está em risco
Ao contrário do que se poderia supor, não é apenas na China que o coronavírus ameaça a indústria automóvel. Mesmo sem encerramentos de fábricas noutros países, o facto de muitos componentes usados na construção de automóveis serem fabricados na China coloca pressão sobre a produção automóvel em todo o mundo.
A Hyundai já suspendeu a produção na Coreia do Sul, uma vez que o surto afectou o fornecimento de peças. Por sua vez, a Tesla, que compra diversos componentes na China, reconheceu que a produção na ainda recente Gigafactory de Xangai irá sofrer atrasos.
Mike Manley, CEO da FCA, afirmou também que a FIAT poderá ter de interromper a produção dentro de quatro semanas numa das suas fábricas europeias, devido a falhas na cadeia de fornecimento de componentes.
Fornecedores e componentes sob pressão
A indústria de componentes não escapa aos efeitos do coronavírus. A Bosch, que opera várias fábricas na China - duas delas em Wuhan -, já confirmou que estas unidades estão encerradas por determinação governamental. Ainda assim, a empresa admite que poderá retomar a produção nos próximos dias.
Além da Bosch, e segundo a S&P Global Ratings, fornecedores como a Schaeffler, a ZF, a Faurecia e a Valeo têm uma fatia significativa das suas operações na China, o que aumenta o risco de quebras de produção e, consequentemente, de perturbações no fornecimento aos construtores automóveis.
Fontes: CNN Business, BBC, Automotive News Europe
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