Muita gente preocupa-se com pneus de inverno, raspadores de gelo e borrachas das portas, mas acaba por ignorar o sistema de refrigeração. E é precisamente aí que existe um risco que, num caso limite, pode deitar abaixo o valor económico de um carro inteiro: falta de anticongelante, ou anticongelante envelhecido, no líquido de refrigeração. O que parece um pormenor é, no inverno, a diferença entre o motor sobreviver ou ficar inutilizado.
Anticongelante no líquido de refrigeração: líquido discreto, consequências caras
No depósito de expansão, o anticongelante costuma parecer apenas um líquido colorido. Na prática, é uma mistura técnica com uma função crítica. Normalmente é feito à base de etilenoglicol ou propilenoglicol, combinado com água e aditivos.
Esta combinação cumpre três funções essenciais:
- Baixa o ponto de congelação do líquido de refrigeração para muito abaixo de 0 °C.
- Eleva o ponto de ebulição, para evitar que no verão a água entre em ebulição.
- Protege o interior do circuito contra ferrugem e depósitos.
Sem anticongelante, a água pode congelar no bloco do motor, expandir - e rebentar tudo, do radiador à bomba de água e até à cabeça do motor.
Além disso, o líquido de refrigeração também contribui para a lubrificação de componentes móveis, como a bomba de água. Os aditivos formam uma película protetora nas superfícies metálicas e abrandam a corrosão. Quando o produto envelhece, ou quando se completa o nível apenas com água, essa proteção vai-se perdendo gradualmente.
O que a geada no automóvel pode realmente destruir
Quando as temperaturas descem bem abaixo de zero e o sistema tem pouco ou nenhum anticongelante, a água começa a solidificar. O problema está no facto de a água aumentar de volume ao congelar.
Perigo para o bloco do motor e a cabeça do motor
O líquido congelado gera pressões muito elevadas, que acabam por “ceder” nos pontos mais frágeis:
- microfissuras ou ruturas no bloco do motor
- fissuras na cabeça do motor
- tampões de congelação (os chamados tampões do bloco) a perder estanquidade
Um bloco do motor rachado raramente compensa reparar. Nesses casos, as oficinas falam rapidamente em perda total económica, sobretudo em veículos mais antigos.
Radiador, mangueiras e bomba de água como vítimas seguintes
O congelamento do líquido de refrigeração também pode:
- fazer o radiador rebentar,
- rasgar mangueiras,
- bloquear ou danificar a bomba de água.
Mangueiras rebentadas ou um radiador comprometido muitas vezes só dão sinais na viagem seguinte, quando o motor aquece de forma súbita e surge vapor no compartimento do motor.
Um check-up de inverno esquecido por 50 euros pode mais tarde resultar em danos no motor na ordem dos milhares.
Quando o motor “pede ajuda”: sinais de alerta a levar a sério
Um problema de refrigeração ou de anticongelante quase nunca aparece sem avisos. Há indícios típicos que os condutores devem vigiar:
- O indicador de temperatura sobe anormalmente depressa ou entra na zona vermelha.
- A luz de aviso do líquido de refrigeração acende no painel.
- Poças coloridas por baixo do carro - normalmente verdes, amarelas, cor-de-rosa ou azuis.
- Cheiro adocicado no carro ou à volta dele, sobretudo após conduzir.
- Vapor ou “fumo” a sair do compartimento do motor.
Se algum destes sinais surgir, o ideal é não continuar a conduzir e procurar uma oficina. Circular com pouco líquido de refrigeração pode causar sobreaquecimento - mesmo no inverno.
Como os condutores podem verificar o anticongelante por conta própria
Muitas vezes, um olhar rápido debaixo do capô já permite eliminar o risco mais óbvio. Embora muitos condutores não se sintam à vontade, o processo é mais simples do que parece.
Verificação passo a passo
- Deixar o motor arrefecer totalmente, pelo menos 30–60 minutos após a condução.
- Abrir o capô e localizar o depósito de expansão do líquido de refrigeração (geralmente translúcido e com o símbolo de termómetro).
- Confirmar se o nível está entre “min” e “max”.
- Observar a cor do líquido: muito castanho ou turvo é sinal de possível problema.
- Em caso de dúvida, pedir numa oficina ou numa estação de serviço para medir a proteção anticongelante.
Nunca abrir a tampa do depósito do líquido de refrigeração com o motor quente - há risco de queimaduras devido à pressão e ao vapor quente.
Que anticongelante é indicado para cada automóvel?
Os motores atuais são sensíveis a escolhas erradas de líquido de refrigeração. A fase em que “qualquer líquido colorido” servia já ficou para trás.
Três regras base reduzem o risco de erros dispendiosos:
- Seguir as especificações do fabricante: no manual ou no livro de manutenção indica-se a norma que o líquido tem de cumprir.
- Evitar misturas aleatórias: produtos diferentes podem reagir entre si e transformar-se em borra dentro do circuito.
- Diluir apenas com água destilada: a água da torneira introduz calcário e minerais que podem entupir o sistema.
Atualmente, muitas oficinas recorrem a aparelhos de teste que mostram a proteção ao gelo em graus, geralmente até –25 ou –35 graus. Para um inverno normal na Europa Central, valores à volta de –25 graus costumam ser suficientes; em zonas de montanha, pode justificar-se mais margem.
Intervalos de substituição: o anticongelante não é um produto de “encher e esquecer”
Mesmo quando o nível está correto, o líquido pode já não proteger como devia. Os aditivos contra corrosão e incrustações degradam-se com o tempo.
Como referência geral, considera-se:
- troca a cada 2 a 4 anos,
- ou após 40.000 a 60.000 quilómetros,
- misturas Longlife por vezes duram um pouco mais - nesse caso, confirmar no livro de manutenção.
Ao comprar um carro usado sem histórico claro de manutenção, é mais seguro substituir o líquido de refrigeração por completo. O custo fica muito abaixo do que pode vir a custar um radiador novo ou componentes do motor.
Equívocos comuns que ficam caros no inverno
À volta do anticongelante circulam mitos persistentes que acabam por facilitar avarias.
- “Eu só acrescento água, é mais barato.” Isso dilui o anticongelante e reduz a proteção contra congelação. Depois de vários “top-ups”, o sistema pode ficar, no pior cenário, praticamente só com água.
- “O carro fica na garagem, portanto não acontece nada.” Muitas garagens não têm aquecimento. Em vagas de frio prolongadas, a temperatura também pode descer bem abaixo de zero.
- “Faço só trajetos curtos, chega.” Quem faz percursos curtos tende a notar mais tarde os problemas, porque o motor nem sempre atinge a temperatura de funcionamento e os sinais de alerta aparecem com menos frequência.
Mais do que anticongelante: refrigeração, proteção anticorrosão, vida do motor
Embora se associe o anticongelante ao inverno, o líquido de refrigeração trabalha o ano inteiro. No verão, ajuda a impedir o sobreaquecimento e a ebulição; no frio, evita a congelação. Ao mesmo tempo, limita a ferrugem e os depósitos nos canais finos do motor e do permutador de calor do aquecimento.
Quando esses canais ficam obstruídos, o aquecimento do habitáculo perde eficácia e a refrigeração do motor torna-se irregular. A longo prazo, isso pode levar a empeno da cabeça do motor, junta da cabeça a perder estanquidade e mistura de óleo com água - um tipo de avaria grave e dispendiosa.
Quem vigia o líquido de refrigeração e o anticongelante muitas vezes prolonga a vida do motor em anos - por poucos euros por ano.
Rotina prática de inverno para condutores
Com alguns hábitos simples, o risco fica controlado:
- No outono, mandar medir a proteção anticongelante ou, pelo menos, verificar o nível.
- Em cada mudança de óleo, perguntar pelo líquido de refrigeração - pedir que confirmem valor e estado.
- Levar a sério alterações de cor ou partículas de ferrugem visíveis no depósito.
- Não ignorar luzes de aviso nem o indicador de temperatura: reagir de imediato.
Em veículos mais antigos, muito depende do cuidado do proprietário com sistemas “invisíveis”. Pneus, travões e carroçaria saltam à vista; o circuito de refrigeração fica escondido - até falhar.
Quem não se sente seguro deve optar por ir uma vez a mais à oficina ou a um centro de inspeção do que uma vez a menos. A verificação costuma demorar apenas alguns minutos, custa pouco e evita que muitos motores sofram um choque de frio.
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