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UE: primeira tranche do empréstimo europeu de 90 mil milhões para a Ucrânia vai para drones em junho, diz Kaja Kallas

Mulher a discursar numa conferência com bandeiras da Ucrânia e União Europeia e drones a voar ao fundo.

Primeiro desembolso do empréstimo europeu de 90 mil milhões para a Ucrânia

A primeira tranche do empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros destinado à Ucrânia será aplicada na compra de drones, revelou esta terça-feira a Alta Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, adiantando que o montante deverá ser libertado em junho.

No final de uma reunião dos ministros da Defesa da bloco, em Bruxelas, Kallas explicou em conferência de imprensa: "A Ucrânia vai receber o primeiro desembolso do empréstimo de 90 mil milhões de euros já em junho, e esses fundos vão ser direcionados para drones, que são cruciais para travar as forças russas".

Mecanismo Europeu de Apoio à Paz: 6,6 mil milhões ainda bloqueados

Ainda assim, a chefe da diplomacia europeia considerou que os 90 mil milhões de euros não chegam, defendendo a necessidade de desbloquear os 6,6 mil milhões do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz reservados para a Ucrânia. Estes fundos permanecem parados desde 2024 devido ao veto do Governo da Hungria, liderado até ao passado sábado por Viktor Orbán.

Segundo Kallas, entre os Estados-membros houve convergência quanto à urgência de encontrar uma via para mobilizar esse dinheiro: "Houve um apoio forte a que se encontrem soluções para mobilizar estes fundos e vamos apresentar propostas nesse sentido".

Garantias de segurança, centro de satélites e condições para negociar com a Rússia

Kallas indicou também que os países da UE estão a intensificar o trabalho sobre as garantias de segurança que poderão ser dadas à Ucrânia caso venha a existir um acordo de paz com a Rússia. Entre as opções em cima da mesa, apontou a possibilidade de reforçar um centro de satélites que possa acompanhar e verificar o cumprimento de um eventual cessar-fogo.

Confrontada novamente com as declarações do presidente russo, Vladimir Putin, no sábado, quando afirmou que a guerra na Ucrânia "está a chegar ao fim", Kallas respondeu que "Putin pode acabar com a guerra imediatamente".

E acrescentou: "É só parar de bombardear infraestruturas civis e retirar as suas tropas. É assim tão simples. Mas o que as suas declarações realmente mostram é que não está numa posição de força. Por isso, acho que há uma oportunidade para acabar com esta guerra".

Apesar disso, Kallas reiterou que, antes de se avançar para negociações com Moscovo, é essencial compreender que concessões a Rússia admite fazer, "porque são eles que estão a atacar os seus vizinhos".

"Temos de ter a certeza de que não temos apenas um cessar-fogo ou uma trégua para que eles tenham a possibilidade de voltar a reagrupar-se e fazerem com que as suas Forças Armadas recuperem a forma para, depois, continuarem a atacar", afirmou, sublinhando a necessidade de assegurar uma paz "justa e duradoura que os impediria de voltar a atacar outros países".

A responsável frisou que é precisamente com este objetivo que os ministros dos Negócios Estrangeiros irão debater, numa reunião informal em Chipre a 27 e 28 de maio, "as concessões que querem ver do lado russo".

O empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros - 60 mil milhões para a Defesa e três mil milhões em apoio orçamental - pretende permitir que a Ucrânia financie a sua defesa face à invasão russa e garanta as despesas do Estado no período de 2026-2027.

Desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022, a Ucrânia tem recebido ajuda financeira e armamento por parte dos aliados ocidentais.

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