A Mazda nasceu em Hiroshima, no Japão, mas desde 2017 que um «pedaço» da sua história também se visita na Alemanha - mais precisamente em Augsburgo.
Chamado Frey’s Mazda Classic Car Museum, este espaço é o primeiro museu da Mazda fora do Japão. Trata-se de uma iniciativa privada da Frey Auto, concessionário local da marca, desenvolvida com o apoio da Mazda Alemanha.
No centro da exposição está um Cosmo Sport de 1967 - o primeiro Mazda equipado com motor Wankel. Ao todo, o museu reúne cerca de 50 veículos da marca japonesa, todos pertencentes à coleção privada da família Frey: o pai, Walter Frey, e os filhos, Joachim e Markus.
O fascínio pelo Wankel no Frey’s Mazda Classic Car Museum
Foi precisamente o interesse e a curiosidade pelo motor Wankel que levaram Walter Frey a apaixonar-se pela Mazda e, em 1978, a abrir um concessionário da marca japonesa - um dos primeiros na Alemanha.
Essa ligação intensificou-se depressa e, apenas dois anos mais tarde, em 1980, Frey encontrou e adquiriu um Mazda Cosmo Sport em Nova Jérsia, nos EUA. É esse mesmo automóvel que hoje lidera a mostra.
Apesar de a coleção da família ultrapassar largamente os 100 automóveis (o próprio Walter Frey confidenciou-me que também possui alguns Porsche e Mercedes-Benz) e de a paixão pela Mazda ter passado para os filhos, faltava dar o passo seguinte: tornar parte desse acervo acessível ao público.
Para isso, era indispensável um espaço à altura. Depois de visitar o museu, é fácil perceber que a escolha foi acertada: funciona num antigo depósito de comboios datado de 1897, totalmente reabilitado para este fim.
Dos kei cars ao MX-5
O conjunto de modelos expostos é suficientemente diverso para agradar a diferentes perfis - e, no processo, ajudar a contar a história centenária da Mazda.
Há propostas que assinalam marcos importantes, como o R360, de 1960, o primeiro automóvel de passageiros de produção em massa da marca, ou o 616 (1976), o primeiro modelo disponibilizado oficialmente pela Mazda na Alemanha. Pelo caminho, também surgem curiosidades como o K360, um pequeno veículo comercial de três rodas, e o Familia 1000 (1966). A variedade é, de facto, ampla.
Nesta visita, o modelo que mais me ficou na memória foi o AZ-1: um pequeno desportivo (kei car) com apenas 720 kg, equipado com um três cilindros turbo da Suzuki de 657 cm3 e 64 cv. Como se vê abaixo, destaca-se pelo design e pelas portas «asas-de-gaivota», ao estilo do Mercedes-Benz 300 SL.
E, naturalmente, não falta a família Miata: do NA (primeira geração) ao mais recente ND. Ainda assim, há duas presenças particularmente inesperadas: uma versão Speedster do MX-5 NC e um MX-5 NB Coupé, comercializado apenas no Japão.
Templo ao motor rotativo
Ainda que o museu tenha muito para ver, bastam poucos minutos para se perceber que este espaço funciona, na prática, como um verdadeiro santuário do motor rotativo - afinal, foi isso que fez Frey aproximar-se do construtor nipónico há várias décadas.
Na verdade, o entusiasmo de Walter Frey pelo Wankel vai além da Mazda e começa na própria tecnologia por detrás do motor rotativo.
Durante a minha visita ao Frey’s Mazda Classic Car Museum, num jantar que coincidiu com a apresentação internacional do novo Mazda MX-30 R-EV, Walter Frey confessou-me que possui praticamente todos os veículos que, em algum momento, recorreram a um motor rotativo - incluindo motas.
No museu, claro, encontramos apenas exemplares Mazda, mas a diversidade é notória. Estão presentes nomes mais reconhecíveis, como o RX-7, o RX-8 e o RX-3, além do inevitável Cosmo Sport; e também propostas pouco comuns, incluindo uma carrinha pick-up e até um autocarro.
Sim, leu bem. A exposição inclui um exemplar da Mazda Rotary Pick-Up (ou REPU), lançada em 1974 e pensada para o mercado norte-americano. Usava uma versão do lendário Wankel 13B, com dois rotores de 654 cm3 cada (1,3 l no total), capaz de debitar 110 cv.
Ainda mais invulgar é o Mazda Parkway, um autocarro que a marca vendeu exclusivamente no Japão, também em 1974, com motor rotativo.
Mais tarde, em 1977, o Parkway deixou o Wankel para trás e passou a sair da fábrica de Hiroshima com um motor mais convencional, Diesel.
Visita obrigatória
Para lá de tudo o que fica descrito acima, há um motivo adicional que me faz considerar este museu - cuja entrada custa uns simbólicos cinco euros - um local obrigatório para qualquer apaixonado por automóveis: o estado irrepreensível de todos os carros em exposição.
Da pintura aos cromados e aos interiores, tudo se apresenta num nível absolutamente exemplar nos cerca de 50 automóveis que compõem o Frey’s Mazda Classic Car Museum. É, também, um reflexo claro da devoção que a família Frey mantém pela marca japonesa.
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