Banda ao vivo, coreografias sem descanso, uma produção de luxo, quase duas horas e meia de concerto, dezenas de bailarinos, 30 canções e o extra “Takedown” para empurrar tudo para a loucura: as verdadeiras “guerreiras” do K-Pop estão entre nós, multiplicam-se por vários grupos, e as Twice também as encarnam. A estreia em Portugal aconteceu no sábado, com a Meo Arena esgotada.
Twice e K-Pop: a chegada a Lisboa
Ao fim da tarde de sábado, já com a chuva finalmente a dar tréguas, formavam-se filas extensas a contornar a Meo Arena, quase até aos limites da antiga Expo. Via-se de tudo: cabelo azul e roxo, fatos chamativos, e um mosaico de línguas - português, francês, espanhol, inglês e coreano - misturado com adereços, pins, bastões de luz e cartazes. O motivo era claro: o fenómeno sul-coreano do K-Pop, desta vez representado por um dos seus grupos mais antigos e populares, as Twice, a estrearem-se finalmente em Portugal.
Vindas da Coreia do Sul, Nayeon, Jeongyeon, Momo, Sana, Jihyo, Mina, Dahyun, Chaeyoung e Tzuyu subiram ao palco dez minutos depois do horário anunciado (20.10 horas), perante uma sala já bem composta - e há muito a ensaiar coros, gritos e coreografias. Enquanto se esperava, os ecrãs gigantes de um palco 360º, montado para percorrer o recinto, mostravam excertos de vídeos de vários grupos da JYP Entertainment - um dos conglomerados de editoras que dominam o mercado do K-Pop, onde Hybe e YG surgem como concorrentes, e que também representa nomes como os Stray Kids. A cada coletivo que aparecia, a histeria dos fãs tornava evidente como este fenómeno da música e cultura popular nascida na Coreia do Sul chegou com força e parece ter vindo para ficar em Portugal.
Um palco 360º para o álbum de 2025 “This is for”
A abertura fez-se com “Four”, tema introdutório do disco de 2025 “This is for”, que dá nome à sexta e atual digressão do grupo - a maior até agora, com concertos por todo o mundo e vendas estimadas acima dos dois milhões de bilhetes. De seguida, as cantoras entraram todas de branco, com botas altas e fatos curtos, e desde logo assumiram a lógica que marcaria toda a noite: ocupar cada canto, percorrer cada metro do palco, sem deixar um lado do público por atender.
Num dos cantos, sentada, Dahyun acompanhava com voz e coreografias feitas com as mãos. Mais tarde, explicaria que tinha uma lesão no tornozelo - que chegou a obrigá-la a falhar datas da digressão na América e na Ásia - mas que, apesar de não conseguir dançar, “não queria perder” este primeiro concerto em Portugal, que também assinala o arranque da etapa europeia da tournée.
A sequência “This is for”, “Strategy” e “Make me go” colocou o espetáculo a ferver logo de início, com temas a sucederem-se sem grandes pausas e com as cantoras sempre em movimento. Depois de “Set me free” e “I can't stop me”, as nove integrantes - as mesmas, mais de dez anos após o início do projeto - apresentaram-se uma a uma. Falavam em sul-coreano, com uma tradutora nem sempre fácil de perceber por entre os gritos, e repetiam a alegria por estarem em Portugal (para muitas, uma estreia), os agradecimentos aos fãs - os Once - e a surpresa com o nível de energia que encontravam em Lisboa.
Dahyun ainda arriscou algumas palavras em português - de “fixe” a “está bom” e “amo-te” - antes de o alinhamento seguir em frente, com “Moonlight sunrise” a encerrar o primeiro ato.
A enorme banda e os efeitos de luz
Entre atos, as rápidas trocas de figurino eram sempre tapadas por coreografias, jogos de luz trabalhados, solos da banda ao vivo - particularmente enérgica - e momentos a solo de dançarinos. E a escala da produção impunha-se: a Meo Arena recebeu efeitos LED, cubos luminosos, palcos com placas elevatórias, confettis, lasers, imagens visuais 3D e dezenas de bailarinos em palco. Os Once portugueses tiveram tudo - e retribuíram a cada segundo, com cânticos e gritos constantes, por vezes a roçar o ensurdecedor.
Ainda assim, o centro do espetáculo não mudava: voltavam sempre a ser elas, as nove Twice. No segundo ato, regressaram com novo visual, agora em preto, mantendo a coreografia como regra e o cuidado de percorrer o palco comprido. Nesta fase, temas como “The feels”, “Gone” e “Cry for me” ganharam destaque.
“Takedown”, a despedida em festa e o encore
No terceiro ato, cada uma assumiu a sua música, com identidade própria no estilo, na estética e no som, apoiada por um grupo de bailarinos. E, no fim, chegou “Takedown”, uma das faixas da produção recordista da Netflix “Guerreiras do K-Pop”, cantada nos créditos finais por Jihyo, Jeongyeon e Chaeyoung. Em Lisboa, as três voltaram a interpretá-la, num dos picos mais claros da noite: público ainda mais ruidoso, as cantoras num registo mais solto e casual, e um autêntico momento “guerreiras do K-Pop” que, a julgar pela reação de algumas fãs mais novas, terá valido por si só a ida ao concerto.
A reta final transformou-se numa celebração total, já em modo de despedida, com “Fancy”, “What is love” e “Dance the night away”. As artistas não paravam de acenar, agradecer e fazer corações, e entre músicas surgiam comentários e agradecimentos individuais. Diziam que aquela era uma das melhores energias que já tinham visto e pediam ao público repetições de coros e aplausos.
Antes do encore, um momento de câmaras a apanhar a audiência exibiu os dotes coreográficos dos fãs apanhados nas filmagens - mulheres e homens, crianças e adultos. O regresso fez-se com “Feel special”, e a canção terminou com mais um foco nos Once, através de depoimentos em vídeo de fãs portugueses sobre o impacto do grupo nas suas vidas.
“Parece que estamos num estádio de futebol” comentavam as Twice entre os coros, antes de deixarem o público escolher a última música. “TT” venceu entre gritos e foi com essa que fecharam a noite em apoteose.
Quase duas horas e meia depois do arranque, o concerto terminou com banda e bailarinos em palco a fazerem o “sim” de Cristiano Ronaldo. Perante a reação, as próprias Twice improvisaram e acabaram num “sim” coletivo, fechando em ouro - e em português - uma noite de festa, energia e alegria partilhada.
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