Com a subida contínua dos preços dos combustíveis, vale a pena explorar todas as formas de reduzir a despesa mensal com deslocações. Uma solução rápida pode passar por trocar um automóvel grande por um mais compacto. Ainda assim, para quem tem onde carregar, a compra de um carro elétrico pequeno - mesmo em segunda mão - pode ser uma alternativa a considerar.
Fizemos as contas tendo em conta um detalhe determinante: um carro elétrico usado, mesmo entre os mais acessíveis, continua a exigir mais dinheiro à partida do que um modelo equivalente a gasolina. Na semana passada listámos cinco carros elétricos por menos de 10 mil euros. E, já que o objetivo é poupar, se a escolha recair num elétrico, ao fim de quanto tempo é que esse investimento inicial extra é recuperado?
Nas linhas seguintes apresentamos os cálculos, começando pela opção mais comum: os carros a gasolina.
Primeiros os carros usados a gasolina
Por cerca de 5000 euros, não faltam propostas a gasolina que, apesar dos anos, ainda fazem sentido. Entre os exemplos mais típicos estão o FIAT Panda, Honda Jazz, Citroën C1, Toyota Yaris ou Opel Corsa.
São utilitários pequenos, com mecânicas descomplicadas, custos de manutenção contidos e, muitas vezes, já com equipamento e segurança que, há poucos anos, eram encarados como luxo neste segmento - como ar condicionado, ESP, fecho centralizado, airbags e, nalguns casos, até sistemas de infoentretenimento minimamente aceitáveis.
Retirámos os Diesel da equação, não por falta de oferta, mas porque, com o gasóleo aos níveis atuais, a vantagem financeira deixou de ser tão clara como já foi.
Em termos práticos, por 5000 euros consegue-se comprar um carro a gasolina honesto, fiável e suficientemente moderno para ser a primeira escolha de muitos jovens - ou o segundo carro de muitas famílias. A questão passa então a ser: fará sentido acrescentar mais 2500 euros e avançar para um elétrico usado?
A alternativa nos carros usados elétricos
Colocando lado a lado um pequeno usado a gasolina a gastar 5,5 l/100 km e um elétrico a consumir 18 kWh/100 km, a diferença nos custos por quilómetro torna-se evidente. Com a gasolina a 1,95 €/l, esse utilitário a combustão fica em 10,73 euros por cada 100 km. Já um elétrico carregado em casa, a 0,16 €/kWh, desce para apenas 2,88 euros por 100 km. Quando se recorre ao carregamento público, as contas passam a depender de mais variáveis e tornam-se menos lineares.
Ao considerar um diferencial de preço de 2500 euros entre um usado a gasolina de 5000 euros e um elétrico de 7500 euros, também o ponto de equilíbrio varia bastante.
Se o carregamento for feito em casa, esses 2500 euros a mais são recuperados ao fim de cerca de 31 900 km. Se o utilizador depender sobretudo de postos públicos a 0,47 €/kWh, o ponto de equilíbrio passa para cerca de 110 400 km. Já se o padrão de carregamento assentar em postos rápidos, mais caros, a 0,63 €/kWh, o elétrico deixa, pura e simplesmente, de compensar na fatura energética face ao pequeno a gasolina que usamos como referência.
Visto de outra forma: quem percorre 15 mil quilómetros por ano pode amortizar esses 2500 euros em pouco mais de dois anos se carregar maioritariamente em casa. Com carregamentos públicos a 0,47 €/kWh, a amortização estica-se para mais de sete anos. E com carregamentos ainda mais caros, não existe propriamente um ponto de equilíbrio a assinalar.
Por isso, este tema acaba por ter menos a ver com “elétrico versus combustão” e mais com o contexto de utilização. Quem tem garagem, tomada, rotina previsível e um raio de ação diário limitado encontra aqui uma oportunidade concreta para reduzir bastante os custos mensais. Quem vive sem possibilidade de carregar em casa continua a encontrar num pequeno a gasolina uma liberdade de movimentos que os elétricos baratos ainda não conseguem igualar. Neste artigo mostramos a autonomia real que pode esperar dos elétricos usados mais baratos.
Continuando a fazer contas
Existe ainda um segundo fator - menos óbvio, mas igualmente relevante: o custo de posse. Um utilitário usado a gasolina por 5000 euros pode ter um preço de compra apelativo, mas traz consigo tudo o que é típico da mecânica tradicional: mudanças de óleo, filtros, velas, correias ou correntes, embraiagem, escape e catalisador.
Num elétrico usado, a manutenção tende a ser mais simples, mais previsível e, em muitos casos, mais barata. Em troca, surge uma preocupação que não existe num modelo de combustão: a condição da bateria e a autonomia real disponível.
No essencial, a escolha transforma-se num compromisso claro. O carro a gasolina dá mais liberdade e exige menos dependência de infraestruturas. O elétrico pode baixar muito os custos de utilização, mas apenas quando estão reunidas as condições certas.
E é aqui que cabe a conclusão mais direta: nem sempre o carro mais barato é o mais barato de usar. Mas também nem sempre um elétrico é, por defeito, o melhor negócio. Seja como for, nesta página do Piscapisca.pt na Razão Automóvel há mais de 50 mil carros.
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