O novo navio de Apoio a Mergulhadores da Armada Espanhola foi lançado à água em Vigo numa cerimónia que reuniu autoridades civis e militares, assinalando mais um passo na modernização das capacidades subaquáticas. A embarcação, designada A22 Proserpina, integra o programa de renovação das unidades auxiliares da Armada e tem entrega prevista ainda durante o presente ano.
Cerimónia de lançamento em Vigo
O evento decorreu no estaleiro C.N.P. FREIRE, S.A. (Freire Shipyard), contando com a presença dos directores-gerais do estaleiro, Marcos e Guillermo Freire, e do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada (AJEMA), Antonio Piñeiro Sánchez. Marcaram também presença representantes institucionais, entre os quais o delegado do Governo na Galiza, Pedro Blanco Lobeiras, o presidente da Câmara Municipal de Vigo, Abel Caballero, e várias autoridades autonómicas, provinciais e portuárias, além de altos responsáveis da Armada ligados às áreas de logística e engenharia naval.
Intervenções e mensagens-chave
Na cerimónia, o AJEMA sublinhou a dimensão estratégica do novo navio e o seu contributo para a segurança marítima. “Hoje assistimos à materialização de um esforço colectivo, de uma visão comum e de uma confiança construída entre a Armada e a indústria naval espanhola”, afirmou Antonio Piñeiro. Acrescentou ainda que a missão central da Proserpina será apoiar a Escola Militar de Mergulho na formação de especialistas.
O almirante chamou igualmente a atenção para a crescente complexidade do ambiente marítimo e para a necessidade de salvaguardar infra-estruturas críticas instaladas no fundo do mar, como cabos de comunicações e conduções energéticas.
Da parte do estaleiro, os directores da Freire Shipyard realçaram que “para toda a equipa é um privilégio ser o primeiro estaleiro privado a construir um navio de aço para a Armada”, salientando que o projecto se enquadra no esforço de modernização das unidades auxiliares.
A embarcação teve como madrinha Olga Vallespín Gómez, a primeira mergulhadora profissional espanhola, que declarou: “o meu desejo é que a guarnição encontre neste navio todos os meios para cumprir a sua missão”, destacando também a relevância da formação recebida no Centro de Mergulho da Armada.
Características do A22 Proserpina
O A22 Proserpina apresenta um comprimento de 32,90 metros e uma boca de 9 metros. Dispõe de uma autonomia de 500 milhas náuticas à velocidade de cruzeiro de 10 nós e pode atingir uma velocidade máxima de 12 nós. Tem capacidade para alojar até 15 tripulantes e inclui tecnologias orientadas para optimizar o consumo de combustível e reduzir emissões, nomeadamente um sistema de posicionamento dinâmico (DP2) e um sistema de fundeio com três âncoras, que assegura estabilidade em profundidades até 90 metros.
Capacidades operacionais e sistemas a bordo
No domínio operacional, o navio está equipado com sonar de varrimento lateral (SBL), um veículo subaquático autónomo (AUV) e um veículo operado remotamente (ROV) com capacidade para operar até 900 metros de profundidade. Com projecto da Seaplace, integra zonas dedicadas a operações de mergulho, câmaras hiperbáricas e coordenação táctica, permitindo executar missões de intervenção subaquática, formação avançada e trabalhos técnicos em profundidade.
Substituição de unidades anteriores
A entrada ao serviço do A22 Proserpina representa o relevo de plataformas anteriores e consolida a evolução das capacidades de mergulho naval. Neste enquadramento, vem substituir navios como o A-20 Neptuno, cuja história começa em 1975, quando foi construído como rebocador com o nome Amapola. Mais tarde, em 1988, foi adquirido pela Armada e convertido em navio de mergulho e investigação no âmbito do projecto BENTICO-200. Após ter sido renomeado e modernizado em diferentes fases, o Neptuno dará agora lugar a esta nova unidade, que permitirá reforçar a eficácia operacional e assegurar a continuidade da formação especializada no domínio subaquático.
Imagens obtidas da Armada Espanhola.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário