Com a entrada em 2025, entram também em vigor metas de emissões de CO₂ (dióxido de carbono) mais exigentes para os construtores automóveis. O tema é explicado ao detalhe no episódio n.º 71 do Auto Rádio, um podcast da Razão Automóvel.
Para quem não cumprir, a penalização pode ser pesada: 95 euros por cada automóvel e por cada grama de CO₂ acima do limite definido. Perante este risco, vários construtores estão a procurar soluções em conjunto e já há marcas a anunciarem que pretendem formar alianças - Stellantis, Toyota, Ford, Subaru e Mazda já comunicaram a intenção de se juntarem a outros construtores.
E quem pode beneficiar do outro lado deste sistema? A Tesla, que só produz automóveis elétricos e, por isso, acumula créditos de carbono para transacionar através dos chamados agrupamentos de emissões.
O que está em causa?
No ciclo de 2025-2029, o setor automóvel terá de baixar em 15% as emissões de CO₂, o que corresponde a uma média de 93,6 g/km (WLTP).
Não é a primeira vez que a indústria enfrenta um corte desta dimensão. Quando a UE impôs, em 2021, uma média de 110,1 g/km, nem todos os construtores conseguiram cumprir as metas (que não são iguais para todos). No total, as multas pagas atingiram 500 milhões de euros.
Este cenário pode voltar a repetir-se no final deste ano, uma vez que há vários construtores em risco de falhar os seus objetivos.
De acordo com analistas, para que as metas de emissões definidas para este ano sejam cumpridas, mais de 20% das vendas de automóveis na União Europeia (UE) terão de ser elétricos. Neste momento, a distância para essa fasquia é grande: a quota foi de 13,4% entre janeiro e novembro de 2024. Caso a procura por elétricos continue a recuar, as previsões apontam para coimas muito mais elevadas.
A ACEA (Associação Europeia de Fabricantes Automóveis) estimou que as penalizações associadas ao incumprimento das novas metas de emissões podem chegar aos 15 mil milhões de euros.
Novos agrupamentos
Apesar do endurecimento das regras, a UE prevê um mecanismo que permite aos construtores juntarem as suas emissões em agrupamentos, uma solução pensada para facilitar o cumprimento das metas e reduzir o risco de multas.
Depois de, no final do ano passado, a Suzuki (com risco de incumprimento) ter fechado um acordo com a Volvo (que já está muito abaixo da sua meta), surgem agora novos interessados em associar-se à Tesla. Stellantis, Toyota, Ford, Subaru e Mazda querem integrar este agrupamento, tirando partido do facto de a Tesla ser 100% elétrica e ter créditos de emissões de CO₂ disponíveis para vender.
Trata-se do primeiro agrupamento anunciado para 2025. Segundo um documento a que a Automotive News Europe teve acesso, a Tesla deverá manter o agrupamento aberto a novos candidatos até 5 de fevereiro.
Até novembro do ano passado, os construtores referidos representavam quase 30% do mercado automóvel da União Europeia. Já a Tesla tinha uma quota de 2,2%. Até ao momento, nenhuma das marcas fez declarações oficiais.
Entretanto, outros grupos também já mostraram disponibilidade para recorrer a agrupamentos como forma de evitar multas de emissões, incluindo o Grupo Volkswagen e o Grupo Renault. Quaisquer acordos futuros deverão ficar finalizados até 31 de dezembro de 2025.
Atraso das emissões
No final do ano passado, vários países pressionaram a União Europeia para reavaliar as metas de emissões de CO2 que passam a aplicar-se este ano, bem como as multas associadas. Ainda assim, até agora, a UE mantém uma posição inflexível.
Fonte: Automotive News Europe
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário