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S&P Global Mobility prevê vendas de automóveis ligeiros de 88,3 milhões em 2024

Carro elétrico azul a ser recarregado em exposição com gráficos e edifícios ao fundo.

A S&P Global Mobility antecipa que as vendas mundiais de automóveis ligeiros cheguem às 88,3 milhões de unidades em 2024. Trata-se de uma subida moderada, de 2,8%, face às 86 milhões de unidades estimadas para este ano. Ainda assim, fica aquém do salto verificado de 2022 para 2023, quando o crescimento foi de 8,9%.

“Espera-se que 2024 seja mais um ano de recuperação cautelosa, com a indústria automóvel a sair dos riscos do fornecimento de peças, mas a entrar num cenário macro-económico mais obscuro.”

Colin Couchman, diretor executivo de previsão global de veículos ligeiros para a S&P Global Mobility

Importa lembrar que o setor automóvel ainda não ultrapassou por completo os efeitos da pandemia (Covid-19) e da crise logística que se seguiu, em especial no que diz respeito ao abastecimento de microchips.

Entretanto, o enquadramento de mercado também se alterou: a inflação aumentou de forma significativa e os custos da energia também, fatores que ajudam a explicar a escalada acentuada dos preços dos automóveis novos. A deterioração do contexto económico tem igualmente pressionado os índices de confiança dos consumidores, o que pode influenciar o ritmo desta recuperação.

Mercado a mercado

Ao olhar para os principais mercados, a consultora estima que a Europa feche 2023 com 14,7 milhões de unidades vendidas, o que representa mais 12,8% do que no ano anterior.

Para 2024, a previsão aponta para um avanço de 2,9%, até 15,1 milhões de unidades. Esta projeção considera, entre outros fatores, a redução dos subsídios à compra de veículos elétricos, a recessão económica e condições de crédito mais apertadas, uma procura mais fraca e, por último, os preços elevados que ainda se mantêm.

Nos EUA (Estados Unidos da América), antecipa-se que as vendas atinjam 15,9 milhões de unidades em 2024, acima das 15,5 milhões de unidades previstas para 2023.

Embora a adoção de automóveis elétricos esteja a evoluir de forma mais contida do que na Europa e na China, os EUA deverão ter cerca de 100 modelos elétricos disponíveis no próximo ano - o dobro do que existia em 2022.

Na China, a estimativa é de até 25,3 milhões de unidades vendidas em 2023, mais 4,8% face a 2022.

Este crescimento assenta no reforço dos incentivos aos NEV (veículos de novas energias, que incluem híbridos e elétricos) e na recuperação da produção local de automóveis elétricos para o mercado interno.

Em 2024, projeta-se mais 4,2%, para 26,4 milhões de unidades, sustentado por uma procura elevada e por uma melhoria gradual dos índices de confiança do consumidor (ainda abaixo dos níveis registados antes da pandemia).

Por outro lado, é esperado que os NEV fiquem mais acessíveis em 2024, tendo em conta a descida do preço das baterias que já se verificou ao longo de 2023. Assim, prevê-se que os NEV passem a representar 44% do total das vendas de automóveis ligeiros - uma subida expressiva face aos 36% de 2023.

Os elétricos estão a conquistar o mundo?

Após os desenvolvimentos mais recentes, em que se tem observado vários construtores a recuarem nas suas ambições elétricas, adiando ou cancelando metas de vendas, a S&P Global Mobility afirma que “as notícias da morte dos elétricos foi grandemente exagerada”.

A consultora estima que, em 2024, as vendas globais de automóveis elétricos de passageiros alcancem 13,3 milhões de unidades, o que equivale a 16,2% do total mundial. Este valor representa um avanço muito relevante face a 2023, ano em que se preveem 9,6 milhões de unidades vendidas (12% das vendas globais).

Como vai evoluir a produção?

Para 2023, é apontada uma subida de 9% na produção de veículos ligeiros em comparação com 2022, chegando a 89,8 milhões de unidades. É um marco com peso: sinaliza o regresso a volumes semelhantes aos registados antes da pandemia.

No entanto, a S&P Global Mobility projeta que, em 2024, a produção automóvel global recue 0,4%, para 89,4 milhões de unidades, à medida que muitos mercados se aproximam de um ponto de equilíbrio.

Fonte: S&P Global Mobility

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