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Óleo de fritar usado: o “Binman” explica porque não vai para o orgânico e como deitar fora

Pessoa a transferir óleo de cozinha de uma frigideira para uma garrafa plástica na cozinha.

Muita gente despeja óleo de fritar e de cozinhar usado no contentor errado - um cantoneiro do lixo explica o que pode ir para o caixote e o que não deve ir de maneira nenhuma.

Depois de cozinhar, é comum ficarem frigideiras e tachos com restos de gordura e óleo. E, quando o recipiente já está cheio, o caixote do lixo começa a cheirar e ainda falta lavar a loiça, surge a dúvida: para onde vai isto? Um trabalhador da recolha de resíduos no Reino Unido, conhecido nas redes sociais como “Binman”, desmonta um erro muito frequente e mostra como eliminar óleo alimentar usado de forma limpa, segura e em conformidade - explicando também porque é que, precisamente, o lixo orgânico não é a opção certa.

Porque é que deitar óleo no ralo acaba por sair caro

Por mais prático que pareça, o ralo é o pior destino para óleo usado. Enquanto está líquido, dá a sensação de que “desaparece”, mas dentro das canalizações a história muda depressa.

  • Gorduras e óleos arrefecem nas tubagens e acabam por solidificar.
  • Misturam-se com restos de comida e calcário.
  • Formam massas espessas que entopem os canos.
  • No pior cenário, podem causar retorno de águas, inundações e chamadas de emergência dispendiosas.

Cada vez mais cidades relatam verdadeiros blocos de gordura nas redes de saneamento. A limpeza e manutenção acabam por ser pagas por todos através de taxas. Ou seja: despejar óleo no lava-loiça não danifica apenas a sua casa - também faz subir os custos municipais.

“O óleo alimentar não deve ir para o ralo nem diretamente para a sanita - caso contrário, arrisca entupimentos e contas de reparação elevadas.”

Contentor do lixo orgânico? Porque é que também não é a escolha certa

Quem separa bem os resíduos tende a recorrer ao contentor dos biorresíduos: sobras de comida, borras de café, cascas de legumes - e, à primeira vista, óleo de fritar usado até parece encaixar. É precisamente essa ideia que o cantoneiro contesta no vídeo.

A razão é técnica: muitas unidades de compostagem municipais não estão preparadas para receber quantidades relevantes de óleo ou gordura “pura”. Um teor de gordura elevado atrapalha o processo de decomposição, pode intensificar maus odores e sobrecarrega equipamentos. Em alguns casos, os operadores têm de remover esses resíduos manualmente.

Por isso, o “Binman” recomenda de forma clara: o óleo alimentar usado típico de um lar não deve ir para o contentor de resíduos orgânicos, mas sim para o lixo indiferenciado - desde que se trate de quantidades normais de uma casa.

A recomendação do “Binman”: lixo indiferenciado - mas com a embalagem certa

Atirá-lo para o lixo indiferenciado de qualquer maneira também não resolve. Óleo solto rebenta sacos e pode deixar o contentor e o camião de recolha cheios de gordura. É aqui que entra o conselho mais importante do profissional.

“Primeiro, coloque o óleo alimentar usado num recipiente não reciclável, feche bem e só depois deite no lixo indiferenciado.”

Recipientes indicados para guardar óleo usado

Na prática, costumam funcionar bem:

  • embalagens de bebidas vazias (como cartão/plástico tipo Tetrapak) com tampa de rosca
  • frascos de vidro com tampa que já não tenciona reaproveitar
  • recipientes ou garrafas de plástico danificados que já não possam ser reciclados
  • latas vazias com tampa, ou bem seladas com folha de alumínio

O essencial é o recipiente ficar bem fechado para não haver derrames no transporte. E só deve encher quando o óleo estiver totalmente frio - gordura quente pode deformar plástico mais fino.

Quando o lixo indiferenciado deixa de ser suficiente

Se, no dia a dia, sobra apenas um pouco de gordura da frigideira, a solução do cantoneiro é direta: deixar arrefecer, colocar num recipiente, fechar e colocar no lixo indiferenciado. Com volumes maiores, o procedimento muda.

O trabalhador faz uma distinção clara: se em casa se frita “quase como numa cozinha de snack-bar” e sobram regularmente vários litros de óleo, não é boa prática encher o contentor indiferenciado com isso. Em muitos municípios existem pontos de entrega específicos ou serviços dedicados.

Possíveis locais a considerar em Portugal, conforme a disponibilidade local:

  • ecocentros/centros de receção de resíduos da autarquia
  • recolhas municipais de resíduos especiais (quando aplicável)
  • contentores específicos para recolha de óleos alimentares usados, onde existam
  • empresas de gestão de resíduos que recolhem óleo usado - sobretudo para restauração

Em caso de dúvida, vale a pena confirmar junto do operador local de resíduos ou da câmara municipal. Muitas autarquias explicam no calendário de recolha ou em folhetos informativos como encaminhar corretamente o óleo alimentar usado.

Dar um novo uso ao óleo: ideias simples antes de deitar fora

Antes de ir para o caixote, uma parte do óleo pode ser aproveitada, desde que ainda esteja relativamente limpo. Especialistas em prevenção de resíduos apontam alguns usos práticos.

Proteção de madeira no exterior

Óleo vegetal ligeiramente usado pode servir para cuidar de madeira ao ar livre, por exemplo em:

  • arrecadações de jardim
  • ripas de vedações
  • canteiros elevados de madeira
  • estruturas de apoio e postes

O óleo penetra na madeira, ajuda-a a resistir um pouco melhor à humidade e dá uma manutenção discreta sem químicos agressivos. Ao contrário de certos revestimentos antigos, normalmente não mancha de forma intensa e, em geral, não causa problemas a plantas e animais - desde que se trate de óleos vegetais sem aditivos.

Alimento para aves feito com gordura de fritura

A gordura de bacon ou de frango pode ser usada para preparar comida caseira para aves. Para isso, misture a gordura (ainda líquida, mas já fria) com mistura de sementes, frutos secos e flocos de aveia, coloque numa forma, deixe solidificar e depois pendure numa rede ou com um cordel. Fica um bloco de gordura simples para aves selvagens no jardim ou na varanda.

Importante: ofereça este alimento apenas na estação fria, porque no verão fica rançoso rapidamente. Restos muito temperados, muito salgados ou muito tostados não são adequados e podem prejudicar os animais.

Como evitar acumular garrafas de gordura na cozinha

Melhor do que qualquer método de eliminação é reduzir o problema na origem. Com alguns hábitos, é possível gerar muito menos “resíduo difícil”. Algumas estratégias simples:

  • Em vez de despejar, unte a frigideira com uma camada fina de óleo.
  • Usar fritadeiras de ar quente: precisam de muito menos óleo do que as fritadeiras tradicionais.
  • Filtrar o óleo com um coador e reutilizar algumas vezes, desde que não esteja queimado nem sujo.
  • Para pequenas quantidades, absorver o óleo com papel de cozinha e deitar no lixo indiferenciado.

A escolha do utensílio também conta: frigideiras modernas com bom antiaderente muitas vezes exigem apenas algumas gotas de óleo. Isso ajuda simultaneamente a carteira, a alimentação e o caixote do lixo.

O que muita gente não sabe: impactos ambientais do óleo mal descartado

O óleo alimentar pode parecer inofensivo, mas causa danos quando chega ao ambiente. Em rios e lagos, forma uma película à superfície que dificulta a troca de oxigénio, colocando plantas e animais aquáticos sob stress. Já na rede de saneamento, restos de gordura criam condições para bactérias e podem atrair pragas.

Mesmo pequenas quantidades, multiplicadas por muitos lares, tornam-se um problema considerável. Por isso, cada vez mais municípios apostam em campanhas de informação e em avisos nos veículos e contentores de recolha.

Regras práticas a ter em conta:

  • não deitar óleo no ralo
  • para quantidades domésticas, colocar o óleo bem fechado num recipiente e encaminhar para o lixo indiferenciado
  • para quantidades grandes, usar vias oficiais de recolha e pontos de entrega

Com um pouco de organização, grande parte do problema resolve-se ainda durante a preparação das refeições - e o próximo litro de óleo de fritar usado segue para o destino correto.

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