A caminhada rumo à eletrificação total tem sido tudo menos linear para os construtores. Depois de investirem milhares de milhões de euros em automóveis elétricos, muitos estão agora a ser obrigados a ajustar a estratégia, uma vez que a procura do mercado ficou aquém do que era esperado.
Há, porém, um ponto que nem sempre recebe a devida atenção: mesmo quando um elétrico é efetivamente vendido, raramente consegue assegurar a mesma margem de lucro que um equivalente a combustão. Ainda assim, o Grupo Volkswagen acredita que poderá ter uma resposta para este problema até 2030.
SSP do Grupo Volkswagen e a margem de lucro dos elétricos
A aposta passa pela SSP (Plataforma de Sistemas Escaláveis). Esta plataforma, que deverá substituir todas as arquiteturas atuais - incluindo a MEB, a MEB Plus e a PPE -, tem chegada prevista antes do final da década e aponta a uma redução de custos na ordem dos 20% face à MEB hoje utilizada.
Durante a apresentação de resultados do primeiro trimestre, o diretor financeiro Arno Antlitz foi direto: apesar dos progressos já obtidos com a MEB Plus - impulsionados pela adoção de baterias LFP, que ajudaram a melhorar a rentabilidade -, os modelos atuais ficam apenas entre 70% a 80% das margens de um automóvel a combustão equivalente, como o T-Cross.
“Esperamos que a margem seja totalmente comparável apenas com a nossa futura plataforma SSP”, afirmou.
O que muda?
O avanço trazido pela SSP não se limita ao lado técnico. Em vez de manter bases diferentes para diferentes tipos de veículos, o Grupo passa a apoiar-se numa plataforma única e transversal, capaz de servir tanto elétricos puros como modelos a combustão com extensor de autonomia. No total, estão planeadas oito variantes da plataforma para cobrir toda a oferta do Grupo.
É precisamente esta padronização em grande escala que permite uma redução de custos com impacto estrutural, e não apenas ganhos pontuais. A SSP chegará ainda acompanhada por uma arquitetura eletrónica definida por software, desenvolvida em colaboração com a Rivian.
O preço do atraso
Até lá, o percurso terá um custo significativo. Com a estreia da SSP a derrapar no calendário (estava inicialmente prevista para este ano), o Grupo Volkswagen reconhece que não deverá cumprir as metas de redução de emissões de CO2 impostas pela UE entre 2025 e 2027. A estimativa aponta para multas anuais entre os 400 e os 500 milhões de euros nesse período.
“Até que esta plataforma chegue, vamos ter de fazer concessões entre os volumes de veículos elétricos a bateria e as multas de emissões“, admitiu Antlitz. O responsável acrescentou que, na Europa, o Grupo continua a ter de estimular artificialmente a procura por elétricos através de incentivos. “Precisamos de vender mais carros elétricos do que a procura natural na Europa”, concluiu.
Entregas recentes de elétricos do Grupo Volkswagen
Nos primeiros três meses deste ano, o Grupo Volkswagen entregou 216 800 elétricos, o que representa uma descida de 7,7% face ao ano anterior.
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