Saltar para o conteúdo

Quercus e Fórum Cidadania Lx apresentam participação ao Ministério Público para travar residência universitária privada na Quinta dos Frades, no Lumiar, em Lisboa por alegadas violações do PDM

Grupo de pessoas ao ar livre analisando planta urbana numa mesa com documentos numa área verde.

A Quercus e a Associação Fórum Cidadania Lx apresentaram esta terça-feira uma participação ao Ministério Público com o objetivo de travar a edificação de uma residência universitária privada na Quinta dos Frades, no Lumiar, em Lisboa. As duas entidades apontam para violações que classificam como "claras" do Plano Diretor Municipal (PDM) e alertam para impactos ambientais ligados ao abate de árvores e à impermeabilização do solo.

O empreendimento, da responsabilidade da Alea Capital Partners, contempla seis blocos habitacionais, com quatro pisos acima da cota de soleira e três pisos subterrâneos destinados a estacionamento, num total que excede os 23000 metros quadrados de área construída.

Nuno Quental, da Associação Fórum Cidadania Lx, afirma que as associações ficaram particularmente apreensivas com a utilização do deferimento tácito, um mecanismo que permitiu a continuação do processo por falta de decisão da Câmara de Lisboa dentro dos prazos legais.

"Essa figura serve para proteger os proprietários quando a Administração Pública demora muito tempo a reagir. Mas mesmo quando há deferimento tácito, ele tem de respeitar sempre as regras urbanísticas", afirmou ao JN.

Classificação do uso do terreno

De acordo com o responsável associativo, a questão central está na forma como o terreno é enquadrado quanto ao uso. O PDM só admite naquele local "uso de equipamento", mas as associações sustentam que, do ponto de vista legal, uma residência universitária é considerada uso habitacional.

"O que vai ser feito não é equipamento, é uso habitacional. O próprio PDM é textual quando inclui residências para estudantes nessa categoria", sustentou.

Na participação remetida ao Ministério Público, a Quercus e o Fórum Cidadania Lx referem ainda que o regulamento municipal apenas permite até 20% de uso habitacional complementar nessa parcela, um limite que dizem ser largamente ultrapassado pela volumetria projetada. "Claramente, sem qualquer margem para dúvida, esta proposta não respeita o PDM", insistiu Nuno Quental.

Impermeabilização dos terrenos

Outro aspeto colocado em causa é a impermeabilização dos terrenos. As associações consideram que a execução de três pisos subterrâneos põe em risco os índices de permeabilidade impostos pelo PDM e contribui para descaracterizar uma das manchas verdes que ainda subsistem naquela zona do Lumiar.

"Estamos a falar de uma área com árvores frondosas, ainda bastante significativa. Achamos que é possível encontrar uma solução que respeite o PDM e preserve este espaço verde importante para a cidade", afirmou o representante do Fórum Cidadania Lx.

Além disso, as associações acusam o promotor de não ter entregue o levantamento e a caracterização da vegetação exigidos pelo Regime Jurídico de Gestão do Arvoredo Urbano. O terreno inclui 249 árvores.

Pedida providência cautelar

No requerimento dirigido ao Ministério Público, a Quercus e o Fórum Cidadania Lx solicitam uma providência cautelar para suspender de imediato os efeitos do deferimento tácito e evitar o início da obra, bem como o abate de árvores. Pedem igualmente que seja declarada a nulidade do ato administrativo.

Para Nuno Quental, este processo espelha a intensificação da pressão urbanística sobre Lisboa e justifica uma resposta mais célere por parte das entidades competentes.

"O país está a viver uma enorme pressão sobre o território. Há necessidade de habitação, ninguém nega isso. Mas temos de conseguir desenvolver as cidades sem destruir aquilo que as caracteriza", afirmou.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário