Saltar para o conteúdo

Porto avança com Via de Cintura Externa, “enterrar” a Avenida da AEP e reforço com mais 80 polícias municipais e 200 da PSP

Homem com capacete e documentos observa rua urbana com polícia, pessoas no banco e grua ao fundo.

O Porto prepara a construção de um novo eixo rodoviário alternativo à VCI e pretende também “enterrar” a Avenida da Associação Empresarial de Portugal (AEP), em Ramalde, para voltar a unir as duas frentes urbanas hoje separadas por essa via. A operação está associada à criação do Distrito Económico e Empresarial do Porto. Em paralelo, ficou ainda previsto um reforço de meios: mais 80 polícias municipais e mais 200 agentes para o comando metropolitano da PSP, até ao final do ano.

As medidas foram divulgadas na sequência de um encontro na Casa do Roseiral, no Porto, que juntou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e os presidentes das Câmaras do Porto e de Lisboa, Pedro Duarte e Carlos Moedas. A reunião, descrita como “muito produtiva”, prolongou-se por cerca de duas horas.

Via de Cintura Externa: ligação intermédia entre a VCI e a CREP (A41)

A nova ligação, já referida no mês passado, chama-se Via de Cintura Externa e tem como propósito assegurar uma conexão intermédia entre a VCI e a CREP (ou A41), criando uma alternativa de atravessamento da cidade do Porto.

Montenegro enquadrou a intervenção no impacto que poderá ter na circulação, sobretudo se considerada em conjunto com a resolução do nó de Francos na VCI: “Se perspetivarmos esta intervenção à luz da resolução do nó de ligação de francos na VCI, poderemos estar na presença da maior transformação de trânsito, de capacidade de escoamento da área metropolitana e da cidade em particular”, sublinhou.

Distrito Económico e Empresarial do Porto em Ramalde e reorganização da Zona Industrial

O plano inclui a constituição do Distrito Económico e Empresarial do Porto, o que implica uma reorganização urbanística do espaço da Zona Industrial de Ramalde. O chefe do Governo afirmou que a intenção é potenciar aquela área, articulando a realidade já instalada com novas valências, incluindo no domínio tecnológico, “para um potencial que junte aquilo que já existe do ponto de vista industrial, do ponto de vista dos serviços, a novas utilizações, novos enquadramentos, nomeadamente no que diz respeito a empresas tecnológicas”.

Segundo o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, o projeto poderá traduzir-se na criação de “até 35 mil novos postos de trabalho” e de “até seis mil novas habitações para a classe média”.

“Enterrar” a Avenida da AEP para ligar margens e criar espaços públicos

Pedro Duarte detalhou que a ambição passa por reconfigurar a atual Avenida da AEP de forma a coser o território e abrir espaço a novos usos. “A nossa intenção é 'enterrar' a atual avenida AEP para ligar as duas margens daquela zona industrial. E, assim, criarmos um grande parque de habitação, espaços empresariais, serviços e espaço público para o usufruto das comunidades. Por exemplo, espaços verdes, espaços para a prática desportiva e utilização de mobilidade suave”, frisou.

Mais polícias

A segurança foi outro ponto central da reunião entre Luís Montenegro e os autarcas do Porto e de Lisboa. Deste capítulo resultou a confirmação, valorizada por Pedro Duarte, de que o município contará com mais 80 polícias municipais e que o comando metropolitano da PSP será reforçado com mais 200 efetivos até ao final do ano.

O primeiro-ministro explicou o calendário com base nos cursos de formação em curso: “De acordo com os processos de formação que estão em curso, um terminará no final do primeiro semestre e o outro no final do ano, haverá essa produção de recursos humanos para podermos prosseguir esta política de assumir a segurança como fundamental para o bem-estar, da qualidade de vida e também da atratividade e do esforço de desenvolvimento económico dos dois territórios”, acrescentando que existirá igualmente uma “reorganização dos serviços prestados nas esquadras de Lisboa, do Porto e Setúbal, com vista a libertarmos mais 500 polícias para funções de patrulhamento”.

Na perspetiva de Montenegro, reforçar o patrulhamento e o policiamento, sobretudo onde a criminalidade é mais frequente, terá um efeito “dissuasora do crime”. Adiantou ainda que haverá margem para um “aprofundamento e desenvolvimento de soluções tecnológicas que possam apetrechar os nossos agentes com maior apoio”, visando “terem maior eficiência no seu papel preventivo e operacional”.

Pedro Duarte manifestou satisfação com a decisão, por entender que “a medida mais eficaz é ter mais polícias na rua”. E acrescentou: “Esta decisão vai ter um impacto muito positivo na vida dos portuenses. Vamos ter nas ruas de Porto um incremento muito significativo de efetivos policiais e isso, não tenho dúvidas, vai ter um efeito positivo na tranquilidade e na segurança”, concluiu o presidente da Câmara do Porto.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário