A China não é só mais um mercado relevante: é, de longe, o maior mercado automóvel do planeta - e os dados confirmam-no. Todos os anos, o país comercializa mais de 27 milhões de automóveis e fabrica mais de 34 milhões de unidades, superando a Europa e os EUA em conjunto.
É precisamente esta dimensão que o Salão Automóvel de Pequim espelha. Há 17 anos que é o maior salão do mundo e, hoje, é um ponto obrigatório no calendário anual das feiras do setor.
Neste episódio do Auto Rádio, o podcast da Razão Automóvel com o apoio do Pisca Pisca, o Joaquim Oliveira e o Miguel Dias percorrem o salão e aquilo que ele simboliza - menos pelas novidades em si e mais pelo que estas denunciam sobre o momento atual da indústria automóvel, na China e no resto do mundo.
Uma escala que impressiona
Falar do Salão de Pequim ignorando a sua dimensão seria falhar o essencial. São 380 mil m² de área de exposição (o equivalente a mais de 50 campos de futebol), com mais de 140 marcas representadas e cerca de 180 estreias mundiais.
Ainda assim, à medida que se caminha pelos pavilhões, torna-se claro que a verdadeira expressão dessa grandeza não vem dos construtores europeus ou, de forma mais ampla, dos ocidentais - vem sobretudo dos fabricantes chineses. Estarão as marcas europeias a perder influência?
Adaptar para sobreviver
Nos últimos anos, tem sido evidente a preferência crescente do cliente chinês por marcas nacionais, em detrimento das estrangeiras - e as vendas têm espelhado essa mudança. A Volkswagen viu a liderança de décadas passar para a BYD, enquanto as marcas alemãs premium, que tinham na China o seu maior mercado individual, continuam a registar quebras.
Apesar disso, as marcas ocidentais - em especial as europeias e japonesas - não desistiram. Para responderem melhor às exigências muito específicas deste mercado, avançaram com parcerias com marcas locais, procurando acesso às suas bases tecnológicas para desenvolver uma nova geração de modelos.
Em alguns casos, foram ainda mais longe e lançaram novas marcas. A Audi deixou de lado os quatro anéis para dar origem à AUDI; a Volkswagen apostou em submarcas como a Unyx e em marcas como a Jetta; e a Hyundai elevou a IONIQ ao estatuto de marca própria.
Há também exemplos como o da Renault: saiu do mercado chinês há anos, mas regressou discretamente para desenvolver o novo Twingo elétrico. Para tal, abriu um centro de desenvolvimento local, tirando partido de todo o potencial da China speed (velocidade chinesa) na criação de veículos - e assim conseguiu desenvolver o Twingo em metade do tempo (apenas dois anos).
O que se passa em Pequim já não é uma tendência para observar à distância. É a nova realidade do setor. E é precisamente isso - o que este salão expõe sobre o que está em jogo para as marcas europeias e o que poderá acontecer a seguir - que o mais recente episódio do Auto Rádio explora.
Encontro marcado no Auto Rádio para a próxima semana
Motivos não faltam, por isso, para ver/ouvir o episódio mais recente do Auto Rádio, que regressa na próxima semana às plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.
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