Ao assinalar 30 anos de percurso profissional em Portugal, o chef nepalês Tanka Sapkota volta a sublinhar a ligação profunda que mantém com o país que o recebeu em 1996.
Com um caminho construído com rigor e reconhecimentos além-fronteiras - entre eles a distinção de Cavaleiro da Ordem das Trufas e do Vinho de Alba -, o chef, responsável por casas emblemáticas como o Come Prima (recomendado no Guia Boa Cama Boa Mesa 2026), o Forno D’Oro e o Il Mercato, em Lisboa, decidiu transformar a notoriedade num gesto de retribuição.
“Viagem ao Nepal”: jantares solidários na Casa Nepalesa
“Tenho muita gratidão para com os portugueses. O maior tesouro deste povo, tal como do nepalês, é a humildade e a forma como recebem as pessoas”, afirma o chef. Como forma de agradecer, criou o ciclo “Viagem ao Nepal”: 12 jantares solidários na Casa Nepalesa (Avenida Elias Garcia 172A, Lisboa. Tel. 217979797), cuja receita reverte na totalidade, em partes iguais, para as Aldeias SOS de Portugal e do Nepal. O primeiro realiza-se esta quarta-feira, 6 de maio, e a proposta regressa com periodicidade mensal.
A Experiência: Gastronomia e Arte
Cada jantar propõe uma viagem sensorial pela cultura do Nepal. Para lá da comida, o serão inclui actuações de música e dança tradicionais, apresentadas por artistas da comunidade nepalesa residente em Portugal. “Muitos destes talentos trabalham em restauração por falta de oportunidades na sua área. Quero que o público veja o património cultural que eles têm para partilhar”, destaca Tanka Sapkota.
O menu (€50, com tudo incluído) pretende representar o Nepal no seu conjunto - incluindo a vila de Damek, onde o chef cresceu - e recorre a especiarias moídas manualmente, sem corantes artificiais. A par disso, incorpora produtos DOP portugueses escolhidos com atenção. A abertura faz-se com o cocktail “Himalayan Whisper”, que combina vinho do Porto com rum nepalês envelhecido, completados com tónica e “a essência das especiarias selvagens da montanha”.
A sequência de sabores arranca com chamuças de legumes e com o icónico “Momo”, um bolinho de massa fina de trigo recheado com frango do campo e especiarias, servido num caldo de cabrito suavemente perfumado com sinki - um espinafre selvagem proveniente da terra natal do chef, nas montanhas do Nepal.
Menu: pratos principais e harmonizações
Nos pratos principais, o destaque vai para o “Guisado de lentilhas com gengibre, coentros, óleo de mostarda e especiarias”, o “Frango do campo com avelãs e rebentos de bambu biológicos da aldeia do chef”, o “Cabrito DOP de Trás-os-Montes cozinhado com osso em lume brando e envolvido em molho de caril tradicional” e o “Javali de caça de Évora”, preparado ao longo de nove horas com cogumelos frescos e espargos verdes.
Na sobremesa, entram o clássico “Arroz-doce Khira” e o “Triveni” (manga cremosa sobre bolacha de coco, finalizada com frutos secos e lâminas de banana). O fecho faz-se com um digestivo de folhas frescas de bétele, meticulosamente preparado com pedaços de coco, caju, amendoim e sementes de funcho, acompanhado por uma carta de gratidão assinada por Tanka Sapkota. A harmonização inclui os vinhos Vinha Grande branco 2022 e tinto 2021.
Ciclo de jantares prolonga-se até 2027
Os jantares realizam-se sempre na primeira quarta-feira de cada mês, às 18h30 (com pausa no verão). Já estão confirmadas as datas de 2026: 6 de maio, 3 de junho, 2 de setembro, 7 de outubro, 4 de novembro e 2 de dezembro. Para 2027, ficam marcados 6 de janeiro, 3 de fevereiro, 3 de março, 7 de abril e 5 de maio.
“Esta é uma iniciativa muito especial para mim e que abraço com muito carinho. Poder dar a conhecer o meu país, as tradições, a cultura, os sabores e as paisagens lindas que fazem do Nepal um país extraordinário é muito emotivo”, conclui o chef, que não equaciona regressar ao Nepal e faz questão de retribuir a “bondade” do país que acolheu a si e à sua família, através do restaurante Casa Nepalesa.
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