Com a chegada de F-16 e de Mirage 2000-5 à Ucrânia - agora a operar em maior número na Força Aérea Ucraniana - torna-se fácil esquecer que, numa fase anterior, aliados ocidentais como a Eslováquia e a Polónia já tinham entregue a Kyiv parte das suas frotas de caças MiG-29 de origem soviética. Ainda assim, imagens que se tornaram virais na última semana sugerem que outro país poderá também ter concluído a transferência deste tipo de aeronave: o Azerbaijão, que está a avançar para substituir os seus MiG-29 pelos mais modernos JF-17 Thunder Block III adquiridos ao Paquistão.
O MiG-29 na Força Aérea Ucraniana após fevereiro de 2022
Mais de três anos depois do início da invasão em grande escala, no final de fevereiro de 2022, e apesar da integração de aeronaves ocidentais - como os F-16 transferidos pelos Países Baixos, Noruega e Dinamarca, e os Mirage 2000 franceses - o Mikoyan MiG-29 continua a ser um dos principais pilares operacionais da Força Aérea Ucraniana.
De acordo com vários relatos, as aeronaves de era soviética herdadas pela Ucrânia mantêm-se em serviço numa gama ampla de missões, que vai desde cobertura aérea, intercepção e escolta até às operações de ataque mais arriscadas contra alvos terrestres e apoio aéreo aproximado. Para estas tarefas, à semelhança de outras plataformas em uso, como o Su-24, Su-25 e Su-27, os MiG-29 têm sido empregados com diferentes munições fornecidas pelo Ocidente, incluindo bombas AASM com o kit HAMMER disponibilizado por França e as Small Diameter Bombs (SDB) de fabrico norte-americano.
Desgaste em combate e reforços vindos de aliados
Ainda assim, ao longo de três anos de conflito, a frota de MiG-29 sofreu desgaste e perdas em combate, um cenário atenuado tanto pela capacidade ucraniana de manutenção e sustentação como pela transferência de aeronaves por parte de aliados ocidentais - incluindo exemplares operacionais e outros destinados à canibalização para fornecimento de peças.
Segundo estimativas, Polónia e Eslováquia, em conjunto, entregaram 28 caças directamente a Kyiv a partir das suas forças aéreas. Em paralelo, estas decisões permitiram acelerar a modernização das respectivas frotas de combate: a Polónia com os novos F-35 e a Eslováquia com a aquisição de F-16 Block 70, em ambos os casos comprados à Lockheed Martin.
Indícios de MiG-29 do Azerbaijão na Ucrânia e a transição para o JF-17 Thunder Block III
Agora, à luz de imagens recentes, o Azerbaijão poderá juntar-se a essa lista. Nos últimos dias, foi observado um MiG-29 ao serviço da Força Aérea Ucraniana com o esquema de pintura distintivo anteriormente utilizado pela Força Aérea do Azerbaijão.
A fotografia, que circula há vários dias nas redes sociais, mostra um MiG-29 monoposto com marcas ucranianas, mas com um padrão de camuflagem pouco comum, armado com mísseis ar-ar R-73 de curto alcance e R-27 de médio alcance. Apesar de a imagem ter alimentado especulação, não existem indícios de manipulação - o que sustenta a hipótese de se tratar de uma das aeronaves enviadas pelo Azerbaijão para a Ucrânia, com vista a actualizações na Fábrica Estatal de Reparação de Aeronaves de Lviv. À data da invasão, a unidade estaria, alegadamente, a trabalhar em três aeronaves azeris, que se tornaram alvos prioritários de ataques russos, com o objectivo de limitar a capacidade de apoio ucraniana em tempo de guerra nas fases iniciais do conflito.
Embora não tenha sido feito qualquer anúncio oficial, Azerbaijão e Ucrânia mantêm múltiplas ligações de cooperação, como demonstram os acordos assinados desde a independência de ambos os países, que partilham o passado comum de antigas repúblicas soviéticas. Esse enquadramento terá levado Bacu a efectuar transferências pontuais de armas e equipamento para as Forças Armadas Ucranianas, ainda que de forma não oficial, tendo em conta o delicado equilíbrio de poder no Cáucaso, onde a Rússia e a Arménia continuam a ser actores centrais - sendo que esta última travou recentemente uma guerra com o Azerbaijão, antes de alcançar um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos.
Para a Força Aérea do Azerbaijão, a eventual transferência destes MiG-29 não representa uma quebra significativa de capacidades, já que as aeronaves estão em serviço há décadas, e o país é reconhecido como pioneiro no emprego operacional de veículos aéreos não tripulados, que tiveram um papel decisivo na recente guerra de Nagorno-Karabakh. Ainda assim, e conforme confirmado oficialmente, a frota de MiG-29 será em breve substituída pelos novos caças JF-17 Thunder Block III, tendo o Azerbaijão confirmado a compra de 40 unidades ao Paquistão e a intenção de as armar com várias armas de fabrico turco.
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