Teste em escala real no Feiródromo de Campanhã
Um exercício realizado nesta terça-feira colocou à prova a capacidade de resposta do Serviço Municipal de Proteção Civil do Porto e dos restantes meios de socorro perante um incidente de grande dimensão. No fim, a avaliação foi favorável.
Apesar do sol da manhã, no Feiródromo, em Campanhã, o cenário recriado era bem diferente: chuva intensa, vento forte e visibilidade reduzida, condições que levariam a uma colisão rodoviária envolvendo dois autocarros e dois automóveis, com mais de 40 vítimas. Este enquadramento serviu de base a um simulacro em escala real que reuniu PSP, Polícia Municipal, Sapadores, INEM, Serviço Municipal de Proteção Civil, entre outras entidades, com o objetivo de medir a capacidade de atuação conjunta das forças de segurança e de socorro num contexto de catástrofe.
Às 9.30 horas. o arranque foi assinalado pelo som dos foguetes. Perto dos autocarros da STCP, os gritos de quem estaria envolvido no acidente - interpretados por figurantes do Balleteatro - davam vida à encenação. Havia "pessoas apenas em pânico, outras com ferimentos ligeiros, outras com ferimentos muito graves e até mortos", tal como referido por Cristina Granja, coordenadora do simulacro e codiretora do Mestrado em Assistência Integral em Urgências e Emergências da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).
Operações no terreno e apoio às vítimas
A Rua da Estação de Contumil tornou-se o centro da operação, com a presença de membros das forças de segurança e da proteção civil, num total de mais de 100 elementos das várias entidades do Sistema Municipal de Proteção Civil do Porto. O comandante dos Sapadores, Ricardo Neto Pereira, sintetizou aquilo que se pretendia com o treino: "Promover a interligação entre as diversas instituições e, acima de tudo, sentirmos dificuldades, porque ao sentirmos dificuldades em planeamento e em cenário de exercício, depois conseguimos ter uma resposta muito mais afinada numa situação real".
No local, as vítimas que se encontravam no exterior começaram a ser assistidas de imediato, enquanto as que permaneciam presas nos veículos eram desencarceradas. Ao longo de todo o percurso de socorro - desde o terreno até ao Hospital de São João, destino dos feridos em estado mais grave - os estudantes de mestrado da FMUP prestaram apoio aos assistidos.
Posto de Comando, coordenação e balanço do simulacro da Proteção Civil do Porto
No Posto de Comando, foi colocada à prova a capacidade de resposta dos profissionais perante diferentes ocorrências, num contexto com várias entidades em simultâneo no local, "que provocavam respostas múltiplas de diversas entidades e que exigia uma resposta coordenada, próxima e eficiente", explicou Ricardo Neto Pereira.
No final, o comandante dos Sapadores do Porto fez um balanço positivo. "Estamos mais preparados, mais confiantes naquilo que é a nossa relação com o próximo, com as entidades que connosco trabalham, portanto a nível municipal este pilar de resiliência é fundamental porque resiliência é conjunta, não é apenas de uma entidade mas sim de todas as entidades que compõem o sistema municipal", declarou.
Para Gabriela Queiroz, vereadora da Proteção Civil, a mobilização de tantos meios no exercício "mostra, de facto, o compromisso de todos no sentido deste esforço coletivo de ter a cidade capacitada e preparada para uma resposta eficiente em contexto adverso". "Isso é uma coisa boa e que queremos continuar a acarinhar e incentivar. Hoje foi só um exercício, mas amanhã pode ser realidade e é para essa realidade que queremos estar preparados", frisou.
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