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Kamm 912c: o restomod que transforma o Porsche 912

Carro desportivo clássico Porsche 911 cinzento estacionado num interior com janelas amplas e luz natural.

Em 1965, quando chegou ao mercado, o Porsche 912 foi desde logo encarado como a alternativa mais em conta e menos pujante ao eterno - e mais cobiçado - 911.

Na estratégia da Porsche, fazia todo o sentido: era o modelo certo para ocupar o «espaço» entre o 356 (que terminaria a sua vida comercial nesse mesmo ano) e o 911, do qual herdava praticamente tudo o que dizia respeito à imagem exterior e à base tecnológica.

Ainda assim, a escolha de um motor boxer de quatro cilindros - em vez do boxer de seis cilindros do “irmão” 911 - depressa lhe colou, para muitos, a etiqueta de «Porsche 911 dos pobres».

Do Porsche 912 ao restomod Kamm 912c

Foi precisamente essa ideia feita que a Kamm, da Hungria, decidiu ignorar, usando um 912 como ponto de partida para um dos restomod mais impressionantes que vimos nos últimos tempos.

A preparadora de Budapeste já tinha no seu portefólio o 912c, um desportivo assente no Porsche 912 que, face ao original, é mais leve, mais rápido e mais potente. Agora, porém, a Kamm foi ainda mais longe e refinou o seu 912c em praticamente todas as frentes imagináveis.

Menos 300 kg que o 912 original

O primeiro grande passo esteve na carroçaria: partindo de um Porsche 912 de 1965, toda a estrutura exterior foi revista e passou a ser feita em fibra de carbono exposta, o que se traduziu numa queda de peso muito expressiva.

O novo Kamm 912c pesa apenas 699 kg, menos 51 kg do que o 912c original (que já estava à venda) e menos 300 kg quando comparado com o Porsche 912 de origem.

A isto junta-se uma repartição de massas muito próxima de 50:50. Além disso, a aerodinâmica foi retrabalhada com dois objetivos claros: baixar os ruídos aerodinâmicos no habitáculo e reforçar a estabilidade quando se rola a velocidades mais elevadas.

Mecânica, transmissão e interior do Kamm 912c

Debaixo da carroçaria está o conhecido boxer de quatro cilindros, com 2,0 l, do 912 E (1976), arrefecido a ar.

Aqui, contudo, foi profundamente revisto para debitar cerca de 190 cv e conseguir «gritar» até às 7200 rpm - um avanço enorme face aos 90 cv originais às modestas 4900 rpm.

A receita inclui ainda diferencial autoblocante ZF, caixa manual de cinco velocidades, travão de mão hidráulico e amortecedores ajustáveis, uma combinação pensada para fazer deste Kamm 912c um carro especialmente talhado para quem gosta de conduzir.

No habitáculo, sobressaem o ar condicionado, um sistema de infoentretenimento compatível com os telemóveis atuais e bancos em fibra de carbono.

Segundo a marca, tanto o interior como o exterior podem ser configurados ao gosto do cliente - com a possibilidade de optar por fibra de carbono exposta ou por pintura - desde que se esteja disposto a pagar.

E o preço?

E é precisamente aí que a conversa se torna séria: o Kamm 912c com carroçaria em fibra de carbono arranca nos 400 000 euros, já com um Porsche 912 dador incluído.

Caso o cliente já tenha um Porsche 912 para entregar, o valor desce para 360 000 euros.

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