O Mercedes-Benz EQA tem boa autonomia e um interior de excelência, mas o preço…
O Mercedes-Benz EQA (a par do EQB) recebeu uma atualização que trouxe mais autonomia, consumos mais eficientes, mais equipamento e pequenos ajustes estéticos.
Como seria de esperar, a fatura também subiu, embora o EQA continue a ser o elétrico mais acessível da Mercedes-Benz.
É verdade que há rivais com preços mais agressivos - e muitos deles oferecem mais espaço e maior dose de versatilidade. Ainda assim, vale a pena não riscar já o EQA, porque continua a guardar alguns argumentos fortes.
Com uma presença discreta e, ao mesmo tempo, elegante, o Mercedes-Benz EQA deixa claro ao que vem mal o vemos. A qualidade de construção está ao nível do que se exige à marca de Estugarda, os traços de design da família EQ estão lá e, acima de tudo, mantém o visual premium que muitos procuram neste segmento.
Esse carácter pode ficar ainda mais vincado com a linha exterior AMG e com o pacote Night, que retira os cromados da carroçaria e troca-os por detalhes em tons escurecidos.
Não diria que estes extras sejam indispensáveis, mas ajudam a valorizar a imagem do EQA. De série, o modelo inclui faróis LED High Performance e uma nova assinatura luminosa.
Interior em bom nível
Por dentro, a Mercedes-Benz preferiu uma evolução prudente, mantendo praticamente intacta a apresentação geral do habitáculo do EQA.
As diferenças que mais saltam à vista são o novo volante com superfícies táteis, o sistema de infoentretenimento revisto e novas molduras nas portas e no tablier.
Passamos a ter, de série, um ecrã de 10,25” com Android Auto e Apple CarPlay sem fios. Junta-se ainda a mais recente geração do sistema multimédia MBUX, que ficou mais competente em áreas como o reconhecimento de comandos por voz.
Para quem não abdica de áudio de topo - especialmente num elétrico tão silencioso como o EQA - existe agora, como opcional, um sistema Burmester com Dolby Atmos.
Aspeto premium
Também no interior, o EQA procura estar à altura do rótulo premium. Seja pelos materiais escolhidos, seja pelo rigor da montagem, este SUV elétrico compacto merece uma avaliação positiva neste ponto.
Mesmo assim, reparei em alguns plásticos mais rígidos nas zonas inferiores. Ainda assim, isso não chega a ser um reparo sério, porque a montagem é sólida e bem ajustada. Já os comandos táteis do volante, esses, não são particularmente intuitivos de usar em andamento.
Em contrapartida, os sistemas de segurança e de apoio à condução foram revistos, com destaque para as novas câmaras (frontal e traseira) com maior resolução.
Menos espaço do que no GLA
Uma das críticas que sempre apontei ao EQA prende-se com o espaço disponível, sobretudo quando o colocamos lado a lado com o seu «irmão» a combustão, o Mercedes-Benz GLA.
Neste capítulo, esta atualização pouco ou nada alterou. E, na prática, não há muito que a Mercedes-Benz consiga fazer: é uma limitação da plataforma e, em especial, da forma como a bateria é instalada, surgindo parcialmente sob os bancos traseiros.
Para garantir uma altura aceitável para a cabeça na segunda fila, a marca alemã teve de baixar bastante o banco traseiro. O resultado é uma posição de assento mais baixa, mas com os joelhos mais elevados.
Não é a postura ideal e acaba por penalizar o conforto em viagens mais longas. E o EQA não perde apenas em espaço face ao GLA: também fica atrás em versatilidade.
Enquanto no GLA os bancos traseiros podem deslizar para a frente e para trás - privilegiando espaço para ocupantes ou para bagagens - e ainda permitir inclinar o encosto, no EQA nada disso está disponível.
Ganhou autonomia, mas…
Para minha surpresa (e acredito que não seja o único), a Mercedes-Benz decidiu não mexer na capacidade das baterias do EQA, que se mantêm com capacidades líquidas de 66,5 kWh e 60,5 kWh (versões Plus, como a que experimentámos neste ensaio).
Ainda assim, graças a uma pequena melhoria no coeficiente aerodinâmico e a consumos mais baixos, a autonomia homologada deste EQA 250+ cresceu 27 km - passou de 530 km para 557 km em ciclo combinado WLTP.
São boas notícias, sem dúvida, mas fico com a sensação de que a Mercedes-Benz podia ter ido mais longe e tentado aproximar o EQA 250+ da fasquia dos 600 km de autonomia.
E os consumos?
Aqui, sim, a evolução nota-se com mais clareza: no final deste ensaio, com quase 300 km realizados, o painel de instrumentos digital indicava 16 kWh/100 km de consumo médio, mesmo com cerca de metade destes quilómetros feitos em autoestrada.
Ainda mais interessantes foram os consumos em cidade, quase sempre à volta dos 14 kWh (em modo Eco). São números bastante agradáveis para uma proposta deste tipo.
No carregamento, porém, não houve mudanças: em corrente contínua (DC) o EQA suporta até 100 kW e, em corrente alternada (AC), até 11 kW.
Para um modelo premium nesta faixa de preço, pedia-se mais. Ainda assim, a carga dos 10% aos 80% demora 35 minutos (à potência máxima).
Os 190 cv são suficientes?
A unidade testada, o EQA 250+, recorre a um motor elétrico dianteiro com 140 kW (190 cv) e 385 Nm. Isso chega para cumprir os 0 aos 100 km/h em 8,6s e para atingir 160 km/h de velocidade máxima.
Existem elétricos mais rápidos e mais potentes - e por menos dinheiro -, mas o EQA não pretende ser um desportivo. A ambição passa por ser um familiar compacto, premium e elétrico. Nessa perspetiva, os 190 cv chegam e sobram.
Em autoestrada, por exemplo, mostra estabilidade, conforto e um bom nível de refinamento. Arrisco até dizer que é o ambiente onde este elétrico se sente mais no seu elemento. Não há ruídos de motor, de rolamento ou de vento a incomodar e a condução torna-se muito relaxante.
E em cidade?
Na «selva» urbana, além dos consumos reduzidos, o EQA sobressai pela posição de condução elevada, que oferece boa visibilidade, sobretudo para a frente.
É um elétrico ágil, tranquilo e simples de conduzir. Dá até para andar quase sempre apenas com o acelerador, embora, para parar totalmente, mesmo com a regeneração no máximo, seja necessário carregar no travão.
A suspensão lida bem com as irregularidades do piso e revela-se confortável na maioria das situações. No entanto, quando aumentamos o ritmo numa estrada mais sinuosa, nota-se mais movimento da carroçaria - algo a que não serão alheios os mais de 2000 kg que anuncia.
A isto soma-se uma direção algo leve, o que dificulta perceber com precisão o que se passa no eixo dianteiro e retira alguma confiança quando queremos «atacar» curvas de forma mais decidida. É em autoestrada e em cidade que o EQA se sente claramente mais à vontade.
Quanto custa?
O Mercedes-Benz EQA arranca nos 53 950 euros na versão 250+, que considero a mais interessante, sobretudo para quem dá prioridade a uma autonomia mais elevada.
Como referi no início, há alternativas neste segmento com preços bastante mais competitivos. Ainda assim, o EQA destaca-se pela imagem exterior cuidada, por um interior premium e por uma autonomia que, embora não tenha aumentado muito, é interessante - sobretudo por vir acompanhada de consumos bem contidos, em especial em utilização citadina.
A juntar a isto, e tal como acontece em praticamente todos os modelos da Mercedes-Benz, a lista de opcionais é longa e rapidamente soma milhares de euros ao valor final.
No exemplar aqui ensaiado, por exemplo, os extras ultrapassam os 10 mil euros, algo que, na minha opinião, não se justifica numa proposta deste segmento.
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