Na Terra, o níquel é um elemento-chave para a vida das bactérias
Descoberta do NASA Perseverance na Neretva (cratera Jezero, Marte)
O rover NASA Perseverance detetou, na região Neretva da cratera Jezero, em Marte, concentrações recorde de níquel. As características e a estrutura destas ocorrências são comparáveis às de rochas terrestres formadas por atividade microbiana durante as eras Arcaica e Paleoproterozoica. Em algumas amostras, o teor de níquel atingiu cerca de 1,1% em massa - o valor mais elevado alguma vez medido diretamente em rocha marciana.
Onde o níquel foi identificado e em que tipo de rochas
A presença de níquel foi observada em 32 das 126 rochas analisadas com o instrumento SuperCam. Os valores mais altos surgiram sobretudo em rochas sedimentares de grão fino e em zonas associadas a sulfuretos com ferro e aos produtos resultantes da sua meteorização.
Porque a gequímica lembra a Terra e o papel do níquel na vida microbiana
Segundo os cientistas, a geoquímica e o aspeto destes sulfuretos ferríferos fazem lembrar a pirite presente em rochas sedimentares antigas da Terra, datadas do Arcaico e do Paleoproterozoico. Isto tem relevância porque, na Terra, o níquel é um elemento essencial para a vida microbiana, incluindo alguns dos processos metabólicos mais antigos.
Relação com enxofre reduzido e matéria orgânica: implicações e limites
Também chama a atenção o facto de as áreas com elevado teor de níquel se situarem perto de zonas onde já tinham sido detetados enxofre reduzido e matéria orgânica. Os investigadores sublinham que isto não constitui prova de vida em Marte, mas aponta para uma química complexa e para condições potencialmente favoráveis à habitabilidade no passado.
O que falta para confirmar a origem do níquel
Os autores consideram que só será possível esclarecer de forma definitiva a origem do níquel e a sua ligação à matéria orgânica após a análise, em laboratório, de uma amostra que o Perseverance já recolheu nesta área para uma futura missão de retorno de amostras marcianas à Terra.
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