À medida que os construtores automóveis procuram cortar custos e abrir caminho a novos mercados, as sinergias entre fabricantes tornaram-se cada vez mais comuns. Nos veículos comerciais, esta lógica já vem de longe - mas, desta vez, a Volkswagen entrou no mesmo jogo ao juntar-se à Ford para dar forma à nova geração da Transporter.
Foi precisamente este o contexto que permitiu colocar questões a Guido-Gordon Henco, especialista de produto do Volkswagen Transporter, durante uma mesa redonda realizada no âmbito da apresentação dinâmica do modelo em Atenas, na Grécia, sobre o que esta parceria significou e de que forma orientou o desenvolvimento desta geração.
Sem rodeios
Não é novidade que o novo Volkswagen Transporter partilha praticamente todos os elementos com o Ford Transit Custom, e Henco foi direto ao ponto: “Para ser totalmente honesto, se falarmos da origem das peças, é 100% Ford”.
A escolha de avançar por este caminho - partilhando plataforma e motorizações com um dos maiores rivais, apesar de a Transporter liderar as vendas do segmento na Europa - está sobretudo ligada a eficiência de custos e a ganhos de escala. “Explorámos diferentes opções, mas a implementação de outra solução seria demasiado dispendiosa. O nosso objetivo é ter um veículo robusto e acessível, e os motores da Ford oferecem qualidade e fiabilidade. Acreditamos que o mercado os aceitará bem”, reforçou.
Mesmo com tantas componentes em comum, a Volkswagen garante que a identidade da marca não se perdeu. “O desenvolvimento foi feito em conjunto com a Ford, mas foi fortemente influenciado pela Volkswagen”, explicou Henco.
Como exemplo, apontou as motorizações: “Nós definimos as características e discutimo-las com a Ford. No final, conseguimos uma oferta única de motorizações”. Henco detalhou ainda o bloco 2.0 Turbo Diesel, referindo que a variante de 150 cv é exclusiva da Volkswagen e não será oferecida pela Ford.
Em sentido inverso, a Volkswagen optou por abdicar da versão de 204 cv do mesmo motor, ficando o topo de gama nos 170 cv, devido à norma Euro 7. “Com o motor de 204 cv isso não seria possível no futuro”, justificou Henco.
Identidade Volkswagen
Em projetos deste tipo, nos quais a carroçaria é largamente partilhada, um dos maiores desafios costuma ser garantir que cada marca mantém uma imagem própria.
Henco salientou que houve um esforço significativo para assegurar o máximo de distinção no novo Volkswagen Transporter: “Procurámos manter a herança da geração anterior (T6). Na minha opinião, a Ford agora tem um design muito mais próximo da Volkswagen”, afirmou.
Os dois furgões são iguais do pilar B (o segundo) para trás, por imposições estruturais. Já na zona dianteira, a marca alemã conseguiu seguir uma via própria: “Temos a «linha Bulli» , que é 100% Volkswagen”, sublinhou.
Também no interior existiu margem para diferenciar. A Volkswagen desenhou a parte superior do tabliê, enquanto a secção inferior é comum ao construtor norte-americano. “Os pontos estruturais onde os ecrãs são montados são os mesmos, mas o software (gestão de frotas) é completamente diferente”, acrescentou.
E o futuro?
Ainda sem confirmações oficiais, estão a decorrer conversações com vista ao desenvolvimento de um comercial mais pequeno em parceria com a Ford. “Existem algumas ideias, mas nada está assinado”, adiantou Henco.
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