A entrada de Donald Trump na Casa Branca tem vindo a aumentar a preocupação em vários setores, com especial destaque para os construtores automóveis. Desde a vitória eleitoral, o presidente norte-americano tem repetido a intenção de avançar com tarifas de importação dirigidas a diferentes países - e, entretanto, já colocou em prática as tarifas sobre a China, fixadas em 10%.
Estava igualmente previsto que, a 4 de fevereiro, entrassem em vigor tarifas de 25% sobre importações provenientes do Canadá e do México. Porém, essa medida acabou por ser suspensa temporariamente por 30 dias.
Tarifas de Donald Trump e o setor automóvel: novas ameaças e datas-chave
A União Europeia (UE) também passou a constar do “radar” do novo presidente dos EUA. Donald Trump já tinha apontado a possibilidade de impor tarifas comerciais ao bloco europeu, justificando que seria “a única maneira de ter justiça”.
Mais recentemente, Trump voltou ao tema com um foco particular na indústria automóvel, admitindo a hipótese de aplicar novas tarifas que poderão chegar aos 25%. Ainda assim, o presidente indicou que os pormenores só serão conhecidos a 2 de abril.
Mas afinal o que está a acontecer?
A lógica invocada para a aplicação de tarifas sobre automóveis importados assenta, também, na ideia de que os EUA estariam a ser tratados de forma injusta em mercados externos.
Um dos exemplos mais citados é o da diferença de taxas atualmente praticadas: a União Europeia aplica uma tarifa de 10% aos automóveis provenientes dos EUA, ao passo que os EUA cobram 2,5% aos automóveis vindos da União Europeia.
Perante este desfasamento, surgiram notícias na imprensa internacional a sugerir que a UE poderia estar a ponderar baixar as tarifas sobre automóveis de origem norte-americana. Essa possibilidade, no entanto, foi negada pela Comissão Europeia.
Sobre a “assimetria entre tarifas”, a Comissão esclareceu que “a estrutura das tarifas varia entre economias, algumas das tarifas da UE são mais altas e outras são mais baixas do que as dos EUA. Enquanto a UE impõe tarifas generalizadas para os automóveis de 10%, os EUA cobram tarifas de 25% às pick-up, um dos segmentos de maior importância no mercado norte-americano”.
Até ao momento, a reação oficial da UE limitou-se a afirmar que, se as ameaças se concretizarem, “vai responder de forma firme”, sublinhando, ao mesmo tempo, abertura para negociar. “A UE vai agir para salvaguardar os seus interesses económicos. Protegeremos os nossos trabalhadores, empresas e consumidores”, declarou Ursula von der Leyen, presidente da CE.
México e Canadá: uma negociação com vários dossiês
No caso do México e do Canadá, o enquadramento é descrito como mais intricado. Para além da componente ligada à importação de automóveis e de outros bens, entram também em jogo temas associados à imigração e ao tráfico de fentanil.
O que já está decidido?
Para já, as únicas tarifas efetivamente em vigor são as que incidem sobre a China, no valor de 10% - tal como referido acima - e que começaram a aplicar-se a 4 de fevereiro. Em retaliação, a China avançou com tarifas adicionais sobre vários produtos norte-americanos, incluindo 15% sobre o carvão e o gás natural liquefeito e 10% sobre o petróleo bruto e máquinas agrícolas.
Além disso, a partir de 12 de março, passarão a aplicar-se tarifas de 25% a todo o aço e alumínio importado, independentemente do país de origem.
Os construtores estrangeiros não são os únicos a sentir o efeito das tarifas norte-americanas. Jim Farley, diretor executivo da Ford, alertou: “Não há dúvidas de que as tarifas, se prolongadas, irão ter um enorme impacto na nossa indústria, eliminando milhares de milhões de dólares em lucros, bem como em toda a cadeia de valor da nossa indústria. Tarifas significam preços mais altos para os clientes“.
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