Entre ervas altas, arbustos cerrados e recantos sombrios, pequenos parasitas à espera de sangue aguardam pelo próximo hospedeiro. As carraças dão-se especialmente bem com certas estruturas do jardim - e algumas plantas acabam por lhes oferecer exactamente o ambiente de que precisam. Saber que tipos de vegetação tendem a atrair carraças e quais são menos convidativos pode reduzir de forma clara o risco.
Porque é que as carraças acham os jardins tão apelativos
As carraças não são insectos, mas sim aracnídeos. Medem apenas alguns milímetros, mais ou menos o tamanho de um caroço de maçã; têm corpo achatado, oval e uma tonalidade que varia do castanho ao avermelhado. Para sobreviver, precisam sobretudo de duas coisas: humidade e abrigo contra a luz solar directa - condições que, surpreendentemente, estão presentes com frequência num jardim familiar típico.
"As carraças não estão no topo das árvores; ficam à espreita junto ao chão - em relva, folhas caídas e vegetação densa."
Quando uma pessoa ou um animal passa e roça na vegetação, elas agarram-se com facilidade. Nessa altura podem transmitir agentes patogénicos como as borrelias (responsáveis pela borreliose de Lyme). Por isso, um jardim que parece “limpo” não significa, por si só, ausência de risco.
Estas plantas e estruturas atraem especialmente as carraças
Na prática, não é tanto uma espécie isolada que funciona como íman, mas sim o tipo de cobertura vegetal e o microclima que ela cria. Há zonas de jardim que, por serem mais húmidas e protegidas, se tornam mais críticas.
Relva alta e prados sem corte
As carraças preferem relva alta e pouco aparada. Perto do solo, o ambiente mantém-se húmido e fresco - ideal para a sua sobrevivência.
- relvados por cortar nas extremidades do terreno
- faixas de prado “selvagem” que quase não são aparadas
- ervas altas ao longo de vedações ou muros
Nestes locais, é comum encontrá-las junto às pontas dos caules, à espera de passagem.
Arbustos densos, sebes e silvados de bagas
Arbustos muito fechados e pouco arejados criam sombra e retêm água - exactamente o tipo de abrigo em que as carraças se escondem.
- sebes compactas de alfeneiro, loureiro-cereja ou coníferas
- arbustos de bagas deixados ao abandono, como silvas (amoras) ou framboeseiras
- arbustos de vários troncos, com muita madeira morta e pouca entrada de luz
Entre os ramos e no chão por baixo dos arbustos forma-se frequentemente um microclima húmido, onde as carraças conseguem aguentar-se bem.
Fetos e zonas de herbáceas perenes à sombra
O feto é ornamental, mas costuma formar tufos densos e, quase sempre, em locais sombrios. Esta combinação - muita massa foliar, ar fresco e pouca incidência solar - é particularmente favorável às carraças.
O mesmo se aplica a outras herbáceas perenes de folha grande em recantos com pouca luz (por exemplo, num talude a norte ou debaixo de árvores): se a manutenção for rara, esses locais podem transformar-se em esconderijos ideais.
Coníferas e sebes muito compactas
Coníferas como píceas ou abetos, sobretudo quando mantêm ramos densos até ao nível do chão, oferecem bons refúgios. No solo, as agulhas acumulam-se numa camada espessa que conserva a humidade durante muito tempo.
Em especial, sebes de coníferas plantadas de forma muito apertada criam “corredores” com humidade elevada e persistente - muitas vezes mesmo junto à vedação - o que favorece a presença de carraças.
Árvores de fruto, folhas caídas e pilhas de lenha
As árvores de fruto não atraem carraças por causa dos frutos, mas sim pelo que costuma existir à sua volta:
- a folha caída que fica no chão forma uma camada húmida
- bases das árvores sem limpeza, com relva, folhas e ramos, multiplicam os esconderijos
- pilhas de lenha, compostores ou montes de ramos nas proximidades intensificam o efeito
Em montes de folhas, sob ramos e dentro de pilhas de madeira, o ambiente mantém-se fresco e húmido - e assim as carraças suportam muito melhor os períodos de calor.
Onde, no jardim, as carraças costumam estar com mais frequência
Há áreas que apresentam maior probabilidade de albergar carraças, mesmo quando parecem bem tratadas.
- margens de caminhos e canteiros onde a relva cresce mais alta
- zonas de transição entre relvado curto e áreas mais “selvagens”
- locais sombrios sob árvores e arbustos
- áreas junto a limites com bosque ou campo
- depressões húmidas, bordas de lago e zonas com drenagem deficiente
- áreas de brincadeira e de estar muito próximas de arbustos ou sebes
"Quanto mais húmido e sombrio for um canto do jardim, maior é a probabilidade de lá encontrar carraças."
Estas plantas ajudam a manter as carraças à distância
Existem plantas cujo aroma tende a ser evitado pelas carraças. Não substituem medidas de protecção, mas podem funcionar como uma barreira adicional.
Ervas aromáticas com cheiro intenso
Sobretudo os óleos essenciais têm um efeito dissuasor em muitos parasitas. Entre as opções mais referidas estão:
- lavanda
- alecrim
- tomilho
- erva-cidreira
- losna (absinto)
- pelargónio aromático com aroma a limão
Estas plantas resultam bem junto a terraços, zonas de estar ou ao longo de passagens usadas com frequência. Um canteiro de aromáticas perto de áreas de brincadeira ou de churrasco pode reduzir um pouco a pressão de carraças.
Como criar barreiras com estas plantas
Locais onde faz sentido instalar “barreiras aromáticas”:
- faixa de separação entre uma zona mais bravia e o relvado curto
- canteiros ao longo de caminhos e terraços
- contorno de caixas de areia ou equipamentos de brincar
- perto de entradas da casa ou da porta principal
Importante: estas plantas não eliminam carraças por completo; apenas alteram o ambiente em certa medida. Sem manutenção regular do jardim, o risco continua.
Como desenhar o jardim para que as carraças se sintam desconfortáveis
Com medidas consistentes, é possível diminuir de forma significativa o número de carraças.
Manutenção e limpeza nos pontos certos
- cortar o relvado com regularidade, sobretudo nas extremidades
- remover folhas no outono e na primavera, principalmente debaixo de arbustos
- manter curta a relva e as ervas espontâneas ao longo de caminhos
- desbastar arbustos para deixar entrar mais luz no solo
- não colocar pilhas de lenha e montes de ramos mesmo ao lado de zonas de estar ou de brincar
Até um limite nítido e baixo entre o relvado e a sebe - por exemplo, uma faixa de gravilha - pode impedir que as carraças cheguem demasiado perto do terraço ou da caixa de areia.
Gerir de forma direccionada as zonas húmidas
A humidade é essencial para as carraças. Ao reduzir locais encharcados, reduz-se também o seu habitat:
- drenar poças e depressões que se mantêm permanentemente molhadas
- ajustar a rega para não criar margens constantemente húmidas
- manter especialmente curta e aberta a vegetação junto a lagoas onde as crianças brincam
Protecção das pessoas: como agir no próprio jardim
Mesmo num espaço privado, vale a pena adoptar protecção pessoal - sobretudo em zonas de maior risco.
- usar roupa clara, mangas compridas e calças compridas
- puxar as meias por cima das pernas das calças ao atravessar relva alta
- aplicar spray anti-carraças na pele e na roupa, junto ao corpo
- após a jardinagem, inspeccionar cuidadosamente o corpo e a roupa
"Quem encontra e remove uma carraça cedo reduz de forma clara o risco de transmissão de doenças."
Para retirar, são úteis cartões ou pinças próprias para carraças, disponíveis na farmácia. Deve agarrar a carraça o mais junto possível da pele e puxar devagar, em linha recta. Não utilizar óleos, cremes nem colas.
Se, ainda assim, acontecer uma picada
Depois de uma picada, assinale ou fotografe o local e observe-o nos dias seguintes. Se surgir uma vermelhidão em forma de anel, febre ou cansaço intenso, uma consulta médica ajuda a esclarecer a situação. Muitas infecções podem ser tratadas precocemente com antibióticos.
Outros riscos e combinações úteis no jardim
As carraças raramente aparecem “sozinhas”: onde o ambiente lhes é favorável, costuma haver também muitos ratos, aves e outros animais selvagens que as transportam para o jardim. Ao colocar comedouros para aves mesmo ao lado do terraço ou da varanda, pode estar a aproximar indirectamente mais carraças da casa. Manter alguma distância entre o comedouro e a zona de estar reduz esse risco.
A maior eficácia vem da combinação de várias estratégias: manutenção orientada do jardim, plantas aromáticas nos locais certos, transições bem definidas entre relvado e áreas bravas e protecção pessoal consistente. Assim, o jardim continua a ser um espaço de descanso - e não um campo minado de carraças.
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