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Vay quer desafiar a Uber com carros teleconduzidos

Carro desportivo elétrico azul metálico estacionado em ambiente urbano moderno, junto a estação de carregamento.

Imagine que, com um clique, abre uma aplicação e pede um carro que aparece à sua porta sem ninguém ao volante. É desta forma que a Vay, uma empresa emergente com sede em Berlim, quer desafiar a Uber: com automóveis teleconduzidos.

Os primeiros veículos teleconduzidos da Vay já circulam na via pública - em particular em Las Vegas (EUA) - onde já asseguram um serviço individual de transporte.

É isso mesmo: teleconduzidos

Para não restarem dúvidas: isto não é condução autónoma, é telecondução. Existe um operador remoto que conduz o carro até ao local onde está o cliente. Depois de uma breve saudação, esse operador entrega-lhe o controlo e passa a ser o utilizador a conduzir.

Ao chegar ao destino, o telecondutor retoma totalmente a condução do veículo e segue para o pedido seguinte. Se for preciso, também pode solicitar que, por exemplo, estacionem por si.

Tudo isto acontece enquanto o telecondutor - um motorista à distância - permanece sentado num posto de comando, a controlar o automóvel com comandos muito semelhantes aos de simuladores de condução, como se pode ver na imagem.

Ao contrário de empresas como a Uber ou a Waymo, a Vay não assenta num serviço tradicional de partilha de carros nem numa proposta de robô-táxi. A empresa, que já captou cerca de 110 milhões de euros em investimento, apresenta-se como um serviço de mobilidade suportado por telecondutores.

Mais de 5000 viagens realizadas

Thomas von der Ohe, cofundador e diretor executivo da Vay, será o protagonista da conferência “O software que alimenta a tecnologia sem condutor e os carros autónomos”, na Web Summit 2024, moderada por Diogo Teixeira, responsável editorial da Razão Automóvel. Podem assistir a esta conferência aqui.

Durante a sua passagem por Portugal, von der Ohe contou-nos que a empresa já efetuou “mais de 5000 viagens com telecondutores, sem nenhum tipo de incidente”. Uma afirmação que acompanhou com um sorriso e três batidas numa mesa de madeira.

“Somos a próxima geração de aluguer de automóveis e de partilha de carros”, disse von der Ohe, depois de confirmar que a Vay já tem autorização para testar a tecnologia numa região de Hamburgo, no norte da Alemanha, e que já está a operar uma espécie de «beta pública» nas principais ruas de Las Vegas.

"Somos a única empresa autorizada a fazer testes na Europa sem nenhum condutor dentro do carro."

  • Thomas von der Ohe, co-fundador e CEO da Vay

Se, na Alemanha, os testes autorizados ainda não incluem um serviço aberto ao público, em Las Vegas a licença obtida permite à Vay operar com poucas restrições. Para já, a operação ainda é reduzida: a empresa tem atualmente 16 carros a circular em Las Vegas, todos KIA Niro EV, ao abrigo de uma parceria com o fabricante sul-coreano.

A Vay fechou também um acordo com a Peugeot, para vir a utilizar no futuro modelos E-308. Além disso, em teoria, qualquer automóvel elétrico equipado com sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) pode ser convertido para permitir este tipo de utilização.

E o preço?

Também neste ponto, Thomas von der Ohe mostra-se confiante: “conseguimos custos de operação mais baixos porque os telecondutores apenas conduzem durante breves momentos”, ao contrário do que acontece em soluções mais convencionais, onde os motoristas estão permanentemente «ligados».

Para que não haja dúvidas, a mensagem no sítio oficial da Vay é direta: “Metade do preço da Uber. Garantido”. Será esta a próxima revolução no transporte público individual?


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