Saltar para o conteúdo

Anthropic publica um novo método para avaliar o impacto da IA no emprego

Pessoa a analisar gráficos no computador e em folha impressa numa mesa com objetos pessoais e cadernos.

A Anthropic divulgou um novo método para avaliar o impacto da inteligência artificial no emprego. A proposta não se baseia apenas em dados teóricos sobre o desempenho da IA, mas também em informação sobre a forma como a tecnologia está efectivamente a ser utilizada.

Com a adopção da IA a acelerar em vários sectores, cresce a preocupação sobre o que isso poderá significar para o trabalho. Para ajudar a responder a estas dúvidas, a Anthropic publicou os detalhes de uma metodologia que estima a exposição de diferentes profissões, combinando pressupostos teóricos com dados reais obtidos a partir da análise da utilização do Claude e da API da Anthropic. Ao contrário de algumas análises que calculam a exposição de um emprego apenas com base na capacidade da IA para substituir pessoas em determinadas tarefas, a empresa chama a atenção para possíveis diferenças entre aquilo que a inteligência artificial conseguiria fazer em teoria e aquilo que acaba por acontecer na prática.

Como a metodologia da Anthropic mede a exposição da IA no emprego

A razão, segundo a Anthropic, é que o caminho entre potencial e adopção nem sempre é directo: “Certaines tâches théoriquement possibles peuvent ne pas apparaître dans l’utilisation en raison des limites du modèle. D’autres peuvent être lentes à se diffuser en raison de contraintes juridiques, d’exigences logicielles spécifiques, d’étapes de vérification humaine ou d’autres obstacles”.

Assim, o novo cálculo procura reflectir dois planos ao mesmo tempo: por um lado, a capacidade teórica da IA para automatizar tarefas associadas a uma profissão; por outro, sinais de uso real recolhidos a partir dos seus próprios produtos.

Capacidades teóricas vs. uso real: onde surge o desfasamento

De acordo com a empresa, é precisamente aqui que pode existir um fosso relevante. No gráfico referido pela Anthropic, esse desfasamento é apresentado ao comparar as capacidades teóricas da IA para uma profissão (a azul) com a exposição real dessa profissão à automação com inteligência artificial (a vermelho).

As profissões mais expostas, segundo a Anthropic

A Anthropic enquadra o trabalho como um passo para monitorizar melhor a evolução do mercado: “Notre objectif est de mettre en place une méthode permettant de mesurer l’impact de l’IA sur l’emploi et de réexaminer régulièrement ces analyses”. Ao mesmo tempo, reconhece limites: “Cette approche ne permettra pas de saisir tous les canaux par lesquels l’IA pourrait remodeler le marché du travail”.

Ainda assim, a empresa já partilhou uma lista das profissões mais expostas com base nesta metodologia. No topo surgem os programadores informáticos, seguidos pelos representantes de serviço ao cliente.

A análise identifica também um conjunto de profissões com menor risco - que representa 30 % dos trabalhadores - cujas tarefas aparecem com pouca frequência nos dados considerados, ficando por isso na parte inferior da tabela. Este grupo inclui ocupações como cozinheiro, mecânicos de motas, nadadores-salvadores e barmen.

Por fim, a Anthropic diz esperar que este método ajude a detectar de forma fiável futuras perturbações económicas “avant que des effets significatifs ne se manifestent”. No seu entendimento, os impactos económicos ligados ao uso da IA poderão não ser repentinos, como os provocados pela COVID, mas aproximar-se mais das mudanças trazidas pela internet ou pelo comércio com a China.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário