Resultados da REN no primeiro trimestre de 2026: lucros, EBITDA e fiscalidade
A REN - Redes Energéticas Nacionais encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucros de €36,2 milhões, o que representa um aumento de 151% (+€21,8 milhões) quando comparado com os €14,4 milhões apurados no mesmo período do ano anterior. A empresa atribui a evolução do resultado líquido à subida de 11,1% do EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), à redução da carga fiscal (menos €9,9 milhões) - em grande medida explicada pela eliminação do pagamento da Contribuição Extraordinária sobre o Setor Energético (CESE) nos ativos de gás (menos €10 milhões) - e ao reconhecimento de ganhos associados a decisões favoráveis no processo legal da CESE de 2022 da Portgás (menos €4,1 milhões).
Num comunicado remetido à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a REN detalha que, entre janeiro e março, o EBITDA somou €143,2 milhões, refletindo um aumento de €14,3 milhões face ao período homólogo de 2025. Este crescimento resulta de um desempenho favorável quer na atividade doméstica (+€13,1 milhões), quer na atividade internacional (+€1,2 milhões).
Investimento e custos operacionais: impacto de projetos e reforço de equipas
No que toca ao investimento, a empresa reporta €48,5 milhões, o que traduz um recuo de 30% relativamente ao valor homólogo (€69,1 milhões). Também as transferências para a base de ativos regulados (RAB) baixaram para €3,1 milhões (menos €16,6 milhões em termos homólogos). Sobre esta evolução, a REN assinala: "Este decréscimo é, em parte, consequência de atrasos que alguns projetos sofreram com as tempestades do início do ano", conforme indicado no mesmo comunicado.
Os custos operacionais fixaram-se em €29,3 milhões, correspondendo a uma subida de 4,2%. Esta variação decorre sobretudo do aumento de despesas com consultoria e serviços de terceiros e dos custos com sistemas de tecnologias de informação (mais €800 mil). O acréscimo acompanha ainda a expansão do quadro de pessoal (+2%, alcançando 772 colaboradores em março de 2026), impulsionada pelo reforço das áreas operacionais.
Dívida e indicadores do sistema energético: eletricidade, renováveis e gás natural
A dívida líquida situou-se em quase €2.391 milhões, representando um aumento de 2,4% face ao primeiro trimestre de 2025. Sem considerar o impacto dos desvios tarifários, a empresa indica que a dívida teria subido €126 milhões, ficando nos €2.367 milhões. Já o custo médio da dívida desceu para 2,43%.
No plano do sistema elétrico, a REN refere: "Nos primeiros três meses de 2026, o consumo de eletricidade atingiu os 14,6 TWh em Portugal, o valor mais elevado de sempre para um primeiro trimestre, ultrapassando o anterior máximo, de 14,1 TWh registado em 2025, em 3,8%, ou 3,9% com correção de temperatura e dias úteis".
Ainda no primeiro trimestre, a produção renovável assegurou 80% do consumo a nível nacional, com a hidroelétrica a pesar 38%, a eólica 32%, a fotovoltaica 6% e a biomassa 4%. Apesar de ter sido impulsionada por restrições no sistema nacional na sequência dos efeitos da depressão Kristin, a produção a gás natural não foi além de 16% do consumo.
No segmento do gás, mantém-se a trajetória de aumento observada nos últimos meses, com uma variação homóloga, em março, de 10,3%. Sobre este ponto, a empresa sublinha: "Este valor resulta do crescimento verificado no segmento de produção de energia elétrica".
Quanto ao abastecimento do sistema nacional de gás, este foi feito sobretudo a partir do terminal de GNL de Sines, responsável por 97% do consumo nacional. O fluxo através da interligação com Espanha representou os restantes 3% do consumo.
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