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Pentágono deixa o E-7A Wedgetail da USAF sem fundos no orçamento 2027 e reabre o debate sobre o E-3 Sentry

Homem analisa modelos de aviões numa sala de reuniões com vista para o Capitólio dos EUA.

O futuro do programa E-7A Wedgetail da Força Aérea dos EUA (USAF) entrou novamente num terreno de incerteza depois de o Pentágono não ter reservado verbas na proposta de orçamento de 2027. A ausência de financiamento volta a colocar no centro do debate a substituição dos aviões de alerta antecipado E-3 Sentry e antecipa uma nova ronda de discussão com o Congresso sobre a continuidade da aeronave desenvolvida pela Boeing.

Apesar disso, de acordo com o que foi divulgado, a Força Aérea dos EUA mantém o trabalho em curso na construção de protótipos do E-7A Wedgetail, em linha com o que o Congresso definiu no orçamento do ano fiscal de 2026. Neste enquadramento, o secretário da Força Aérea, Troy Meink, indicou que haverá uma “discussão” com os legisladores sobre o rumo de longo prazo do programa, embora, até ao momento, não existam decisões concretas sobre um financiamento sustentado.

Orçamento de 2027 e o futuro do programa E-7A Wedgetail

As dúvidas em torno do programa ganharam ainda mais visibilidade com a falta de verbas na proposta orçamental de 2027, um desfecho que não surpreendeu totalmente. Em fevereiro, durante o simpósio de guerra da Air & Space Forces Association (AFA), Meink já tinha evitado comprometer-se com uma trajectória de longo curso e sublinhou que a entrega de um plano ao Congresso não significa, automaticamente, a sua inscrição no orçamento: “Por certo, ‘entregar um plano’ não significa que o vamos incluir no orçamento. Entregaremos um plano sobre o que é preciso fazer e, depois, teremos uma discussão”, afirmou.

Debate estratégico e risco de depender mais de aliados

As reservas sobre o Wedgetail foram também reflectidas pelo tenente-general na reserva S. Clinton Hinote, antigo responsável pelo planeamento do futuro da Força Aérea, durante um painel realizado a 22 de abril no Center for a New American Security. “A grande discussão que tínhamos enquanto preparávamos a Força Aérea do futuro era se perdemos a janela, isto é, se perdemos a oportunidade de substituir o E-3 por outra aeronave, sabendo que, no futuro, distribuiríamos os sensores”, disse Hinote, acrescentando que “francamente, penso que essa discussão continua a ser válida hoje”.

O ex-oficial avisou ainda que a Força Aérea pode acabar por não comprar o número de aeronaves E-7 necessário, o que implicaria uma dependência acrescida de capacidades de países aliados. Nessa linha, admitiu a possibilidade de recorrer a plataformas operadas pela Austrália e pelo Reino Unido para coordenar operações aéreas em cenários futuros, salientando o papel que estes sistemas podem desempenhar na condução e gestão do combate aéreo.

Um exemplo recente desse tipo de capacidade foi observado no início de março, quando a Austrália destacaria um E-7 para o Médio Oriente no âmbito da Operação Epic Fury. A aeronave foi utilizada para apoiar os Emirados Árabes Unidos na defesa contra mísseis e drones iranianos, demonstrando a utilidade operacional destas plataformas em ambientes de ameaça elevada.

Impacto internacional e braço-de-ferro com o Congresso

Este quadro de indefinição surge num contexto mais amplo, que já tinha afectado decisões internacionais associadas ao E-7 Wedgetail. Em novembro de 2025, a NATO afastou a aquisição desta plataforma como substituta dos seus E-3A Sentry, na sequência da retirada dos Estados Unidos do programa. Essa saída contribuiu para a suspensão da compra por vários países aliados, ao perder suporte estratégico e financeiro.

Ainda assim, o Congresso norte-americano deu sinais de apoio ao programa em momentos recentes, nomeadamente durante a tramitação da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) de dezembro de 2025. Nesse processo, a Câmara dos Representantes incluiu disposições destinadas a impedir o cancelamento do E-7 Wedgetail, consolidando um confronto institucional que continua a influenciar o destino desta capacidade crítica de alerta antecipado e controlo aerotransportado.

Imagens a título ilustrativo.

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