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Triade nuclear chinesa: JL-1, JL-3, DF-31BJ, DF-61 e DF-5C desfilam em Pequim no Dia da Vitória

Carroças militares com mísseis nucleares exibidas numa parada em praça histórica na China.

O imponente desfile realizado a 3 de setembro, em Pequim, assinalou não só o ponto alto das celebrações do Dia da Vitória - ocasião em que a China recorda a rendição do Japão e o fim da Segunda Guerra Mundial - como também serviu de montra às capacidades crescentes do Exército de Libertação Popular (PLA) em todos os domínios e valências militares. Em paralelo, sublinhou-se que foi a primeira vez que o Gigante Asiático exibiu publicamente ao mundo os elementos que compõem a sua triade nuclear, assente no emprego de mísseis balísticos de diferentes alcances e tipologias, passíveis de serem lançados a partir de plataformas terrestres, navais e aéreas, transmitindo uma mensagem inequívoca de dissuasão.

No vasto debate em torno do desenvolvimento e do potencial emprego de armamento nuclear, há um ponto essencial a reter: produzir ogivas, por si só, pouco significa se não existirem plataformas e capacidades aéreas, terrestres e navais que permitam a sua utilização e projeção, garantindo uma dissuasão nuclear credível.

À semelhança de outras potências ocidentais, a República Popular da China agrega as suas capacidades de dissuasão através dos ramos do Exército de Libertação Popular que dispõem de plataformas para o lançamento de mísseis balísticos, concretamente: a Força Aérea, a Marinha e a Força de Foguetes do PLA, cada uma orientada para o seu domínio específico.

Graças ao desfile de 3 de setembro, o PLA apresentou os mísseis que integram esta triade nuclear e que podem ser empregues a partir de silos terrestres, lançadores móveis, bombardeiros estratégicos e submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos. Em seguida, deixamos uma breve lista do que foi observado em Pequim nos últimos dias.

Míssil Balístico Lançado do Ar (ALBM) JL-1

O primeiro componente da triade nuclear chinesa a surgir no desfile do Dia da Vitória foi o JL-1 “Jīng Léi-Yī” (não confundir com o JL-1, ou Jù Làng-1, míssil lançado de submarino), tratando-se de um míssil balístico lançado do ar (ALBM).

De acordo com fontes chinesas, a plataforma de lançamento é o bombardeiro estratégico H-6N ao serviço da Força Aérea do PLA, em linha com a tendência - cada vez mais visível nas grandes potências - de converter este tipo de aeronave em vector de lançamento de mísseis de cruzeiro e balísticos. Ainda assim, os meios oficiais e semi-oficiais chineses não detalharam outras características ou capacidades deste míssil.

Míssil Lançado de Submarino JL-3

Após a passagem do JL-1 em frente à tribuna, foi a vez de aparecer o míssil lançado de submarino JL-3, utilizado como principal armamento nuclear dos submarinos de propulsão nuclear Type 094 da Marinha do PLA e, numa perspetiva futura, também do seu sucessor ainda em desenvolvimento, o Type 096 (designação NATO: classe Tang).

Com base nas informações conhecidas até ao momento, este míssil balístico intercontinental de combustível sólido terá um alcance aproximado de 9.000 quilómetros e capacidade para transportar ogivas do tipo MIRV. O primeiro lançamento registado ocorreu há alguns anos, quando foram detetados três disparos de teste em 2018 a partir do submarino de ensaios Type 032, usado pela força como plataforma experimental para avaliação e validação de novas capacidades.

Mísseis Lançados de Terra DF-31BJ e DF-61

De seguida, desfilaram as plataformas móveis de lançamento de mísseis balísticos da Força de Foguetes do Exército de Libertação Popular, transportando os DF-31BJ e o novo DF-61.

A presença destes dois mísseis montados em TEL 8×8 (Transportador-Erector-Lançador) evidencia, desde logo, o grau de aperfeiçoamento a que a triade nuclear chinesa tem sido sujeita. Presume-se que o DF-31BJ seja uma versão melhorada do DF-31AG, apresentado num desfile militar anterior, em 2017.

Já a grande novidade foi a apresentação oficial do novo DF-61, que poderá corresponder a uma versão aperfeiçoada do DF-41 ou ao seu sucessor, com um aumento significativo do alcance que, segundo estimativas ocidentais, rondará os 15.000 quilómetros. Acresce ainda a capacidade de transportar um maior número de ogivas do tipo MIRV, até catorze, face às dez do seu antecessor.

Míssil Balístico Intercontinental DF-5C

A encerrar o desfile terrestre e aéreo, surgiu o míssil balístico intercontinental DF-5C, a versão mais moderna deste míssil lançado a partir de silos terrestres. Trata-se, possivelmente, da variante mais avançada deste míssil de segunda geração, de dois andares, originalmente desenvolvido pela China durante a década de 1960 e introduzido ao serviço no início da década de 1980.

De combustível líquido, fontes chinesas apontam para a capacidade de atingir qualquer ponto do globo, embora sem especificar o alcance, que - após a evolução e o refinamento do projeto e das capacidades - poderá situar-se entre 13.000 e 16.000 quilómetros, ou até acima.

Créditos fotográficos a quem de direito

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