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Como proteger o comedouro para aves dos esquilos no jardim

Esquilo na cerca observa pássaros a alimentarem-se enquanto pessoa segura comedouro no jardim ensolarado.

Alimenta-se - e, no fim, quem acaba por fazer a festa é o buffet dos esquilos. Com alguns ajustes simples, dá para evitar isso.

Quem tem um comedouro para aves no jardim ou na varanda conhece bem a cena: mal se repõe a comida, já aparece o primeiro esquilo a explorar o “restaurante”. Estes roedores, ágeis e persistentes, tornam-se rapidamente clientes habituais - e as aves ficam a ver navios. Com um local bem escolhido, barreiras eficazes, alguma tecnologia e truques fáceis, é possível controlar a situação.

Localização: onde o comedouro fica realmente protegido

Muitas vezes, é o sítio que determina se quem ganha o lanche são as aves ou os esquilos. Estes animais saltam longe e com grande destreza: em média, conseguem cerca de 1,5 metros na horizontal e mais de 3 metros para baixo. Se o comedouro estiver mal colocado, está-se a facilitar-lhes a tarefa.

Um comedouro bem posicionado deve ficar:

  • a pelo menos 3 a 4 metros de árvores, vedações, muros e anexos
  • num ponto aberto do jardim, sem ficar directamente sob ramos salientes
  • sobre um poste liso de metal com, no mínimo, 1,80 metros de altura

Em postes de madeira ou de plástico, os esquilos sobem quase sem esforço. Já um poste metálico liso, afastado de tudo o que possa servir de “trampolim”, obriga-os a recuar. Se houver pomar ou canteiros muito densos por perto, convém garantir que nenhum ramo ou arbusto se aproxima do comedouro.

O vento também conta. Se, com rajadas fortes, o comedouro oscilar muito, pode acabar por balançar até ficar ao alcance de um ramo. O ideal é colocá-lo ou pendurá-lo num local visível a partir de casa, mas estável o suficiente para não funcionar como um pêndulo.

"A regra mais importante: o comedouro precisa de uma espécie de “zona de segurança” - à volta, o mais possível, não deve haver nada de onde os esquilos possam saltar."

Barreiras de protecção: o que impede os esquilos de trepar

Uma solução clássica contra estes roedores são os chamados deflectores (baffles), ou seja, peças de protecção que bloqueiam a subida. Normalmente têm forma de funil grande ou cilindro e são instalados no poste ou acima de um comedouro suspenso.

Tipos de deflector (baffle) disponíveis

  • Deflectores para poste: montam-se num poste metálico liso, a cerca de um metro de altura. O esquilo escorrega e não consegue continuar a subir.
  • Deflectores suspensos: ficam por cima do comedouro e travam os roedores que tentam cair de cima.
  • Deflectores de cobertura total: envolvem completamente o poste para não existir nenhuma abertura por onde os animais se possam esgueirar.
  • Modelos “torpedo”: versões mais aerodinâmicas, especialmente adequadas para comedouros pendurados.

Não vale a pena poupar nos materiais. Plástico fino tende a ficar quebradiço com o calor do verão e pode rachar no inverno. Para durar muitos anos ao ar livre, resultam melhor modelos robustos em metal ou versões espessas de policarbonato.

Outra alternativa são comedouros com gaiola. Aqui, o cilindro de alimento fica protegido por uma grelha metálica com malha suficientemente apertada para as pequenas aves passeriformes passarem sem dificuldade, enquanto os esquilos ficam do lado de fora. É uma opção muito prática em jardins mais naturais, onde circulam várias espécies.

Soluções técnicas: quando o comedouro “pensa” por si

Nos últimos anos, multiplicaram-se os comedouros “à prova de esquilos”. Funcionam com base no peso, no movimento ou numa construção específica. Eis um resumo:

Tipo de comedouro Como funciona Eficácia Indicado para
Controlado por peso As aberturas de alimento fecham quando um animal mais pesado se apoia Muito alta A maioria das aves de jardim
Comedouro com gaiola A grelha metálica afasta animais maiores Alta Pequenas aves passeriformes
Comedouro rotativo Um motor faz rodar o poleiro quando um esquilo aterra Boa Quem gosta de ver cenas no jardim
Comedouro invertido As aves alimentam-se de cabeça para baixo; os esquilos têm mais dificuldade Média Espécies como chapins e trepadeiras

Os modelos controlados por peso são particularmente populares: como as aves são leves, não activam o mecanismo. Quando um esquilo - ou um pombo - se senta, um anel ou uma tampa fecha os acessos ao alimento. Sem recompensa, o animal perde o interesse e procura outro local.

Os comedouros rotativos acrescentam ainda um lado divertido. Assim que um animal mais pesado salta para o poleiro, um pequeno motor entra em acção e faz o apoio girar até o intruso perder o equilíbrio. O efeito é cómico, não magoa o animal e mantém as sementes reservadas às aves.

Nos comedouros tubulares tradicionais, compensa observar a qualidade das peças. Modelos com aberturas e poleiros em metal duram muito mais, porque os roedores roem o plástico com facilidade. Investir num comedouro de melhor qualidade pode sair mais barato a longo prazo, por não ser necessário substituí-lo constantemente.

Distração: quando comida extra alivia o problema

Por vezes, um pequeno “suborno” funciona melhor do que qualquer barreira. Quem tiver espaço pode criar um ponto próprio para os roedores - o mais longe possível do comedouro das aves. Aí podem colocar-se, por exemplo, milho mais barato, amendoins com casca ou nozes antigas.

"Ao mimar os roedores num local, desvia-os do verdadeiro buffet das aves - e ainda assim dá para os observar de perto."

A escolha do alimento no comedouro das aves também é determinante. Algumas misturas atraem os esquilos de forma especial; outras interessam-lhes bastante menos.

Que sementes atraem - e quais atraem menos

  • Muito atractivas para esquilos: sementes de girassol, amendoins, milho, misturas ricas em nozes e gordura
  • Bem menos interessantes: cártamo, niger, painço branco (painço-proso)

Muitas aves passeriformes adaptam-se muito bem a estas opções menos apelativas para roedores. Pintassilgos, tentilhões e cardeais (na Alemanha, aparentados com o dom-fafe) costumam aceitar niger e cártamo quando se habituam. Ajustar um pouco a mistura reduz claramente o incentivo para os esquilos.

Outra hipótese passa por acrescentar ingredientes picantes. Os mamíferos têm receptores para a capsaicina, a substância que dá o ardor à malagueta - já as aves praticamente não reagem. Existem no mercado misturas prontas ou pós que revestem as sementes com capsaicina. Para os esquilos, cada dentada torna-se desagradável, enquanto as aves continuam a comer sem stress.

Estação, comportamento e segurança: pormenores que muitos ignoram

O comportamento dos esquilos varia ao longo do ano. No outono e no inverno, quando as reservas naturais diminuem, a pressão sobre os pontos de alimentação aumenta bastante. Nessa fase, é comum ser preciso combinar várias medidas: localização segura, deflector, mistura de sementes ajustada e, se fizer sentido, um ponto separado para os roedores.

Ao mesmo tempo, a protecção não deve transformar-se em risco. Armadilhas, superfícies adesivas ou substâncias tóxicas não têm lugar junto de um comedouro. Crianças, animais de estimação e outros animais selvagens podem entrar em contacto com isso. O mais seguro é optar por obstáculos mecânicos, soluções bem desenhadas e estratégias de alimentação.

Também ajuda fazer uma verificação rápida à envolvente: caixotes do lixo abertos, compostores demasiado cheios ou restos de comida debaixo do comedouro atraem ainda mais roedores. Manter a zona limpa com regularidade costuma reduzir bastante a população nas imediações.

Dicas práticas para o dia a dia junto ao comedouro

Para evitar mudanças constantes, um plano por etapas costuma resultar:

  • Mudar o comedouro para um local aberto e difícil de alcançar.
  • Montar um poste liso de metal com deflector ou optar por um comedouro com gaiola.
  • Ajustar a mistura, reduzindo os petiscos favoritos dos roedores.
  • Opcionalmente, criar um ponto de alimentação separado para os esquilos.
  • Em períodos de maior presença de roedores, trocar para modelos controlados por peso ou rotativos.

Cada medida, por si só, ajuda um pouco. Em conjunto, formam uma espécie de escudo: os animais têm de saltar mais longe, encontram sementes menos atractivas e ainda esbarram em barreiras mecânicas para chegar ao restante alimento. Muitos acabam por desistir e procurar locais mais fáceis.

Quem se interessa pelas espécies que visitam o comedouro consegue afinar ainda mais as escolhas. Trepadeiras e chapins costumam preferir comedouros suspensos e mais estreitos, enquanto melros e tordos apanham comida no chão. Com uma combinação de comedouro tubular, alimento no solo e uma área separada para roedores, dá para organizar o jardim para que cada um tenha o seu espaço - só não todos no mesmo prato.


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