O novo Audi Q3 e-hybrid cresceu, ficou mais apurado e, com cerca de 100 km reais em modo elétrico, dá para passar vários dias sem ouvir o motor a gasolina.
Entre as novidades da Audi que têm chegado ao mercado nos últimos meses, esta nova geração do Audi Q3 é provavelmente a que aparece com mais argumentos e obriga a concorrência a olhar duas vezes. Só que nem tudo são boas notícias. Vamos começar pelas melhores.
À primeira vista, o novo Q3 encaixa na perfeição na linguagem de design mais recente da marca. Face ao antecessor, o resultado é mais sofisticado, mais musculado e com um ar mais maduro, deixando para trás qualquer leitura mais conservadora.
A reforçar essa sensação está o sistema de iluminação em LED, que chama a atenção logo desde o primeiro contacto e ainda eleva a perceção de qualidade. Também cresceu em comprimento e largura, mas ficou mais baixo, o que o faz parecer mais «plantado» e com mais presença no asfalto.
Para este ensaio, escolhemos o Q3 e-hybrid, a variante com a mais recente geração do sistema híbrido plug-in da marca, que promete autonomia 100% elétrica acima dos 110 km - sensivelmente o dobro da geração anterior. Será que confirma? Já lá vamos. Antes disso, entremos no habitáculo.
O que são estes botões?
A primeira impressão ao sentarmo-nos ao volante do Audi Q3 e-hybrid é que a Audi seguiu uma via diferente da que tem usado nos seus modelos mais recentes. Na porta do condutor, por exemplo, os comandos físicos deixaram de estar todos agrupados no mesmo módulo - o que pede alguma habituação - e passaram a ser do tipo botão/interruptor, mais simples de operar.
Por outro lado, as tradicionais hastes na coluna da direção desapareceram. Em vez disso, encontramos uma barra horizontal chamada Integrated Switch Module, que já tinha levantado curiosidade desde as primeiras imagens. À vista parece confuso? Parece. Mas só até ao primeiro «pisca». Depois, a lógica percebe-se.
Do lado direito fica o comando da caixa automática, usado exatamente como noutros modelos com uma haste semelhante nesta posição. Do lado oposto, há um conjunto de comandos que reúne os piscas, o limpa para-brisas e o vidro traseiro, além do comutador dos máximos. Complicações? Nenhumas.
O que custa é mesmo a primeira utilização, para memorizar onde está cada função. A partir daí, torna-se natural, como se sempre tivesse sido assim. O limpa para-brisas é o que exige mais adaptação, mas também é o que menos se usa, até porque o modo automático acerta na grande maioria das situações.
Ambiente Audi a bordo
Comparando com os seus «irmãos» de maior porte, o interior do novo Audi Q3 é o que parece mais «arrumado». Em vez de três ecrãs que parecem ter sido «atirados» para o tabliê, aqui existem dois, integrados num grande painel curvo que começa à frente do condutor e se estende quase até à zona do passageiro. E chega perfeitamente.
Por baixo deste conjunto e das saídas da climatização, mantêm-se alguns comandos físicos na consola e entre os bancos, como o seletor dos modos de condução. Os espaços de arrumação são fundos e não falta o carregador por indução para o telemóvel.
Ao volante, a posição de condução é excelente e o espaço, tanto na frente como atrás, é amplo o suficiente para pôr parte da concorrência em sentido.
Na bagageira, é o sistema híbrido plug-in que rouba espaço, ficando «apenas» 375 litros. Em papel parece pouco, mas no dia a dia não senti necessidade de mais. Já com o carro cheio para uma viagem de férias, a diferença de mais de 100 litros para os outros Q3 (488 litros) pode fazer falta.
Economia e dinâmica. Os opostos atraem-se
Há regras que parecem universais: ou se conduz com calma, ou se gasta bastante combustível. Mas neste Audi Q3 e-hybrid, as coisas nem sempre seguem essa lógica tão linear.
Por definição, o sistema híbrido plug-in arranca sempre em modo elétrico (desde que haja carga suficiente na bateria) e mantém-se assim até indicação em contrário. Ou seja, é perfeitamente possível passar vários dias sem que o motor de combustão chegue a entrar em cena.
Isto mesmo com o motor elétrico a debitar 85 kW (116 cv) e 330 Nm, valores que chegam e sobram para a rotina diária e para lidar com os 1900 kg anunciados. Mesmo sem recorrer ao motor térmico, este Audi Q3 e-hybrid consegue ter alguma graça ao volante.
Fica ainda mais interessante quando usamos os 200 kW (272 cv) de potência máxima combinada. Este Audi Q3 não é quattro, por isso a tração é feita apenas nas rodas da frente. Ainda assim, o controlo eletrónico do amortecimento, em conjunto com as jantes opcionais de 20”, garante um comportamento competente, sem se intimidar com uma estrada mais sinuosa. Um híbrido plug-in pode não ser a escolha ideal para este tipo de utilização, mas o Audi Q3 e-hybrid não se sai nada mal.
Então e os consumos e a autonomia elétrica?
Registei médias de 4,3 l/100 km de gasolina e 14,5 kWh/100 km de eletricidade - os valores oficiais deste Q3 com as jantes de maior dimensão são 2,1 l/100 km e 14,9 kWh/100 km.
Quanto à autonomia em modo elétrico, também não restaram grandes dúvidas: o Audi Q3 e-hybrid consegue ultrapassar com facilidade a fasquia dos 100 km sem sequer ter de «chatear» o motor térmico.
Estava tudo a correr tão bem
Como referi no início, também há más notícias - e o tema é, como quase sempre, o preço. Sem extras, este Audi Q3 e-hybrid pode ser comprado por menos de 53 mil euros. Mas, sendo premium e alemão, se queremos um visual mais desportivo, mais tecnologia ou um ambiente mais requintado, esses 53 mil euros tornam-se rapidamente uma ilusão.
No caso da unidade ensaiada, o valor final subiu para acima dos 77 500 euros - praticamente 25 mil euros em extras.
Ainda assim, há um ponto curioso que ajuda a colocar o valor em perspetiva. A geração anterior do Audi Q3 híbrido plug-in já tinha um preço base na ordem dos 50 mil euros. Esta nova geração evoluiu tecnicamente (mais desempenho e autonomia elétrica) e tecnologicamente (conectividade, infoentretenimento, segurança ativa) e entrega mais por um valor semelhante, pelo que a relação custo-benefício é mais favorável no novo modelo.
Dito isto, não há como contornar: é caro. Sempre foi. E fica ainda mais caro quando «mergulhamos» na lista de opcionais, até para ter equipamentos que noutras marcas não premium já vêm de série.
Para empresas e empresários em nome individual, a questão do preço é atenuada por ser possível deduzir o IVA. Caso cumpram os requisitos, o preço começa nos 39 990 euros + IVA. Sem contar com outros benefícios, como os da tributação autónoma ou IVA dedutível da eletricidade para carregar o veículo.
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