A alienação das participações da Porsche na Bugatti Rimac e no Grupo Rimac foi apenas a parte mais visível de um movimento maior. No âmbito do seu realinhamento estratégico, o construtor alemão prepara um conjunto mais vasto de decisões e algumas delas são, nas palavras do diretor-executivo, “dolorosas”.
O Conselho Executivo e o Conselho Fiscal da Porsche AG deram recentemente luz verde a um pacote de reestruturação que vai muito além do afastamento da Bugatti. No plano está o encerramento de três subsidiárias sediadas na Alemanha: a Cellforce Group, a Porsche eBike Performance e a Cetitec. No total, prevê-se que mais de 500 funcionários sejam afetados.
“Precisamos de nos concentrar novamente no nosso negócio principal, o que nos obriga a fazer cortes dolorosos”, avançou Michael Leiters, diretor-executivo da Porsche.
Realinhamento estratégico da Porsche e impacto interno
A estratégia passa por recentrar recursos e prioridades no núcleo do negócio, o que está a levar a uma redução de operações consideradas sem viabilidade no atual contexto. É neste enquadramento que se insere o fecho das três estruturas, com processos formais a serem desencadeados junto dos representantes dos trabalhadores.
As subsidiárias da Porsche afetadas
Cellforce Group
A Cellforce Group, instalada em Kirchentellinsfurt e com cerca de 50 trabalhadores, nasceu com a missão de desenvolver células de bateria de alto desempenho. Porém, com a mudança de estratégia da Porsche para uma abordagem que já não assenta exclusivamente nos motores elétricos, esta unidade deixou de apresentar perspetivas sólidas a longo prazo, pelo que será encerrada.
Porsche eBike Performance
A Porsche eBike Performance, com aproximadamente 360 trabalhadores repartidos pelas localizações de Ottobrunn, na Alemanha, e Zagreb, na Croácia, foi criada para desenvolver e comercializar sistemas de propulsão de alta performance destinados a bicicletas elétricas. A degradação das condições de mercado neste segmento tornou inviável a continuidade da operação.
Cetitec
A Cetitec, baseada em Pforzheim e com cerca de 90 trabalhadores distribuídos entre a Alemanha e a Croácia, dedicava-se ao desenvolvimento de software especializado em comunicação de dados para a Porsche e para todo o Grupo Volkswagen. A evolução do mercado, aliada à reorientação dos âmbitos de desenvolvimento, conduziu igualmente à decisão de encerrar a empresa.
Em todos os três casos, a administração vai dar início a negociações com os respetivos conselhos de trabalhadores sobre os processos de encerramento.
Um ano para esquecer
Os problemas na Porsche não surgiram agora. O ano de 2025 trouxe desafios profundos para a marca, que se estenderam até ao primeiro trimestre deste ano. Entre janeiro e março, o construtor reportou uma descida de 21,9% nos lucros, para 595 milhões de euros.
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