Catherine West pressiona Keir Starmer e pede calendário para setembro
A deputada trabalhista Catherine West avançou esta segunda-feira com uma recolha de assinaturas entre parlamentares, com o objectivo de pressionar o primeiro-ministro, Keir Starmer, a apresentar um calendário que leve à eleição, em setembro, de um novo líder do partido.
West, que tinha admitido lançar um desafio à liderança já esta semana, disse que o discurso feito por Starmer na manhã de hoje "foi positivo". Ainda assim, considerou que esse sinal não chega para contrariar o impacto "dos resultados da passada quinta-feira", depois de o Partido Trabalhista ter sofrido derrotas expressivas nas autárquicas em Inglaterra e nas eleições regionais na Escócia e no País de Gales.
Num comunicado, a deputada afirmou: "Ouvi o discurso do primeiro-ministro esta manhã. Agradeço a energia e as ideias renovadas. No entanto, com pesar, concluí que foi insuficiente e tardio. Os resultados de quinta-feira demonstram que o primeiro-ministro não conseguiu inspirar esperança. O melhor para o partido e para o país é agora uma transição ordenada".
West acrescentou que está a reunir "nomes de deputados trabalhistas para solicitar ao primeiro-ministro que estabeleça um calendário que permita a eleição de um novo líder em setembro".
O limiar dos 81 deputados e a contestação interna no Partido Trabalhista
Para que um desafio formal à liderança possa avançar, Catherine West precisa de assegurar o apoio de 81 deputados trabalhistas.
De acordo com a Sky News, pelo menos 39 deputados, num total de 403, já se pronunciaram no sentido de defender a saída de Starmer.
Entre os que pediram a saída do líder está Paulette Hamilton, deputada por Birmingham, um histórico bastião trabalhista onde o partido passou de 65 para 17 vereadores.
"Precisamos de uma transição ordenada e de um plano. Starmer deve indicar quando tenciona demitir-se e quando essa transição terá lugar", afirmou Hamilton.
Também David Smith, deputado por North Northumberland, no nordeste de Inglaterra, reclamou um "calendário claro" para a saída do primeiro-ministro, sustentando que todo o processo deve ser "ordenado e digno, pelo bem do país".
Já Bell Ribeiro-Addy, deputada por Clapham e Brixton Hill, disse que Starmer "não tem um plano credível" e voltou a insistir na necessidade de fixar um prazo para a saída, defendendo que a sucessão "não deve ser uma coroação", mas antes o resultado de um processo interno no partido.
Entretanto, a antiga vice-primeira-ministra Angela Rayner já tinha sugerido, numa mensagem, o regresso ao Parlamento do presidente da Câmara de Manchester, Andy Burnham, que tem sido apontado como potencial sucessor.
Para poder concorrer à liderança, Burnham teria primeiro de ser eleito deputado e, depois, garantir igualmente o apoio de 81 deputados.
Resultados eleitorais e a resposta de Starmer
Apesar de ver crescer a contestação, Keir Starmer afastou a hipótese de se demitir, embora tenha admitido existir "a frustração" à volta da sua liderança.
"Não vou esconder que tenho críticos, inclusive no meu próprio partido. E também não vou esconder que tenho de provar que estão errados - e vou fazê-lo", declarou, alertando que a sua eventual saída apenas provocaria "caos político" no Reino Unido.
Nas eleições de quinta-feira, o Partido Trabalhista perdeu 1.496 vereadores, passando a somar 1.068.
Na Escócia, a representação no Parlamento de Edimburgo recuou de 21 para 17 membros. Já no País de Gales, o partido perdeu o controlo do parlamento regional, descendo de 44 para apenas nove assentos.
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