Registos de voos efectuados pelo governo do Rio de Janeiro indicam que o então governador Cláudio Castro recorreu a aeronaves executivas contratadas pelo estado para deslocações que incluíram compromissos de carácter festivo em Salvador, São Paulo e Gramado, em algumas das quais terá viajado na companhia de familiares e de aliados políticos.
As viagens constam de uma listagem tornada pública recentemente, que discrimina a utilização de jactos fretados ao longo dos últimos três anos de governação. Em nota, Castro sustentou que todas as deslocações realizadas através de aeronaves contratadas cumpriram “rigorosamente a legislação em vigor”.
Viagem no Carnaval: Rio de Janeiro, Brasília e Salvador
Entre os episódios registados - e obtidos pelo jornal O Globo ao abrigo da Lei de Acesso à Informação - surge uma deslocação realizada em fevereiro deste ano, já em período de Carnaval. Apesar de, na agenda oficial, constarem apenas “despachos internos” na quinta-feira, dia 12, os registos de voo apontam que o então governador seguiu para Brasília acompanhado do ex-secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, e do advogado Antonio Carlos da Conceição Santos.
Após cerca de seis horas na capital federal, os três embarcaram noutra aeronave com destino a Salvador, onde marcaram presença na abertura do Carnaval baiano. O regresso ao Rio de Janeiro só aconteceu na manhã do sábado de Carnaval, com aterragem no Aeroporto Santos Dumont antes do segundo dia de desfiles da Série Ouro, na Marquês de Sapucaí.
De acordo com os registos, os voos entre Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e o regresso ao estado fluminense representaram uma despesa aproximada de R$ 367,6 mil para os cofres públicos.
São Paulo e Interlagos: Fórmula 1 fora da agenda oficial
Outra deslocação que não constava da agenda oficial ocorreu em novembro do ano passado, quando Castro viajou para São Paulo para acompanhar uma etapa de Fórmula 1 no Autódromo de Interlagos. Segundo os dados divulgados, o então governador embarcou com a esposa, Analine Castro, e a filha.
A presença do casal no evento foi partilhada nas redes sociais. Numa publicação feita na altura, os dois classificaram a corrida como “um evento que movimenta o país, reúne pessoas de todos os cantos e mostra a força do esporte em unir e inspirar”. O custo total do transporte aéreo de ida e volta foi calculado em quase R$ 108 mil.
Cláudio Castro e o táxi aéreo: como o modelo foi estruturado
Documentação associada à contratação das aeronaves mostra que o modelo de fretamento começou a ser desenhado ainda em novembro de 2022, poucas semanas após a reeleição de Cláudio Castro. Um Estudo Técnico Preliminar produzido pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) fundamentou a contratação na necessidade de maior flexibilidade logística para assegurar a agenda do governador.
No documento, argumentava-se que atrasos ou a indisponibilidade de voos comerciais poderiam pôr em causa compromissos considerados estratégicos para o estado, incluindo potenciais oportunidades de investimento. O texto referia também os efeitos que continuavam a fazer-se sentir no sector da aviação comercial após a pandemia de Covid-19.
O contrato acabou por ser celebrado com a Líder Táxi Aéreo, o táxi aéreo mais antigo do Brasil. No total, os gastos com táxi aéreo somaram R$ 18,5 milhões.
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