O EX60 é um dos lançamentos mais marcantes da Volvo dos últimos anos - e percebe-se rapidamente porquê.
O novo EX60 é, de facto, uma viragem de página para a Volvo e posiciona-se como um dos modelos mais determinantes da marca sueca em várias décadas.
Pensado para suceder ao XC60 - o Volvo mais vendido a nível mundial há vários anos seguidos -, nasce como o resultado visível de um investimento de grande escala em capacidade industrial, tecnologia e desenvolvimento de produto. E, por isso, é um projeto onde não há margem para falhar.
Fomos até Barcelona (Espanha) para o conduzir em primeira mão e as sensações iniciais foram claras: o EX60 dá um passo significativo em frente face aos EX30 e EX90 e promete baralhar as contas à concorrência alemã. Ora vejam:
ADN Volvo
Basta olhar para o EX60 para reconhecer, de imediato, a linguagem visual típica da Volvo. Isso nota-se na assinatura luminosa, com os conhecidos «martelos de Thor» na frente, e também atrás, onde surgem dois conjuntos óticos verticais e separados.
Com dimensões imponentes (cerca de 4,80 m de comprimento), o EX60 não precisa de linhas agressivas nem de exageros estilísticos como os que aparecem nalguns rivais. Apoia-se antes numa sobriedade bem conseguida, que resulta numa proposta sofisticada, mas sobretudo muito elegante.
Visto de perfil, há ainda que sublinhar as jantes, que podem ir até 22”, e os puxadores fora do comum: sobem para junto da base do vidro e ficam ocultos por trás de uma pequena barbatana aerodinâmica, funcionando como um botão.
Sem «malabarismos»
Por dentro, a filosofia mantém-se contida e fiel à marca: não há ecrãs gigantes nem efeitos de iluminação LED a atravessar o tablier de ponta a ponta. Nada disso.
O habitáculo é inequivocamente Volvo e inequivocamente escandinavo. Numa fase em que tantos modelos acabam por parecer variações do mesmo tema, esta identidade própria só pode ser vista como um ponto a favor. Os materiais foram escolhidos com critério, a luminosidade a bordo sente-se logo e a ergonomia está, no geral, muito bem pensada.
No entanto, nem tudo é perfeito. O volante, desde o primeiro contacto, pareceu-me pequeno demais e com um formato demasiado retangular. De resto, está praticamente tudo no sítio: não me importava que existissem mais comandos físicos, mas a Volvo assegura que isso não fará falta, já que o sistema operativo oferece integração total com Gemini, que ajuda nas tarefas mais comuns do quotidiano.
Ainda no campo tecnológico, convém sublinhar que o EX60 estreia um “cérebro” de inteligência artificial capaz de ultrapassar os 350 TOPS (triliões de cálculos por segundo). É este sistema que gere tudo no EX60 - dos sensores dos sistemas de apoio à condução ao chassis ativo, passando pela suspensão adaptativa.
É tudo novo
Antes de falar da experiência ao volante do novo Volvo EX60, vale a pena olhar para a base: o modelo estreia uma plataforma completamente nova, dedicada a elétricos, denominada SPA3.
Graças a esta arquitetura (e à semelhança do que acontece com rivais da Mercedes-Benz, BMW e Audi), utiliza um sistema elétrico de 800 V, o que lhe permite chegar a potências de carregamento até 400 kW em corrente contínua (DC). Em condições ideais, consegue repor cerca de 340 km de autonomia em apenas 10 minutos.
Há também novos motores elétricos, disponíveis com tração integral (versões P10 e P12) ou tração traseira (P6). A variante de entrada anuncia 275 kW (374 cv) e a versão de topo sobe para uns inéditos 500 kW (680 cv), precisando de apenas 3,9s para cumprir dos 0 aos 100 km/h. Podem ver aqui a gama EX60 em detalhe:
E a autonomia?
O Volvo EX60 pode ser configurado com três baterias diferentes: 80 kWh, 91 kWh e 112 kWh. Assim, apresenta autonomias até 620 km (P6), 660 km (P10) e 810 km (P12). No caso do P12, a Volvo reclama um recorde no segmento, superando em 5 km o BMW iX3 (805 km).
Isto traduz-se numa versatilidade que o EX90 simplesmente não consegue igualar. E, apesar do tamanho e do peso, o EX60 mostra-se relativamente eficiente: neste primeiro contacto, em utilização mista, obtive consumos ligeiramente abaixo dos 18 kWh/100 km. Já em cidade, a ritmos mais calmos, cheguei a circular perto dos 15 kWh/100 km.
E na estrada?
Nesta apresentação, só tive oportunidade de conduzir a versão P10, que já pode contar com molas pneumáticas e amortecedores eletrónicos variáveis (de série no P12). O resultado é uma qualidade de pisar muito apurada em estrada.
O EX60 absorve de forma consistente as irregularidades do piso, mantém as vibrações afastadas do habitáculo e apresenta um isolamento acústico que eleva claramente o conforto. A qualidade de rolamento é, aliás, um dos grandes argumentos deste SUV elétrico, que se sente sempre muito estável e seguro.
Apesar do porte considerável, a carroçaria tem movimentos bem contidos, mesmo quando forçamos um pouco mais o andamento em curva. As massas parecem bem distribuídas e, embora a direção não seja particularmente comunicativa, está competente e bem afinada.
A sensação é a de um carro que flui com naturalidade: ganha velocidade sem esforço - o P10, com 510 cv, é mais do que suficiente - e fá-lo de modo progressivo. Foi precisamente essa progressividade uma das coisas que mais me surpreenderam no EX60, sobretudo quando comparado com outros elétricos semelhantes, onde as respostas tendem a ser mais bruscas e agressivas.
E isto encaixa no que um cliente Volvo espera de um modelo da marca sueca. Por isso, não poderia ser diferente: pode não ser o mais incisivo do segmento em dinâmica pura, mas é refinado, elegante e muito confortável.
Quanto custa?
Em Portugal, o Volvo EX60 tem preços a partir de 67 906 euros, o que o coloca de forma bem mais competitiva do que grande parte da concorrência alemã.
Por mais 3075 euros, é possível passar para o P10, já com tração integral, 660 km de autonomia e 510 cv. No topo da gama está o P12, com 680 cv e 810 km de autonomia, por mais 9225 euros.
Olhando para as alternativas, o Mercedes-Benz GLC 400 4MATIC - com 489 cv e 666 km de autonomia, na versão mais próxima do EX60 P10 - custa cerca de 7000 euros a mais do que o Volvo.
Já o BMW iX3 com pack desportivo M custa 76 700 euros, menos 400 euros do que o EX60 topo de gama. É verdade que oferece praticamente a mesma autonomia (805 km vs 810 km), mas fica-se pelos 469 cv e inclui bastante menos equipamento de série.
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